Hoje trago aos leitores um breve poema. Ele não precisa de explicação. E fala muito da relação mais preciosa de nossas vidas. Boa leitura.
“É isto a vida?
Ajoelho-me no azulejo frio,
o corpo estremecendo enquanto vomito.
De novo.
Novamente.
Mais uma vez.
Tremendo, faço meu caminho
de volta para a cama.
Um edredom quente oferece pouco conforto
contra as ondas de náusea
e a dor sem fim.
Mesmo assim, aos poucos,
o alívio vai chegando,
enquanto a doença se instala
como um ruído de fundo.
Deito-me no escuro.
Exausta.
Sem dormir.
Cabeça e coração batendo.
E eu me pergunto:
É isto a vida?
Prazer redefinido como
breves momentos
entre crises de doença?
Força redefinida como
enfrentar ataques sem fim
do meu próprio corpo?
Conforto redefinido como
um mínimo alívio
da doença e da dor?
Dias redefinidos pela
companhia incômoda
de uma doença que não será derrotada?
Noites definidas por
um piso frio de azulejos sob meus joelhos,
meu corpo dolorido dobrado sobre eles…
E de novo.
E de novo.
Amanhece.
Assisto à luz
tomando lentamente a sala.
Mais uma noite insone.
E eu me pergunto:
É isto a vida?
E então escuto —
uma pequena voz quebra o silêncio:
“Mamãe!”
E minha pergunta é respondida.
Sim.
Isto é a vida.
E eu vou lutar
por cada momento precioso dela.”
(L. R. Knost)
E apenas um adendo: no domingo, sugiro aos leitores que cuidam e se preocupam com seus filhos, ou com a infância de forma geral, que se guiem, para cada um de seus votos, por dois critérios essenciais:
O primeiro deles, evitar candidatos associados ao crime organizado – característica muito comum em políticos do Rio, infelizmente. Simples assim.
Em segundo, peço que verifiquem o histórico de seus candidatos ou de seus partidos nas causas que mais afetam a infância: eles ou seus partidos votaram a favor do PL da devastação, do fim do licenciamento ambiental? Evite. Votaram contra políticas de educação, de transferência de renda, de apoio às mães, contra o fim da escala 6X1? Evite. Se manifestaram de forma desrespeitosa contra educadores, contra a proibição das bets, que arruína centenas de milhares de famílias? Evite. São contra a proteção digital de crianças e adolescentes, enchem as escolas de aplicativos e plataformas digitais, privatizam escolas públicas? Evite. Seus programas falam em redução drástica de políticas sociais, extermínio de ministérios, entrega de riquezas a potências estrangeiras, liberação de armas, e não mencionam a palavra “livros”? Evite.
Fica aqui apenas a minha sugestão. Bom voto a todos.
Um poema sobre a relação mais preciosa de nossas vidas
