
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai atuar para devolver ao jogador Richarlison um terreno na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que é alvo de uma batalha jurídica entre o atleta e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi dada no Rio de Janeiro, antes do ato de campanha realizado em Copacabana, na véspera da eleição.
Lula criticou a celeridade do trâmite do processo no órgão do governo em comparação com o pedido feito pela equipe do atacante e questionou a conduta de Flávio Bolsonaro durante o debate presidencial na TV Globo.
— Nós vamos brigar para tomar a ilha do tal Willer Tomaz e do Flávio Bolsonaro que roubaram do ‘pai do bebê’ (apelido de Richarlison na internet), que roubaram do povo, que roubaram de um dos jogadores da seleção brasileira, roubaram o terreno. Então nós vamos trabalhar para tentar devolver esse terreno a seu verdadeiro dono — disse.
A Polícia Federal (PF) começou a apurar as circunstâncias da disputa por uma mansão na Ilha Comprida. O atacante acusa o parlamentar e o advogado de terem atuado para retirar dele a posse do imóvel, no qual afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões. Um dos pontos que motivaram os questionamentos públicos sobre o episódio é a atuação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), responsável pela regularização dos direitos de ocupação da área, que pertence ao governo federal. No discurso antes do ato no Rio, Lula insinuou favorecimento do aliado do oponente no órgão.
— Ontem [no debate da TV Globo] quando eu perguntei para o Flávio se o coronel que está no SPU era amigo dele, ele não teve coragem de dizer. Eu não sei se vocês acompanharam, o nosso “pai do bebê” ficou mais de um ano esperando o SPU tomar a decisão. O amigo do Flávio, em uma semana, ele conseguiu o título que a pessoa [Richarllison] conseguiu em um ano — destacou.
Agora uma coisa que eu vou me empenhar, se preparem com essa mulher aqui [não sei quem é], nós vamos, nós vamos brigar para tomar a ilha do tal Willer Tomaz e do Flávio Bolsonaro que roubaram do ‘pai do bebê’, que roubaram do povo, que roubaram de um dos jogadores da seleção brasileira, roubaram o terreno. Então nós vamos trabalhar para tentar devolver esse terreno a seu verdadeiro dono. Ontem quando eu perguntei para o Flávio se o coronel que está no SPU era amigo dele, ele não teve coragem de dizer, eu não sei se vocês acompanharam, o nosso pai do bebê ficou mais de um ano esperando o SPU tomar a decisão. O amigo do Flávio, numa semana, ele conseguiu o título que a pessoa [Richarllison] conseguiu em um ano.
No penúltimo ato da campanha presidencial, em Copacabana, Zona Sul do Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa, e afirmou que os oponentes de eleições anteriores tinham um “nível superior”. Antes de percorrer a orla com aliados e cumprimentar eleitores de cima de uma caminhonete decorada com a bandeira do Brasil, o petista disse ter ficado impressionado com a “desfaçatez” do rival durante a corrida ao Planalto.
Caso Ana Clara, disputa por ilha, ‘nove dedos’: o debate da TV Globo entre Flávio Bolsonaro e Lula em oito pontos
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— Eu que já tinha disputado eleições com tanta gente, com o Ulisses Guimarães, com o [Leonel] Brizola, com o Mário Covas, já tinha disputado com o Fernando Henrique Cardoso, já tinha disputado com o [José] Serra, com o [Geraldo] Alckmin, ou seja, tanta gente importante da política brasileira e dessa vez eu tive que disputar eleição com uma pessoa que não é uma pessoa, é uma mentira. Eu nunca vi ninguém com uma desfaçatez e com nenhum comprometimento com a verdade como o meu adversário — afirmou Lula.
O presidente também acusou Flávio de mentir repetidamente e questionou se o Brasil merece ter um candidato com o perfil do senador.
— Ninguém é obrigado a votar em nenhum candidato, a pessoa vota em quem quiser. Agora, a única coisa que nós temos que convencer a sociedade brasileira é que eles [os eleitores] não podem levar um miliciano para dentro do palácio — disse Lula, sem apresentar provas para sustentar a acusação.
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O petista demonstrou confiança na virada, depois de ficar atrás do oponente no primeiro turno, por 47% a 45% dos votos válidos. Ele afirmou que espera ser eleito presidente neste domingo e se referiu a um dos motes de campanha de Flávio, de que o povo tem votado por “mudança”.
— É verdade que o povo quer mudança. Mas mudança para melhor. Mudança para frente. Não podemos esquecer o que aconteceu no mandato dessa gente nesse país — declarou, em referência à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. — Eu estou muito otimista.
Apoiador de Lula segura cartaz que chama Flávio Bolsonaro de miliciano durante ato em Copacabana, no Rio
Lívia Nani/Agência O Globo
Ao encerrar o discurso, Lula agradeceu o trabalho dos militantes petistas na campanha pelo segundo turno e destacou a mobilização em torno de sua candidatura.
— Temos um exército de democratas — afirmou ele, que mais cedo participou da live do deputado federal reeleito André Janones (Avante), responsável pela mobilização no canal do WhatsApp “Exército do Lula”.
Manifestação em apoio a Lula em Copacabana – O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de uma caminhada na orla da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Marcia Foletto / Agência O Globo
Milhares de apoiadores se reuniram desde cedo em Copacabana para acompanhar o ato. Intitulado “Brasil pronto pra Mais”, o evento reúne parlamentares e lideranças políticas e sociais, além de representantes regionais e nacionais. O candidato à reeleição balançou uma bandeira do Brasil e acenou para a militância de cima de uma caminhonete, onde também estavam lideranças políticas do estado, como o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) e a deputada federal Benedita da Silva (PT), que concorreram a cargos eletivos na chapa do petista, mas não se elegeram.
