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Um “super assistente” que integra o ChatGPT a qualquer lugar da internet, seja o e-mail ou um site de compras. É mais ou menos assim que a OpenAI definiu o Atlas, navegador com inteligência artificial lançado na semana passada.
A proposta é que o usuário converse com o navegador, que usa IA para interagir com as páginas. Essa é também a mais nova investida da empresa liderada por Sam Altman para tentar abocanhar uma parte dos mercados dominados pelo Google – dessa vez, tendo o Chrome como alvo.
Desde os pioneiros como o Netscape e o Internet Explorer, os navegadores funcionam como a porta de entrada da web. São esses programas que permitem o acesso, interpretação e exibição de páginas, e que traduzem códigos e links em plataformas navegáveis.
Com o tempo, ser esse ponto de acesso tornou-se estratégico na economia online. O grande exemplo disso é o próprio Chrome, que há mais de dez anos domina o mercado. É com ele que o Google coleta dados mais detalhados sobre navegação dos usuários e, assim, impulsiona seu negócio bilionário de publicidade.
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O Atlas marca a investida da criadora do ChatGPT nessa camada da internet – o que não significa que ela terá sucesso. Mas, para além da disputa mercadológica, o que significa para o usuário ter a IA como um navegador? E será que ele funciona mesmo? Nós testamos e contamos tudo sobre mais essa empreitada da OpenAI.
Lançado na última terça-feira, o Atlas está disponível por enquanto apenas para macOS, o sistema operacional de computadores da Apple. As versões para Windows, iOS e Android ainda “estão a caminho”, segundo a OpenAI, que não divulgou quando irá ampliar o acesso.
O navegador é gratuito. Algumas funcionalidades, no entanto, são exclusivas para quem assina os planos pagos do ChatGPT. Esse é o caso do modo “agente”, que permite que o sistema execute tarefas mais elaboradas em páginas da internet – como fazer as compras do mercado por você.
Ao abrir o navegador, o usuário encontra de cara a aba de conversa da IA com a mensagem: “Pergunte ao ChatGPT ou digite uma URL”. Pela caixa de diálogo é possível fazer consultas por voz, anexar arquivos ou criar uma imagem (as mesmas funcionalidades do ChatGPT).
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Há, no entanto, funções específicas no Atlas. Uma delas é a chamada de “Buscar em abas” – o que significa que a IA acessa as abas abertas e pode responder a pedidos com base nelas. O Atlas também traz uma “memória do navegador”, que registra as páginas acessadas e pode recuperar o histórico – reabrir abas ou resgatar informações já pesquisadas.
A questão principal do Atlas, no entanto, é a onipresença do ChatGPT durante toda a experiência de navegação: a IA está o tempo todo disponível como uma aba lateral, seja para resumir um PDF ou revisar um e-mail.
2. Testamos: como é navegar com o ChatGPT integrado
Na prática, a integração do ChatGPT faz com que o Atlas “enxerge” o conteúdo acessado pelo usuário e dialogue a partir disso. Ao acessar um site de notícias, por exemplo, a IA pode organizar nessa aba quais são as principais chamadas e resumir as informações. A mesma lógica vale para as dicas de um blog de viagem ou a busca de um dado em um PDF, por exemplo.
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Essa integração também funciona para além do texto. No YouTube, por exemplo, foi possível abrir um vídeo e pedir um resumo do conteúdo com a minutagem. Em páginas protegidas por “paywall”, a IA tende a dizer que “não pode acessar o conteúdo”.
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Outra funcionalidade é interação direta com os aplicativos como o email ou Google Docs. O Atlas foi bem, por exemplo, ao traduzir do português para o inglês um e-mail simples, diretamente da caixa de envio. Para isso, basta selecionar o texto – o símbolo do ChatGPT aparece no canto, com uma caixa de conversa.
Ainda no e-mail, é possível pedir para a IA pesquisar mensagens. No Google Docs, no entanto, os resultados foram inconsistentes – nas primeiras tentativas, o recurso simplesmente não conseguiu responder com base no trecho selecionado. Só em um terceiro pedido ele conseguiu revisar o parágrafo certo.
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No caso do agente, a funcionalidade é parecida com a que já existe no ChatGPT, mas agora integrada ao navegador. Ao pedir uma pesquisa sobre um produto em uma plataforma de e-commerce, a IA levou alguns minutos para chegar até a opção, mas atendeu ao pedido.
O agente pode ser interessante, por exemplo, para pesquisas que envolvem acessos a múltiplos sites. O recurso, no entanto, ainda demora para executar algumas tarefas simples – como enviar um e-mail sozinho ou fechar uma compra (veja aqui).
3. Privacidade e o que vem no pacote
Com um navegador próprio, a OpenAI amplia o uso do ChatGPT e passa a acessar um ativo valioso: os dados de navegação. Esse é um passo essencial caso, no futuro, a empresa decida ter um modelo de monetização que inclua a publicidade.
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Mas o acesso amplo ao que o usuário vê, escreve e navega também levanta preocupações. No Atlas, o ChatGPT lê o conteúdo das páginas abertas, interagir com campos de texto e guardar contexto de navegação — dados que, embora úteis para personalização, tocam em zonas sensíveis de privacidade.
A OpenAI afirma que a “memória” do navegador é opcional e pode ser desativada a qualquer momento, assim como o histórico de navegação (para fazer isso, é preciso acessar as configurações para desativar essas opções). É possível também limitar o que o ChatGPT acessa, abrir janelas anônimas e apagar registros de forma manual.
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A novidade ainda pode aquecer o conflito entre a OpenAI e produtores de conteúdo que alegam acesso indevido da IA.
No caso dos agentes, há ainda preocupações de segurança. Entre eles, o risco de vazamento de dados e de ataques por meio de sites maliciosos que “confundam” a IA de forma proposital. O perigo aumenta no caso de acessos liberados por login. Segundo a OpenAI, o agente tem restrições operacionais para garantir segurança (não pode executar código, instalar extensões ou acessar o sistema de arquivos). Para ser ativada, a navegação autônoma depende da autorização do usuário.

