Como recobrar a vida depois de um trauma? O que fazer para tomar as rédeas do próprio destino e sair de um buraco? Reconstrução e esperança estão no cerne de “Dona de mim”, novela de Rosane Svartman, com direção artística de Allan Fiterman, que estreia amanhã na TV Globo, na faixa horária das 19h e como parte das comemorações pelos 60 anos da emissora.
A nova trama vem dois anos depois do sucesso de “Vai na fé” e repete a parceria da autora com Clara Moneke, a espevitada Kate do folhetim anterior. Agora, a atriz assume o papel da protagonista Leona, uma mulher marcada pela traumatizante perda de uma desejada gravidez. Tempos depois, na batalha pelo sustento da família, ela arranja o emprego de babá de Sofia (a pequena Elis Cabral), que coincidentemente tem o mesmo nome da filha que ela perdeu. A menina é criada por Abel (Tony Ramos), o rico empresário dono da fábrica de lingerie Boaz (veja o quadro de personagens abaixo).
— Leona é uma pessoa que teve uma perda gestacional, mas a vemos reconstruindo a vida — diz Rosane, que faz questão de citar os parceiros de autoria Carolina Santos, Jaqueline Vargas, Juan Jullian, Mário Viana, Michel Carvalho e Renata Sofia. —Abel também viveu perdas no passado, desistiu de coisas pela empresa, e acompanhamos como ele reconstruiu a família e a fábrica que levou de herança. Os personagens têm traumas e fantasmas, mas a felicidade sempre encontra um caminho, porque é uma novela solar.
E parte dessa luz vem de Clara Moneke. A paulistana, de 26 anos, que estreou em novelas em “Vai na fé”, foi o grande destaque daquela trama. O timing de comédia da iniciante foi testado pelos bordões inesquecíveis (“tio brigadeirão”, “advogato”) e aprovado pelo público, que usou e abusou deles em memes nas redes sociais. E agora? O que esperar de Leona?
—Ela vai fazer todo mundo rir e chorar no mesmo nível — diz Clara. — É uma mulher completamente bem-humorada, ri na cara do perigo mesmo. Uma personagem truqueira, esperta. Tem uma espontaneidade hilária, que tem tudo a ver comigo também. É uma pessoa que corre atrás e não desiste. Apesar dos traumas do passado, ela tem brilho no olhar.
Com “Dona de mim”, Rosane e Clara trabalham com Tony Ramos pela primeira vez. Uma aula para as duas, principalmente para a mais jovem, que pode entender, desde os ensaios iniciais por que “seu Tony Ramos” é quem é — unanimidade dos bastidores.
— Pra lá de humilde, é um ator muito disponível, solidário com todo mundo — diz Clara. —A gente tem crianças em cena e nem sempre é fácil trabalhar com elas. Mas ele tem toda a paciência e didática. É um gentleman e um palhaço, superengraçado. Ele comanda a energia.
A pequena Sofia chega na vida de Abel no dia do casamento dele com Filipa, a personagem de Cláudia Abreu. Ellen (uma participação especial de Camila Pitanga) aparece na beira do altar e pede que ele pague uma dívida que lhe deve cuidando da menina. A missão se prova complicada: a criança é superlevada e só Leona consegue contê-la. Filipa, que tem uma relação distante com a filha do primeiro casamento, até tenta ter uma outra experiência de maternidade, mas não consegue criar laços.
Aliás, o tema da multiplicidade de maternidades — e, inclusive, da vontade de não ser mãe também — é uma das questões da trama.
— Esse é um assunto que permeia novelas, e comecei a perceber no último Censo um número maior de mulheres que não querem ser mãe — diz Rosane. — E falar sobre isso é abordar os temas de forma prismática: maternidade, não-maternidade, maternidade não-biológica.

