A Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) afirmou que não foi comunicada previamente pela Polícia Militar sobre a reintegração de posse que retirou, na madrugada deste domingo (11), cerca de 150 estudantes que ocupavam o prédio da administração central da universidade. Em nota, a USP disse ter informado a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a ocupação ainda na quinta-feira, mas sustentou que a desocupação ocorreu “sem comunicação prévia à reitoria”.
Vídeos divulgados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) mostram policiais agredindo alunos durante a desocupação, em uma espécie de “corredor polonês”. Quatro estudantes foram detidos sob suspeita de dano ao patrimônio público e alteração de limites, e já foram liberados.
Em nota, o DCE criticou a operação e afirmou que “dezenas de estudantes” ficaram feridos após o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes por agentes da PM. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que a ação contou com cerca de 50 policiais e foi concluída sem registro oficial de feridos.
Segundo a pasta, toda a operação foi gravada pelas câmeras corporais dos agentes, e as imagens serão anexadas ao inquérito.
A universidade lamentou os episódios de violência e declarou repudiar que “a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias”. A gestão afirmou ainda que seguirá atuando para “a pacificação do ambiente universitário”.
Entre as principais reivindicações dos estudantes está o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente paga benefícios de R$ 335 para alunos residentes em moradia estudantil e de R$ 885 no auxílio integral.
A USP propôs uma correção baseada no IPC-Fipe, elevando os valores para R$ 340 e R$ 912, respectivamente. O movimento estudantil, porém, considera o aumento insuficiente e defende que o auxílio seja equiparado ao salário mínimo paulista, hoje em R$ 1.804.
Sobre as reivindicações dos estudantes, a reitoria disse ter mantido diálogo com o movimento estudantil, mas alegou que as negociações chegaram a um limite diante da impossibilidade de atender parte das demandas apresentadas. Segundo a USP, a administração permanece aberta a “um novo ciclo de diálogo”, desde que seja garantido o direito de circulação nos espaços da universidade.

