O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, morreu neste domingo, aos 93 anos. A morte do cartunista, um dos fundadores do Pasquim, jornal satírico que enfrentou a ditadura militar, foi confirmada ao GLOBO pela viúva, Celia Regina Pierantoni.
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“Tive uma vidinha boa. Não me aprofundava em meditações, ia vivendo o momento”, disse Jaguar no mês passado, durante as comemorações do centenário do GLOBO, acrescentando que ainda seguia a mesma filosofia. “Não planejo o futuro nem lamento nada do que fiz.”
O GLOBO selecionou algumas das muitas criações do artista. Veja abaixo:
Em fevereiro de 2017, Jaguar, então aos 84 anos, doou, como publicado na coluna de Ancelmo Gois, uma charge para o movimento “Uerj na luta” usar em camisetas. A relação do cartunista com a instituição vinha da mulher, Célia Regina Pierantoni, que é professora da universidade.
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Em outra contribuição para a coluna, Jaguar fez uma charge para brincar com o tradicional pós-Carnaval do Rio.
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Em entrevista ao GLOBO em 2014, Jaguar afirmou que o “humor não serve mais para nada”. Ele mesmo fez um registro, em charge (acima), daquela conversa.
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Jaguar fez uma homenagem, em 2009, ao garçom Vieira, que trabalhava no Café Lamas, no Flamengo, Zona Sul do Rio.
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O chargista também prestou homenagem a Tânia Scher (que morreu em 2008, em decorrência de problemas no fígado), que, como contou Joaquim Ferreira dos Santos em sua coluna na ocasião, “estava sempre dentro da fossa”.
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O ratinho Sig (acima) era um dos principais personagens criados por Jaguar para serem publicados no Pasquim.
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Carioca nascido em 29 de fevereiro de 1932, Jaguar começou sua carreira desenhando para revista Manchete em 1952. Adotou seu famoso pseudônimo por sugestão do cartunista Borjalo. À época, Jaguar trabalhava no Banco Brasil, subordinado ao cronista Sérgio Porto, que o convenceu a não abandonar o emprego para se dedicar exclusivamente à carreira no humor.
Nos anos 1960, Jaguar se consagrou como um dos principais cartunistas da revista Senhor e colaborou também para a Revista Civilização Brasileira, a Revista da Semana, a Pif-Paf e os jornais Última Hora e Tribuna da Imprensa. Em 1968, lançou seu primeiro livro, “Átila, você é bárbaro”, um sucesso instantâneo, que, com ironia, combatia o preconceito, a ignorância e a violência. “Comparado com os vândalos de hoje, Átila não passa de um doce bárbaro”, afirmou o autor. O cronista Paulo Mendes Campos descreveu a obra como “um livro de poemas gráficos”.
Ao lado de Tarso de Castro e Sérgio Cabral, fundou o Pasquim em 1969. Irreverente e combativo, o jornal marcou a imprensa alternativa que floresceu à sombra ditadura militar e congregou alguns dos maiores expoentes do jornalismo e das artes brasileiras, como Millôr Fernandes e Ziraldo, Henfil, Pauloi Francis e Sérgio Augusto.
Jaguar batizou o jornal e desenhou o símbolo do Pasquim, o ratinho sacana Sig (de Sigmund Freud), inspirado numa piada que arrancava risadas à época: “se Deus havia criado o sexo, Freud criou a sacanagem”. O cartunista foi único da equipe original a permanecer no semanário até a última edição, em novembro de 1991. No ano anterior, a turma do Pasquim havia sido homenageada pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz com o enredo “Os heróis da resistência”.