O candidato ao governo do Rio pelo Republicanos, Anthony Garotinho, foi entrevistado nesta quinta-feira pelo GLOBO, Extra, Valor e CBN. Conduzida pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende; pelo editor de Política dos jornais GLOBO e Extra, Thiago Prado; pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do Valor no Rio, a entrevista começou às 10h30 e teve 1h30 de duração.
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A série foi aberta na terça-feira com o deputado estadual Douglas Ruas (PL). Já William Siri (PSOL) foi sabatinado na quarta-feira. Eduardo Paes (PSD) fecha a programação, nesta sexta (11). Cada entrevista tem uma hora e meia de duração.
A programação é a seguinte:
8 de setembro (terça-feira) – Douglas Ruas (PL) – leia a checagem
9 de setembro (quarta-feira) – William Siri (Psol) – leia a checagem
10 de setembro (quinta-feira) – Anthony Garotinho (Republicanos)
11 de setembro (sexta-feira) – Eduardo Paes (PSD)
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Anthony Garotinho. Leia:
“Oito caminhões são roubados [no Rio] todos os dias.”
É fato
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou 3.114 roubos de carga no Estado do Rio em 2025. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) usa os mesmos dados e calcula uma média de oito caminhões roubados por dia no ano passado.
“Nunca vi permitir o que acontece no Brasil. O cara vai lá fora, pega dinheiro a 2,5% e empresta para o governo a 14%.”
Não é bem assim
g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
A taxa básica de juros brasileira está, de fato, em 14% ao ano, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) em agosto de 2026.
Os 14% da Selic não significam que todo investidor empresta dinheiro ao governo exatamente a essa taxa. Os títulos da dívida têm diferentes prazos, indexadores e remunerações. Além disso, a dívida é financiada por fundos, bancos, previdência, seguradoras, investidores estrangeiros e outros grupos.
Também não há uma taxa universal de 2,5% pela qual investidores simplesmente tomem recursos no exterior para aplicá-los no Brasil. Operações desse tipo podem ocorrer, mas envolvem diferentes juros, câmbio, custos e riscos.
“No ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), 185 mil carros foram roubados ou furtados no Rio.”
É fake
g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
O Instituto de Segurança Pública (ISP) contabilizou 25.235 roubos e 17.490 furtos de veículos em 2025 no estado do Rio, totalizando 42,7 mil ocorrências. O levantamento considera diferentes tipos de veículos de transporte rodoviário (automóveis, caminhões, motocicletas, caminhonetes, vans, etc).
“O caso do Álvaro Lins foi um dossiê feito por um delegado (…) que o Álvaro Lins tirou da delegacia de Meio Ambiente, porque tentou extorquir a Bayer.”
É fake
g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
Anthony Garotinho se refere ao delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, que de fato esteve envolvido em um episódio com a Tribel, empresa do grupo Bayer, em Belford Roxo. O caso ocorreu em 2003, quando Demétrio atuava na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, e terminou com sua transferência da unidade.
O episódio da Bayer, porém, não deu origem à investigação contra Álvaro Lins, advogado, ex-capitão da Polícia Militar e ex-chefe da Polícia Civil do Rio. Lins comandou a corporação entre 2000 e 2006 e, depois, foi eleito deputado estadual. A apuração contra ele começou com a Operação Gladiador, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2006 para investigar uma organização que dava proteção a contraventores. A operação contou com interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.
A partir da Gladiador, a PF identificou policiais ligados a Lins e chegou à Operação Segurança Pública S.A., que investigou o favorecimento ao grupo do contraventor Rogério Andrade e a exploração de jogos ilegais. Demétrio foi uma testemunha importante, tendo denunciado Lins e prestado depoimento em 2008, mas não foi a única fonte das acusações: o processo também reuniu documentos, outros depoimentos e interceptações telefônicas.
Lins chegou a ser condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal (TRF2) a 23 anos, quatro meses e 16 dias de prisão. Em 2024, porém, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio do processo à Justiça Eleitoral por entender que a Justiça Federal não era competente para julgar o caso. Atualmente, a ação tramita na Justiça Eleitoral.
“Se você somar os dias que eu fiquei detido, não chegam a 29 dias, quatro vezes. Teve dia de eu entrar de manhã e sair de tarde.”
É fake
g1
A declaração é #FAKE: Veja por quê:
O ex-governador foi preso em cinco ocasiões, a primeira em novembro de 2016 e a última em outubro de 2019. Os 29 dias citados por ele não correspondem ao tempo total das prisões somadas, que são de 50 dias. Esse período se refere especificamente à terceira prisão de Anthony Garotinho, entre 22 de novembro e 21 de dezembro de 2017, na Operação Caixa d’Água.
Garotinho foi preso junto da esposa e ex-governadora Rosinha Garotinho. Ambos foram acusados de integrarem uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilícita com empresários para financiar as próprias campanhas eleitorais e a de aliados, segundo as investigações. Uma das acusações foi de ter recebido R$ 2,6 milhões via caixa dois da JBS.
