- Contexto: Mais de mil oficiais da Força Aérea de Israel assinam carta aberta contra guerra em meio a onda crítica sobre Gaza
- Criada em fevereiro: Apoiada por EUA e Israel e questionada pela ONU, Fundação Humanitária de Gaza começa a distribuir alimentos no enclave
As imagens do armazém mantido pelo Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (WFP), na região central de Gaza, mostram a multidão em busca de qualquer tipo de alimento que pudessem levar. Muitos são vistos carregando sacos de trigo, cada um pesando 25 kg, enquanto tentam passar pelos milhares de outros que tentavam entrar no local. Pedaços da estrutura foram arrancados.
Por comida, pessoas morrem em invasão a armazém da ONU em Gaza
De acordo com a rede al-Jazeera, citando o Hospital dos Mártires de al-Aqsa, na cidade de Deir al-Balah, duas pessoas morreram pisoteadas durante a invasão, enquanto duas morreram vítimas de disparos de armas de fogo — testemunhas não citaram confrontos com forças de segurança no local.
As mortes, mais um retrato trágico do desastre humanitário em Gaza, ocorreram após uma caótica entrega de alimentos realizada por uma fundação financiada pelos EUA e apoiada por Israel, no sul do território. Afetados por quase dois meses de um bloqueio total à entrada de alimentos em Gaza, imposto por Israel, os civis invadiram o local onde estavam sendo entregues caixas com itens básicos, como farinha, macarrão, leguminosas, arroz, óleo de cozinha e alimentos enlatados.
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Testemunhas afirmam que os soldados israelenses “começaram a atirar, e o som era muito assustador, e as pessoas começaram a se dispersar, mas algumas continuaram tentando pegar a ajuda apesar do perigo”. O Exército de Israel afirmou que seus militares “dispararam tiros de advertência na área externa do complexo”, e negaram que tenham feito disparos de helicópteros, como alegam alguns civis.
Autoridades locais dizem que uma pessoa morreu e 48 ficaram feridas.

Por comida, moradores de Gaza invadem novo centro de ajuda em meio a disparos israelenses
Após semanas de bloqueio à entrada de alimentos e insumos básicos em Gaza, Israel concordou com a retomada de parte da distribuição de ajuda, mas estabeleceu que ela seria feita em seus termos: localizada em alguns pontos do território, sob supervisão de militares israelenses e realizada pela chamada Fundação Humanitária de Gaza (GHF), que conta com o apoio e o dinheiro do governo americano.
O modelo foi criticado por organizações humanitárias que atuam em Gaza e pela ONU, que acusou a fundação de não seguir os princípios da imparcialidade, neutralidade e independência inerentes a esse tipo de atividade. No domingo, o diretor-executivo da GHF, Jake Wood, pediu demissão, alegando não ser possível cumprir tais princípios.
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Representantes da ONU, como chefe da agência para refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, apontam que muitos palestinos não têm como se deslocar até os centros de distribuição — a presença dos militares israelenses serve como um elemento a mais de intimidação.
— Acredito que seja um desperdício de recursos e uma distração das atrocidades. Já temos um sistema de distribuição de ajuda adequado. Enquanto isso, o tempo está se encaminhando para a fome, então o trabalho humanitário precisa ter permissão para fazer seu trabalho de salvar vidas agora — disse Lazzarini nesta quarta-feira.
Ao comentar o caos de terça-feira, Netanyahu afirmou que houve uma “perda momentânea de controle” no centro de distribuição da GHF.
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As mortes no centro de distribuição da ONU em Gaza ocorrem no dia em que a guerra em Gaza completa 600 dias, uma data que foi lembrada em Israel com protestos pedindo o retorno dos reféns e que o governo de Netanyahu firme um acordo de cessar-fogo.
— Faz mais de 100 dias que fui forçado a deixar para trás meu irmão. Enquanto Eitan e os outros reféns não retornarem, ainda estou cativo — disse Iair Horn, libertado em fevereiro durante uma segunda trégua em Gaza, mas sem seu irmão, durante um ato em Tel Aviv. — Acabem com esta guerra e tragam os 58 reféns.
Em vários lugares do país, centenas de pessoas empunharam cartazes e faixas também exigindo o fim dos combates e o retorno dos reféns — há 58 pessoas em poder do Hamas, sendo que 57 capturadas em outubro de 2023, mas estima-se que 35 estejam mortas..
— Nos primeiros dias de cativeiro, estava convencida de que [o Exército] e o Estado de Israel fariam o possível para nos trazer de volta […] em alguns dias — declarou em uma manifestação no kibutz Nir Oz, Karina Engel-Bart, libertada em novembro de 2023 com suas filhas, mas cujo marido morreu no ataque do Hamas.
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Em Tel Aviv, um grupo de manifestantes contrários a Netanyahu invadiu a sede do Likud, o partido do premier, e tentou ocupar o local para protestar contra a guerra. Alguns chegaram a se acorrentar às escadas, e outros entraram no escritório que Netanyahu mantém no edifício antes de serem retirados à força. Segundo a polícia, 62 duas pessoas foram presas.
Do lado de fora, foi projetada uma bandeira do Catar, uma referência à investigação sobre ligações suspeitas entre assessores de Netanyahu e a monarquia do Golfo, voltada a melhorar a imagem do país entre os israelenses e que teria envolvido generosos pagamentos. Alguns manifestantes estavam vestidos com roupas tradicionais do Golfo e levavam malas com dinheiro falso.
A rua em frente à sede do partido foi bloqueada, e houve confronto com os policiais.
— Eles nos empurraram escada abaixo e nos arrastaram à força. Bateram minha cabeça contra um dos degraus — disse um manifestante ferido ao jornal Haaretz.
Em Londres, cinco pessoas foram detidas quando tentavam interromper uma gravação com a atriz israelense Gal Gadot. A atriz é criticada por declarações vistas como um apoio à guerra em Gaza, e tem sido alvo de protestos nas redes sociais e em eventos públicos, como em março, quando ativistas interromperam a cerimônia de inauguração de sua estrela na Calçada da Fama, em Hollywood.
