À frente de quatro ministérios no governo Lula e, ao mesmo tempo, com parlamentares e dirigentes abertamente de oposição, União Brasil e PP formalizam hoje a federação que formará as maiores bancadas do Congresso seguindo a mesma tônica que fomentou a aliança: críticas à gestão federal, mas sem abrir mão do espaço ocupado.
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Com 109 deputados, a maior configuração da Câmara, e 14 senadores, o que a deixa no topo do Senado ao lado do PL e PSD, a federação procura ganhar tempo. Juntos, os partidos terão ainda um fundo partidário de R$ 954 milhões, além de seis governadores e 1.343 prefeitos, a maior quantidade entre as legendas.
Apesar de os principais dirigentes do bloco defenderem o apoio a um nome da centro-direita à Presidência em 2026, questões locais, o controle de uma parcela do Orçamento federal e a visibilidade de ministros que pretendem usar os cargos como trampolim para o Senado vão evitar um anúncio de desembarque.
De acordo com dirigentes partidários, não haverá deliberação, e uma decisão sobre entregar ministérios e outros cargos será tomada em outro momento. A tendência, no entanto, é que os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, senador Ciro Nogueira, façam discursos demarcando o alinhamento com a oposição a Lula.
— A priori, não tem previsão de deliberar (sobre entrega de cargos no governo). Mas é absolutamente inevitável que haja decisão ainda este ano. A gente vai esperar a formalização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, depois que homologar, acabou — acrescenta o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente do União Brasil.
O passo na Justiça Eleitoral é o último antes de a federação passar a valer de fato. Enquanto os trâmites burocráticos seguem andando, o União permanece com o deputado licenciado Celso Sabino no Ministério do Turismo, e o PP, com o também deputado licenciado André Fufuca no Ministério do Esporte. Ontem, Fufuca disse que não havia recebido nenhum ultimato para deixar o posto.
Além dos dois, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), costurou acordos para a escolha de Frederico Siqueira no Ministério das Comunicações e de Waldez Góes no Ministério da Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. Sabino, Fufuca e Góes têm intenção de concorrer ao Senado no ano que vem, o que também interessa a Lula diante da estratégia declarada do bolsonarismo de tentar maioria na Casa.
Pelo lado do PP, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL) também negociou cargos com o governo e foi responsável por avalizar o presidente da Caixa, Carlos Vieira, além de encaminhar indicações de partidos do Centrão para as vice-presidências do banco.
A indefinição foi resumida por Alcolumbre ao deixar ontem o Senado:
— Não sei (se a federação fará oposição a Lula). Não podemos prever o futuro.
Integrante da Executiva do União Brasil, o deputado Elmar Nascimento (BA) disse que a decisão sobre entregar os cargos nunca foi discutida formalmente pela cúpula do partidos e declarou que a saída teria que partir dos próprios ministros.
— Eles é que devem fazer juízo de valor. Não estão lá por indicação partidária — afirmou Elmar.
A federação entre União Brasil e PP deve ter seu comando dividido entre Rueda e Ciro em regime de copresidência até o fim do ano. A partir de 2026, o chefe do União deverá assumir a presidência do grupo.
Uma federação obriga os partidos a terem as mesmas posições na eleição presidencial e nos pleitos estaduais e municipais pelo período mínimo de quatro anos. Além disso, durante o mesmo período, terão que agir como uma bancada só na Câmara e no Senado.
No mesmo dia do evento sobre a federação haverá ainda um jantar promovido por Ciro e Rueda que reunirá os principais nomes da oposição ao presidente Lula e de dirigentes de partidos de centro. Foram convidados os presidentes do Republicanos, Marcos Pereira; do PSD, Gilberto Kassab; e do MDB, Baleia Rossi, além de governadores que são apontados como nomes que podem representar a oposição como candidato à Presidência contra o PT no ano que vem.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi convidado para o jantar, é apontado como o nome favorito dos dirigentes da federação União-PP para disputar em 2026 e é visto como alguém que agregaria o maior número de partidos. Outros nomes que se apresentam como opção presidencial, como os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também foram chamados para o encontro.