Ondas de asfalto cortando o deserto na Califórnia, uma praia com aspecto lunar na Grécia e um cinema atemporal no Recife. Estes são exemplos de lugares que aparecem em cenas marcantes em algumas das dez produções que concorrem na categoria de melhor filme do Oscar de 2026. E que podem inspirar viagens após a cerimônia de entrega das estatuetas, no próximo domingo, em Los Angeles.
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A seguir, organizamos algumas sugestões de viagem ou passeio pelos locais que serviram de locação (ou inspiração) para os filmes que estão na corrida pelo principal prêmio do cinema.
É impossível terminar de assistir ao filme escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e não ter vontade de explorar a região central do Recife, em especial o bairro da Boa Vista, onde se passa boa parte da trama. É lá que está, na Rua da Aurora, o tradicional Cinema São Luiz, cenário de cenas marcantes e que foi um dos escolhidos para exibir as primeiras sessões do longa no Brasil.
O roteiro pela Boa Vista também deve incluir o Parque Treze de Maio, onde aconteciam os ataques da misteriosa Perna Cabeluda, e o Ginásio Pernambucano, a escola mais antiga do Brasil, com 200 anos de atividade, locação para a repartição pública onde o personagem de Wagner Moura trabalhava. E não dá para deixar passar a Vila Santo Antônio, um conjunto de casinhas antigas onde Tânia Mara apareceu pela primeira vez em cena.
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A fictícia Baktan Cross, onde se passa a história contada por Paul Thomas Anderson, é uma combinação de locações reais em cidades de Texas (El Paso) e Califórnia, como Sacramento e Eureka — nesta fica o Murphy’s Market, mercadinho da hilária cena em que o personagem de Leonardo DiCaprio faz uma ligação de telefone público.
Mas, para visitar o lugar que aparece no ápice do filme, é preciso pegar a estrada. Mais precisamente a Rodovia Estadual 78, entre as cidades de Blythe e Brawley, no condado de Imperial, na Califórnia. Apelidado de “River of Hills”, esse trecho é marcado por ondulações acentuadas, que fazem os carros “desaparecerem” entre subidas e descidas.
Para filmar a história dos irmãos (interpretados por Michael B. Jordan) que retornam a sua cidade natal no Mississippi, o diretor Ryan Coogler encontrou as locações perfeitas na vizinha Louisiana, também no Sul dos EUA.
Na histórica cidade de Donaldsonville, por exemplo, os fãs do longa encontrarão a estação de trem e a rua (Railroad Avenue, na vida real) onde as lojas frequentadas por brancos e negros ficavam em calçadas opostas. É lá também que funciona o The River Road African American Museum, que conta a história da presença negra na região, antes dominada pelas plantations.
‘Hamnet: a vida antes de Hamlet’
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O longa, dirigido por Chloé Zhao, colocou o condado de Herefordshire, no Leste da Inglaterra, no mapa do turismo cinematográfico. Muitas cenas foram gravadas lá, especialmente nos vilarejos de Weobley, representando a cidade natal de William Shakespeare, e Cwmmau, onde fica a Cwmmau Farmhouse, propriedade histórica usada como locação para a fazenda da família Hathaway, onde o dramaturgo (Paul Mescal) conhece Agnes (Jessie Buckley). O filme, porém, inspira a visitação de locais reais, como o Shakespeare Globe, o teatro construído nos moldes do século XVI em Londres que ainda abriga montagens das peças mais célebres.
Nova York combina com o ritmo frenético do filme de Josh Safdie, que tem Timothée Chalamet no papel principal. Não à toa a cidade concentra boa parte das locações usadas no longa. No Lower East Side, os arredores do Seward Park aparecem na tela, assim como as ruas comerciais do bairro — a loja de sapatos Norkin’s, por exemplo, fica na Orchard Street, e foi transformada para ficar com a cara dos anos 1950. Também há cenas gravadas na Sexta Avenida e no incontornável Central Park.
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Coração do filme de Joachim Trier, a casa em estilo Dragestil (ou “estilo dragão”, uma linha arquitetônica norueguesa que usa elementos das construções vikings) é uma das muitas que impressionam o visitante que resolve caminhar pela Rua Thomas Heftyes. A via é o ponto de partida para explorar o distrito de Frogner, uma elegante região na zona oeste de Oslo, com mansões e prédios da virada do século XIX para o XX. Também na capital da Noruega fica o Teatro Nacional de Oslo, onde Nora (Renate Reinsve) se apresenta.
As verdejantes paisagens do estado de Washington, no Noroeste dos EUA, dão o tom do filme que teve o brasileiro Adolpho Veloso como diretor de fotografia. Vale colocar no roteiro cidades pouco visitadas por grandes grupos de turistas, como Metaline Falls (com a ferrovia Pend Oreille Valley), Spokane (as formações rochosas Bowl e Pitcher, no Riverside State Park), North Bend (com o Lago Rattlesnake) e Snoqualmie (antiga estação de trem).
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Boa parte do filme foi rodada em estúdios e locações na Geórgia, no Sul dos Estados Unidos, e na Inglaterra. Mas o destino que os espectadores vão querer visitar fica na Grécia, terra natal do diretor Yorgos Lanthimos. Mais precisamente a Praia de Sarakiniko, na Ilha de Milos. Com formações rochosas muito brancas de origem vulcânica em contraste com o azul profundo do Mar Egeu, essa praia com aspecto meio lunar e desértico serviu de locação para as cenas finais do longa.
A casa de Dr. Frankenstein do filme de Guillermo del Toro é um remendo de palacetes e mansões no Reino Unido que merecem a visita. Na Escócia estão Gosford House, em East Lothian (fachada e o hall interior), e Dunecht House, em Aberdeenshire (biblioteca). Da Inglaterra, a Wilton House, em Wiltshire (salão de jantar e jardim) e a Burghley House, em Stamford (quarto de Victor e salão com pinturas barrocas). Também foram rodadas cenas em ruas estreitas do centro histórico de Edimburgo.
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O blockbuster do diretor Joseph Kosinski tem cenas em diversos circuitos da Fórmula 1, de Silverstone, na Inglaterra, a Yas Marina, em Abu Dhabi. Mas quem for à Flórida pode visitar cenários como a pista Daytona International Speedway, em Daytona, ou mesmo a pacata New Smyrna Beach, onde a lavanderia Christina’s Coin Laundry já começa a atrair fãs de Brad Pitt.

