A seca extrema voltou a acender o alerta no interior paulista, com índices de umidade abaixo de 12% e mais de 250 ocorrências de incêndios em vegetação registradas apenas nos nove primeiros dias de setembro pelo 9º Grupamento de Bombeiros. A Defesa Civil do Estado emitiu nesta quarta-feira (10) o terceiro alerta severo, direcionado a moradores de 466 municípios, incluindo Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Franca e São José do Rio Preto.
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A mensagem enviada via sistema Cell Broadcast — que dispara alertas automáticos para celulares 4G e 5G dentro da área de risco — trouxe um aviso direto: “Seu local está com umidade do ar em Emergência! Risco à saúde e de incêndios em vegetação. Beba água e NÃO faça queimada. Válido até as 19h.”
As condições extremas integram o período de estiagem monitorado pela Operação SP Sem Fogo, que reúne esforços estaduais e municipais para prevenir queimadas. Além do risco de propagação rápida de incêndios em áreas verdes, a baixa umidade agrava sintomas como irritação nos olhos, nariz e garganta, e pode piorar quadros respiratórios.
Nas redes sociais, moradores da região de Ribeirão Preto compartilharam vídeos que mostram a dimensão das queimadas nesta terça e quarta-feira. Em Ipuã, a prefeitura suspendeu as aulas e pediu que pais retirassem os filhos das creches e escolas após o avanço do fogo na zona rural, que também provocou bloqueios no Anel Viário e em estradas vicinais para Guaíra e Ituverava.
Em Igarapava, imagens registram chamas próximas a bairros e áreas rurais, embora sem atingir casas, segundo a administração municipal. Já em Ribeirão Preto, moradores do assentamento no bairro Ribeirão Verde relataram medo diante da rapidez das chamas e da fumaça intensa. Equipes com caminhão-pipa e bombeiros atuaram para conter o incêndio, que começou por volta do meio-dia.
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Apesar do atual de alerta, o número de ocorrências de queimadas na região de Ribeirão Preto caiu quando comparado ao ano passado. Segundo dados do 9º Grupamento de Bombeiros, que cobre 93 municípios, entre os dias 1º e 9 de setembro foram registrados 253 incêndios em vegetação, contra 331 no mesmo período de 2024.
Em Ribeirão Preto, as ocorrências caíram de 38 para 20. Igarapava registrou apenas um caso em cada ano, enquanto Ituverava teve redução expressiva: de 23 para 2 casos. Não houve vítimas feridas em decorrência das queimadas.
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O cenário, no entanto, segue preocupante. Cidades do interior já enfrentaram, nesta semana, índices de umidade iguais ou até inferiores aos registrados no deserto do Saara, onde os níveis oscilam entre 14% e 20%.
A situação reflete a estiagem prolongada que atinge o estado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), agosto terminou como o mês mais seco na capital paulista desde 2019, com menos da metade da média histórica de chuva. O fenômeno agrava os efeitos da baixa umidade e traz impactos diretos à saúde.
Como mostrou o GLOBO, o cenário de estiagem que paira sobre o interior paulista é, na verdade, o resultado de uma herança climática desfavorável. Segundo Marcely Sondermann, meteorologista da Climatempo, a situação atual foi construída por uma sequência de eventos, incluindo a influência do fenômeno El Niño entre 2023 e 2024 e, principalmente, dois verões consecutivos com chuvas muito irregulares e abaixo da média.
Segundo a meteorologista, o prognóstico para os próximos meses exige cautela, mas aponta para uma melhora gradual. O mês de setembro ainda é considerado crítico, pois as chuvas que começam a retornar são esporádicas. A recuperação do déficit acumulado nos últimos anos será um processo de médio a longo prazo, que dependerá da confirmação das previsões para o próximo verão.