O trio de amigos Vicente Conculini, Miguel Silio e Yamandu Martinez saíram de bicicleta da cidade de Gualeguaychú, na Argentina, no dia 16 de agosto de 2025 e chegaram ao Kansas nesta terça-feira (2), percorrendo mais de 17 mil quilômetros. A cidade americana é onde a Argentina faz a sua estreia na competição no dia 16 de junho, contra a Argélia, e os argentinos irão acompanhar a partida.
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O trio foi recebido com festa na cidade, a prefeitura publicou o vídeo de chegada dos viajantes sendo recebidos por outros torcedores que empunhavam bandeiras do país. Mas eles consideram que a grande curtição da viagem foi conhecer um pouquinho dos 17 países pelos quais passaram nestes 10 meses de viagem.
— Nós três adoramos viajar, e o ciclismo oferece um ritmo único e mais lento, permitindo que você se desconecte do ritmo frenético da vida cotidiana e se conecte com a jornada, o percurso, a vida selvagem, as plantas… Pode-se dizer que você viaja com todos os cinco sentidos, testando seus limites físicos e mentais a cada dia e aproveitando a própria jornada quando chega ao seu destino por conta própria — resume Vicente Conculini, ao O GLOBO.
O trio passou por Guatemala, Honduras, Costa Rica, Panamá, Equador, Peru, Brasil, El Salvador, Belice, México, Nicarágua, Colômbia, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Estados Unidos, além da própria Argentina.
Nas redes sociais, eles fizeram diários de bordo ricamente ilustrados, onde mostravam experiências vividas na estrada e por onde visitavam. Eles fizeram fotos e vídeos sobre a marca da Linha do Equador, no Equador. Na Bolívia, cruzaram de bicicleta o famoso Salar de Uyuni, onde turistas costumam capturar imagens deslumbrantes.
— Uma das motivações para esta viagem é, claro, apoiar a seleção, mas isso é só a cereja do bolo. O importante da viagem é o caminho; já visitamos 16 países, com o México, e só nos resta o último: os Estados Unidos, onde a Argentina joga, em Kansas City — explica Vicente.
Mas também mostraram os perrengues, como reparos emergenciais que precisaram fazer nas bicicletas ao longo do percurso. Em determinado momento, um arame segurou uma parte da estrutura do veículo, que dias depois foi soldado devidamente.
Os ciclistas estão acostumados a longos percursos de bicicleta. Miguel já participou de dois Campeonatos Mundiais de Ciclismo: de Madri à Rússia e de Madri ao Catar. Na última, que durou cerca de 7 mil quilômetros, Yamandu também o acompanhou. Já os três reunidos haviam pedalado de Gualeguaychú, que fica 248 km ao norte de Buenos Aires, até Cusco, no Peru, em 2019.
O viajante conta que é difícil ter tempo na vida para fazer algo tão radical e longo. Mas eles se apoiam no velho lema de que só se vive uma vez.
— É difícil fazer uma viagem como esta porque você precisa de tempo e boa saúde, e hoje em dia é muito difícil se desligar do trabalho, da família ou da rotina. Mas acho que a pandemia me ensinou uma lição importante, e acredito que tenha ensinado muitas pessoas também: a vida é curta e você precisa aproveitá-la ao máximo todos os dias, porque ela pode ser fugaz, dependendo de como você a encara. Passa muito rápido, e viajar enriquece a alma e expande a mente de muitas maneiras. Viajar de ônibus ou avião seria mais fácil e barato (risos), mas atravessar todo o continente e terminar a viagem na Copa do Mundo não tem preço — completa Vicente.
O plano dos torcedores agora é encontrar os jogadores. Em um dos vídeos que fizeram pelos 17 países que passaram, eles avisam a Messi que estão chegando. Ao longo do caminho, eles fizeram fama pela ousadia e veículos de imprensa de diferentes países publicaram sobre a jornada do trio.
Em algumas das publicações, o meia Enzo Fernández, do Chelsea, respondeu aos torcedores.
“O que fazer para conhecer a seleção argentina. Bom, agora precisamos da ajuda de vocês. Comentem este vídeo (marcando os jogadores) e é capaz que nos convidem para a concentração”, disseram os viajantes em uma das publicações.

