O Exército da Ucrânia afirma ter capturado mais de 250 soldados da Rússia durante uma operação de contraofensiva no leste do país que combinou drones terrestres, veículos blindados carregados de explosivos e ataques realizados atrás das linhas de defesa de Moscou. Batizada de “Vivaldi”, a operação ocorre na região de Donetsk, no Donbass, onde Kiev tenta recuperar território e impedir o avanço russo em direção a importantes cidades ucranianas.
Drones, IA e mísseis: Guerra entre Rússia e Ucrânia entra em nova fase com disputa pelo controle dos céus
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Um vídeo divulgado nesta semana pelo Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia mostra dezenas de soldados russos caminhando em fila por uma área de mata, sob a vigilância de militares ucranianos. Em determinado momento, os prisioneiros são reunidos em uma formação compacta e submetidos a uma espécie de chamada.
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Segundo relatos incluídos nas imagens, alguns dos russos afirmam que decidiram se render porque “não queriam morrer em vão”. Eles também relatam ter comido cascas de árvores e grama e bebido água de poças depois que os suprimentos básicos acabaram.
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A emissora CNN, que divulgou informações sobre o caso, não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade do vídeo ou a alegação ucraniana de que mais de 250 russos foram capturados.
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A rendição dos militares ocorre em um momento de avanços ucranianos no setor de Lyman, no norte de Donetsk. Segundo o comando ucraniano, as três fases anunciadas da “Operação Vivaldi” permitiram recuperar 176 quilômetros quadrados de território. Na terceira etapa, encerrada no fim de setembro, foram retomados 51 quilômetros quadrados e cinco localidades passaram ao controle ucraniano ou tiveram o domínio de Kiev restaurado.
Robôs atrás das linhas
Um dos elementos centrais da operação foi o uso de sistemas robóticos terrestres. Segundo Andriy Biletskyi, comandante do Terceiro Corpo de Exército, forças ucranianas conseguiram lançar do ar robôs equipados com armas pesadas a mais de 10 quilômetros atrás das linhas russas.
Os equipamentos eram controlados remotamente a partir de centros de comando localizados em áreas sob controle ucraniano. Dessa maneira, os militares podiam atacar posições russas a partir de direções inesperadas, sem expor diretamente soldados às posições inimigas.
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O emprego de robôs terrestres ganhou espaço no campo de batalha ucraniano diante da presença constante de drones aéreos. Segundo a CNN, os equipamentos são mais difíceis de localizar e interceptar do que veículos militares maiores e, ao contrário dos drones aéreos, podem operar em diferentes condições climáticas e transportar cargas maiores.
A “Operação Vivaldi” é a primeira ocasião conhecida em que esse tipo de sistema foi levado para trás das linhas defensivas russas.
Os ucranianos também adaptaram antigos veículos blindados de transporte de pessoal da era soviética para transformá-los em veículos terrestres não tripulados carregados de explosivos. Os equipamentos eram enviados contra fortificações russas e passaram a ser chamados pelos militares ucranianos de “tanques Troianos”.
Mudança no front
A operação ocorre depois de três meses de avanços pequenos, mas constantes, das forças russas. Em setembro, porém, a situação se inverteu, segundo cálculos do Institute for the Study of War (ISW), organização americana que acompanha o conflito.
De acordo com o instituto, as forças russas conquistaram cerca de 175 quilômetros quadrados de território no mês, mas perderam 256 quilômetros quadrados em outras áreas. A “Operação Vivaldi” teria sido responsável por uma parcela importante dos ganhos ucranianos, com quase 150 quilômetros quadrados recuperados, segundo o ISW.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também afirmou que a operação permitiu recuperar 176 quilômetros quadrados e deixou mais de 5 mil soldados russos mortos ou feridos.
As informações também repercutiram entre blogueiros militares russos. O Rybar, um dos mais conhecidos canais pró-Kremlin sobre a guerra, classificou a situação como “em deterioração” e afirmou que as tropas russas terão de reorganizar a logística e alterar o ritmo do avanço em direção a Sloviansk e Kramatorsk.
As duas cidades fazem parte do chamado “cinturão de fortalezas” ucraniano no Donbass e são importantes para a defesa da região. A Rússia busca conquistar o restante de Donetsk, enquanto a Ucrânia tenta impedir que as forças de Moscou avancem para o interior de seu território.
Pressão sobre a Rússia
O avanço ucraniano ocorre enquanto a Rússia mantém ataques aéreos quase contínuos contra cidades do país, em um momento de escassez de mísseis de defesa aérea em Kiev. Segundo a CNN, os quatro meses anteriores estiveram entre os períodos mais mortíferos para civis ucranianos desde o início da invasão em larga escala, em 2022.
Na quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou durante o Clube Valdai, em Moscou, que a Europa e a Ucrânia avaliam que Kiev poderá resistir aos avanços russos por apenas mais 18 a 24 meses. Putin sugeriu que Moscou poderia conquistar o restante de Donetsk em um período ainda menor e disse que a resistência ucraniana seria inútil.
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O avanço ucraniano, porém, foi apresentado em Kiev como um sinal de que o ritmo da ofensiva russa no Donbass pode ser mais lento do que Moscou espera. Embora as forças russas continuem avançando sobre o chamado cinturão de fortalezas, os ganhos têm sido graduais e acompanhados de pesadas perdas, segundo avaliações citadas pela CNN.
Serviços de inteligência ocidentais citados pela CNN estimam que a Rússia esteja perdendo cerca de 40 mil soldados por mês. O ISW calculou que, mantido o ritmo atual, as forças russas não conseguiriam conquistar o restante do Donbass antes de 2032 — caso consigam fazê-lo.
Ucrânia diz ter capturado mais de 250 soldados da Rússia em operação com robôs na região de Donbass
