Após anunciar em abril ‘tarifas recíprocas” para produtos estrangeiros importados de todos os países pelos americanos e adiar a implementação das taxas por 90 dias para negociações entre as nações afetadas e os Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou que já foram fechados acordos com alguns de seus parceiros comerciais.
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No caso do Brasil, não há previsão para o início das conversações. As autoridades brasileiras ainda esperam uma resposta a uma carta enviada aos EUA em 16 de maio deste ano. Diante da demora, o governo Lula está prevendo que as novas sobretaxas sobre as importações realizadas pelos Estados Unidos vão mesmo entrar em vigor a partir de 1º de agosto — o Brasil ficou com a mais alta taxa, de 50% .
Os casos de acordos mais recentes, anunciados por Trump na terça-feira, são da União Europeia, do Japão e das Filipinas. Além desses países, a Casa Branca já fechou acertos comerciais com Reino Unido, Vietnã e Indonésia. Também ficou estabelecido um acordo preliminar com a China.
Em todos eles, no entanto, foram acertadas tarifas menores do que as ameaçadas inicialmente pelo republicano, mas em boa parte desses acordos houve contrapartidas, com Trump obtendo o compromisso de investimentos por parte de seus parceiros, como parte de sua promessa de restaurar a grandeza dos EUA, conforme preconiza em sua famosa frase ‘Make America Great Again’ ao prometer restaurar a grandeza dos Estados Unidos.
Confira detalhes dos acordos fechados até agora por Trump. O prazo para alcançar acordos tarifários imposto pelo republicano é 1º de agosto.
O mais recente acordo foi fechado na tarde deste domingo com a União Europeia. O presidente Donald Trump anunciou no domingo que os Estados Unidos e o bloco econômico chegaram a um acordo preliminar para um tratado comercial após conversas com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Turnberry, na Escócia.
Trump chamou isso de “o maior acordo de todos os tempos”, enquanto von der Leyen disse que a União Europeia concordou com tarifas de 15% em todos os setores. Os detalhes do acordo ainda estão sendo confirmados.
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Trump afirmou ter fechado um acordo comercial com o Japão, no qual o país asiático irá investir US$ 550 bilhões nos EUA, que receberão 90% dos lucros. As tarifas sobre importações japonesas serão fixadas em 15%, abaixo dos 25% anunciados pelo presidente americano no início do mês.
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Em uma postagem publicada na Truth Social, classificou o acordo com o Japão de gigantesco, ”talvez o maior já feito”.
De acordo com o presidente americano, o pacto prevê que o Japão abra seu mercado a produtos americanos, incluindo carros e caminhões, arroz e alguns outros produtos agrícolas. Ele, no entanto, não forneceu maiores detalhes.
A postagem de Trump não mencionou a redução das tarifas sobre os automóveis japoneses, que representam mais de um quarto das exportações do Japão para os EUA — e estão sujeitos a uma tarifa de 25%.
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No dia 8 de maio, os EUA anunciaram o primeiro acordo comercial desde que foi anunciado o tarifaço de Trump em 2 de abril, chamado de ‘Dia da Libertação’. Pelo acerto, as montadoras britânicas terão cota de 100 mil carros sob uma tarifa de 10% — em vez de 25% que Trump havia imposto. Além dos carros, foi acertada a redução de tarifas em aço, etanol e carne. A tarifa base passou a ser de 10%.
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Em 12 de maio, EUA e China anunciam acordo parcial para suspender tarifas por 90 dias, com o objetivo de reduzir as tensões iniciadas com o começo do governo de Donald Trump, que culminou em uma escalada tarifária a partir de 2 de abril. Esse prazo expira em 12 de agosto.
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Nesse período, Pequim concordou reduzir os tributos sobre produtos dos EUA de 125% para 10% por 90 dias, enquanto Washington diminuiu as tarifas de 145% para 30%. Acordo não abrange tarifas setoriais, como sobre aço, alumínio e carros elétricos.
No entanto, a pausa nas tarifas aplicadas reciprocamente entre a China e os Estados Unidos pode se prolongar por três meses para dar tempo às negociações de um acordo bilateral, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Segundo ele, as negociações com Pequim avançam e próximas reuniões tratarão de temas como importação de petróleo iraniano e russo.
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Os EUA fecharam um acordo comercial com as Filipinas para a aplicação de tarifas de 19% sobre produtos originários do arquipélago, o mesmo nível acordado com a Indonésia e um ponto percentual abaixo do nível de referência de 20% acertado com o Vietnã. As Filipinas estão entre dezenas de nações às quais Trump enviou cartas neste mês advertindo sobre novas tarifas a partir de 1º de agosto.
A taxa de 19% é superior aos 17% com os quais o país asiático havia sido ameaçado em abril, quando Trump anunciou tarifas que depois foram congeladas para permitir negociações caso a caso.
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No dia 15 deste mês, Trump afirmou ter fechado um acordo com a Indonésia, integrante do Brics, segundo o qual os produtos do país asiático enfrentarão uma tarifa de 19% para ingressar no mercado americano. Já as exportações americanas não serão taxadas na Indonésia.
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O pacto com o país asiático — que estava sob ameaça de uma tarifa de 32% desde o anúncio das tarifas recíprocas em abril — seria o primeiro firmado com um país alvo das cartas enviadas este mês pelo presidente americano.
Segundo Trump, a Indonésia também concordou em comprar US$ 15 bilhões em energia dos EUA, US$ 4,5 bilhões em produtos agrícolas americanos e 50 jatos da Boeing, “muitos deles modelos 777”, conforme publicou posteriormente em suas redes sociais. Além disso, Trump afirmou que o país asiático — um importante produtor de minerais como cobre, cobalto e níquel — fornecerá aos Estados Unidos ”seus valiosos minerais críticos”.
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O acordo fechado com o Vietnã estabelece uma tarifa de pelo menos 20% sobre as exportações vietnamitas para os Estados Unidos. O acordo aumentará consideravelmente o preço dos calçados e roupas que o país do sudeste asiático exporta maciçamente para os EUA. Mas foi o preço que Hanói teve que pagar para evitar a ameaça de uma tarifa ainda maior, de 46%. O país abriga fábricas de tênis de grandes marcas globais.
Em troca, o Vietnã abrirá seu mercado aos Estados Unidos , o que significa que os EUA poderão vender seus produtos no país asiático sem tarifas, o que, segundo Trump, ”’será uma grande oportunidade para os veículos SUVs”. Os EUA são o principal mercado de exportação do Vietnã, com 57 bilhões de dólares (R$ 310,6 bilhões) em vendas nos primeiros cinco meses de 2025.