A partir do dia 1º de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve impor uma nova rodada de tarifas sobre importações de vários países, incluindo o Brasil, com alíquotas que podem chegar a 50%. Essas medidas se somam às tarifas que a Casa Branca já anunciou para determinados setores e outras nações ou acertou por meio de acordos comerciais recentes.
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Enquanto alguns países já firmaram acordos para atenuar o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, outros ainda correm contra o tempo para evitar aumentos nas taxações. É o caso do Brasil.
Veja no infográfico abaixo as principais mudanças tarifárias que os EUA devem aplicar aos seus parceiros comerciais.
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Em 8 de maio, Donald Trump, firmou um acordo com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, impondo uma tarifa de 10% sobre produtos do Reino Unido. Também foi estabelecida uma cota de 100 mil carros britânicos sujeitos à mesma alíquota: valor inferior aos 25% anunciados anteriormente. Já as tarifas sobre o aço, uma das principais preocupações do governo britânico, foram zeradas.
Como contrapartida, o Reino Unido se comprometeu a reduzir barreiras não tarifárias para produtos americanos. Além disso, os EUA ampliarão suas exportações de etanol em US$ 700 milhões e de outros produtos agrícolas, como carne bovina, em US$ 250 milhões ao mercado britânico.
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Em 15 de julho, a Indonésia, integrante dos Brics e maior economia do Sudeste Asiático, assinou um acordo com os EUA para reduzir tarifas comerciais. As taxas americanas sobre produtos indonésios caíram de 32%, como anunciado em abril, para 19%.
Em troca, o país asiático se comprometeu a zerar tarifas sobre mais de 99% de seu comércio com os Estados Unidos e a eliminar barreiras não tarifárias. Isso inclui aceitar regulamentações americanas sobre produtos e comércio, abrir mão de tarifas sobre fluxos de dados na internet, apoiar a moratória da OMC sobre a taxação do comércio eletrônico, suspender restrições à exportação de minerais críticos e isentar empresas americanas de exigências de conteúdo local.
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Além disso, a Indonésia concordou em comprar US$ 15 bilhões em energia dos EUA, US$ 4,5 bilhões em produtos agrícolas e 50 jatos da Boeing — “muitos deles modelos 777”, segundo Trump publicou nas redes sociais.
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Em 22 de julho, EUA e Japão assinaram um acordo comercial que reduziu de 24% para 15% as tarifas americanas sobre produtos japoneses.
Como contrapartida, o Japão concordou em abrir seu mercado para carros e arroz dos EUA, além de investir US$ 500 bilhões em solo americano. O país também firmou parceria para a produção de gás natural liquefeito (GNL) no Alasca.
Três dias depois, em 25 de julho, o governo japonês anunciou que os lucros desses investimentos serão compartilhados conforme a participação de cada parte. Segundo Trump, a divisão será de 90% para os EUA e 10% para o Japão.
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Em 27 de julho, Trump anunciou um acordo preliminar com a União Europeia para um futuro tratado comercial, após encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Turnberry, na Escócia. O presidente classificou o acerto como “o maior acordo de todos os tempos”.
Segundo von der Leyen, o bloco europeu aceitou tarifas de 15% em quase todos os setores, com exceção de produtos farmacêuticos e semicondutores, que ainda poderão ser alvo de tarifas punitivas.
Em troca, a União Europeia se comprometeu a gastar mais de US$ 250 bilhões por ano na compra de GNL e combustíveis nucleares americanos, além de investir cerca de US$ 600 bilhões nos EUA e adquirir equipamentos militares produzidos no país.
Ex-adversários na guerra, Estados Unidos e Vietnã assinaram um acordo em 2 de julho, no contexto da chamada “Guerra Tarifária”. Pelo compromisso, Washington reduzirá de 40% para 20% a tarifa sobre exportações vietnamitas, mantendo a alíquota mais alta apenas para produtos classificados como transbordo: aqueles oriundos de outros países que apenas transitam pelo Vietnã.
Em troca, Trump anunciou que o país asiático dará “acesso total” ao mercado vietnamita para produtos americanos, ou seja, sem incidência de tarifas.
Outro acordo envolveu as Filipinas, ex-colônia dos EUA. O país conseguiu a redução das tarifas americanas de 20% para 19% sobre seus produtos. Como contrapartida, o governo filipino se comprometeu a zerar todas as tarifas aplicadas a produtos dos Estados Unidos, segundo declaração de Trump nas redes sociais.
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Em 9 de julho, Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, imposta de forma unilateral. O governo americano também iniciou uma investigação formal contra o Brasil por práticas comerciais consideradas desleais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O presidente afirmou ainda que qualquer retaliação do Brasil resultará em novas tarifas, proporcionais à taxa de 50%. A decisão foi comunicada por meio de uma carta publicada na rede Truth Social, na qual Trump criticou duramente o governo brasileiro pelo tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado político.
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Parceiros comerciais históricos dos EUA, Canadá e México também podem enfrentar novas tarifas a partir de 1º de agosto. Os percentuais seriam de 35% para produtos canadenses e 30% para mexicanos que não estejam contemplados pelo Acordo EUA-México-Canadá (USMCA).
Segundo autoridades da Casa Branca, a decisão ainda não está finalizada. Trump havia anunciado em fevereiro uma tarifa de 25% sobre todas as importações desses países, sob o argumento de que não colaboraram suficientemente no combate ao tráfico de fentanil. Após críticas internas e internacionais, o presidente recuou e passou a isentar itens cobertos pelo USMCA.
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No início de julho, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos sul-coreanos, mesmo com o país sendo um aliado próximo. A decisão veio após a resistência da Coreia em oferecer concessões comerciais, principalmente nas áreas de carros, aço e eletrônicos — setores alvo das tarifas americanas.
Além disso, o país havia passado por eleições recentes, o que limitou sua capacidade de negociação. Em resposta, o gabinete presidencial coreano afirmou que apresentará nesta semana um pacote comercial “mutuamente aceitável”, incluindo cooperação em construção naval e esforços para reduzir as tarifas atualmente em vigor.
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Os Estados Unidos estabeleceram uma tarifa básica de 30% sobre importações da China, conforme acordo firmado em maio, que recuou, ao menos por enquanto, de uma escalada tarifária prejudicial entre as duas potências. Embora outras tarifas ainda podem ser aplicadas a produtos chineses.
O prazo para expiração da tarifa atual é 12 de agosto, mas autoridades americanas indicaram que podem prorrogá-lo, à medida que as negociações continuam. Trump afirmou que as tarifas podem voltar a subir caso não haja um novo acordo. No entanto, sinalizou que o aumento seria inferior à alíquota de 145% que o governo americano chegou a aplicar em abril, no auge da escalada de retaliações entre os países.