De boné vermelho, Lula pulou e cumprimentou apoiadores e outros aliados que passam pela plateia no mesmo comboio, como o atual prefeito da capital, Eduardo Cavaliere (PSD); o prefeito da cidade vizinha Niterói, Rodrigo Neves (PDT); e a primeira-dama, Janja da Silva.
O caso Ana Clara — citado por Lula no debate da Globo, na noite de sexta-feira — é um dos temas que mais mobiliza a militância, assim como a referência pejorativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos “nove dedos” do adversário.
Manifestação em apoio a Lula em Copacabana
Guito Moreto / Agência O Globo
A estudante Marcelle Peçanha, de 19 anos, que compareceu ao ato acompanhada da mãe, Fabiana Peçanha, de 47 anos, dona de casa. Fabiana segurava um cartaz feito pela filha com a mensagem: “Meu voto é pela menina Ana Clara. Digite no Google: caso Ana Clara Flavio Bolsonaro”.
— Não é possível alguém se candidatar a presidente defendendo um assassino de uma criança de cinco anos. Eu quero justiça pela Ana Clara — disse Marcelle.
Outra apoiadora levou às ruas um cartaz com referência aos “nove dedos” de Lula, citados por Flávio durante o debate na TV quando se referia ao valor do salário mínimo. O candidato à reeleição criticou a fala do rival pelo teor capacitista e lembrou do acidente de trabalho que o fez perder o dedo. “Somos todos 9 dedos. Mãos limpas”, destacou a militante no ato.
Manifestação em apoio a Lula em Copacabana
Marcia Foletto / Agência O Globo
Entre os aliados do presidente que participam do evento nesta manhã, estão ainda o vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), e o coordenador da campanha Camilo Santana. Os deputados federais eleitos pelo Rio Marcelo Freixo (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Daniel Soranz (PSD) também marcaram presença no ato.
Nas areias de Copacabana, apoiadores estenderam uma faixa que insinua ameaças da campanha adversária às riquezas naturais do país. “Não entregaremos nossas praias”, afirma a mensagem.
A concentração começou às 9h, no Posto 5, na Avenida Atlântica, com a presença de apoiadores e um carro de som. Lula chegou ao local por volta das 9h40.
A caminhada tem início marcado para 10h, com Lula percorrendo o trajeto na parte traseira descoberta de uma picape de grande porte, adaptada para manter o presidente visível ao público durante o deslocamento. Uma bandeira do Brasil está posicionada sobre o capô do veículo.
Enquanto apoiadores e aliados de Lula percorriam Copacabana, o deputado federal André Janones (Avante-MG) conduzia uma transmissão ao vivo no perfil oficial do petista, a “Live da Virada”. O parlamentar mobilizou a militância no espaço digital no segundo turno e conseguiu reunir mais de 10 milhões de pessoas no canal do WhatsApp “Exército do Lula”, que chegou a ser suspenso em meio a uma série de decisões conflitantes entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento da ferramenta.
Flávio Bolsonaro reúne apoiadores em Minas Gerais
Na última tentativa de mobilizar o eleitorado mineiro antes do segundo turno, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participa neste sábado de um ato em Belo Horizonte, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). A programação inclui uma motociata pelas ruas da capital e um discurso do senador na Praça da Liberdade, onde apoiadores começaram a se reunir pela manhã.
O encontro deve marcar a primeira participação conjunta de Flávio e Cleitinho em um ato de campanha nesta eleição. A presença neste sábado reforça a tentativa de reunir as principais lideranças da direita mineira em torno da candidatura presidencial na reta final da disputa contra Lula.
Por volta de 9h50, Flávio decolou do Rio rumo ao evento, acompanhado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A partir das 14h, será a vez de Flávio ir ao Rio para uma agenda semelhante na Zona Oeste da capital fluminense.
Lula, à tarde, seguirá para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde também fará uma caminhada. Os eventos encerram a mobilização dos candidatos antes da votação deste domingo (25).
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Flávio com 48% das intenções de voto no Sudeste, contra 39% de Lula. No cenário nacional, porém, os candidatos aparecem tecnicamente empatados: o senador tem 45%, ante 44% do presidente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que ajuda a explicar a escolha dos estados para os últimos atos de campanha.
As duas campanhas também tentam reduzir a abstenção, que chegou a 21,08% no país no primeiro turno. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Guarulhos e Campinas somaram 4,3 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 13% do total nacional. No Rio, a taxa foi de 23,32%.
Aliados de Lula buscam ampliar a mobilização no Sudeste e estimular a participação de eleitores com mais de 70 anos. Já Flávio tem pedido que apoiadores convoquem familiares, amigos e vizinhos para votar.
Segundo as regras da Justiça Eleitoral, caminhadas, passeatas e carreatas, com ou sem carros de som, podem ocorrer até as 22h deste sábado. O mesmo prazo vale para a distribuição de material gráfico, como santinhos e folhetos, e para a fixação de wind banners.
Depois desse horário, essas atividades ficam proibidas. No domingo, a propaganda eleitoral paga na internet não pode ser impulsionada, e novos conteúdos de propaganda eleitoral não podem ser publicados. Conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial também estão sujeitos à proibição de veiculação no período que vai de 72 horas antes da votação até 24 horas após o encerramento do pleito.