Nas outras três prisões, ele ficou detido por períodos diferentes: 8 dias em 2016, 13 dias em setembro de 2017 e menos de 24 horas em setembro de 2019.
“Eu saí do governo do Estado com 80% de aprovação, segundo o Datafolha, e a minha sucessora ganhou no primeiro turno. E eu ganhei a eleição do Lula para presidente do Rio.”
A declaração de Garotinho sobre o Datafolha é #FAKE.
A declaração de Garotinho sobre sua sucessora e vitória no Rio é #FATO.
Veja por que a primeira delas é #FAKE:
É fake
g1
Anthony Garotinho foi governador do Rio entre janeiro de 1999 e abril de 2002, quando renunciou para concorrer à Presidência.
Consultado pelo Fato ou Fake, o Datafolha enviou um gráfico exibindo a evolução da avaliação de Garotinho entre junho de 1999 e dezembro de 2001.
Nenhuma pesquisa do instituto aponta 80% de aprovação do ex-governador frente ao governo do Rio. O maior percentual ocorreu no primeiro levantamento, de 11 de junho de 1999, quando recebeu 68% de aprovação.
Já a última avaliação do governo, publicada em 2 de julho de 2001, quando 61% dos moradores aprovava a gestão, 29% a consideravam regular e 8% reprovavam.
Veja por que a segunda delas é #FATO:
É fato
g1
Segundo dados disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosinha Garotinho, esposa do candidato, foi eleita no primeiro turno com 51,3% dos votos válidos nas eleições de 2022 para o governo do Rio.
Garotinho também foi o candidato à Presidência mais votado no Rio, com 42,18% dos votos, superando Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 40,17%.
“Propinoduto foi descoberto dentro do governo Rosinha. O Silveirinha, que era o personagem central, junto com auditores fiscais federais e fiscais estaduais, cobravam propina na secretaria. A Rosinha era governadora. Nós descobrimos, ele foi afastado, foi julgado e preso.”
É fake
g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
O “propinoduto” foi um esquema de corrupção coordenado por fiscais da Fazenda do Rio de Janeiro e da Receita Federal que cobravam propinas milionárias de empresários e enviavam o dinheiro para contas na Suíça. Os ilícitos ocorreram entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2000. Garotinho foi o governador do Rio entre os anos 1999 e 2002.
O caso não foi descoberto pelo governo de Rosinha, mas sim a partir de investigações do Ministério Público da Suíça, iniciadas em 2002, e ganhou repercussão em 2003, primeiro ano do governo de Rosinha Garotinho.
Apontado como chefe da quadrilha, Rodrigo Silveirinha foi subsecretário-adjunto de Administração Tributária da Secretaria de Fazenda entre 1999 e 2002, no governo de Anthony Garotinho.
Em janeiro de 2003, nos primeiros dias da gestão Rosinha, o ex-subsecretário foi nomeado pela então governadora para a presidência Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), mas foi exonerado do cargo por ela dez dias depois, em meio ao escândalo do “propinoduto”.
Silveirinha e outros envolvidos foram condenados em 2003. Ele chegou a ser preso no mesmo ano, mas foi solto em 2004 por um habeas corpus, posteriormente referendado pela Primeira Turma do STF. Ele morreu em 2023.
No ano passado, a Justiça Federal ordenou que os herdeiros de Silveirinha devolvessem mais de R$ 280 milhões aos cofres públicos. O valor correspondia ao que foi enviado à Suíça e que permanecia bloqueado no país, corrigido com juros e com base na inflação até abril de 2024.
“Quem foi que construiu a sede do Bope? Anthony Garotinho (…) quem foi que o Instituto de Segurança Pública? (…) quem criou fui eu. Quem que tirou os bondes das ruas do Rio, criando GETAM (Grupamento Especial Tático Móvel)? (…) Quem foi quem criou o GAM (grupamento aéreo e marítimo)? (…) Anthony Garotinho.”
É fato
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O Instituto de Segurança Pública (ISP) foi criado em 28 de dezembro de 1999, durante o governo Anthony Garotinho, pela Lei Estadual nº 3.329/1999. A própria legislação estadual estabelece a criação do órgão.
A sede própria do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na comunidade Tavares Bastos, foi inaugurada em dezembro de 2000, também durante o governo Garotinho. O Bope, por sua vez, já existia desde 1978, portanto a afirmação se refere à construção da sede, e não à criação do batalhão.
O Grupamento Especial Tático Móvel (GETAM) também foi criado e implantado durante o governo Garotinho. Documentos oficiais do Estado já registravam a atuação do grupamento em 2000, incluindo unidades em Niterói e na Baixada Fluminense.
Já o GAM, Grupamento Aéreo e Marítimo, foi ativado em 21 de março de 2002, ainda durante o governo Anthony Garotinho. A estrutura foi criada para atuar nas operações aéreas e marítimas da Polícia Militar. A formalização por decreto ocorreu posteriormente, em 2004.
Participaram da checagem: Adriana Peraita, Anna Júlia Steckelberg, Clara Simão, Lucas Guimarães e Mel Trindade
Veja o que é #FATO ou #FAKE na sabatina de Anthony Garotinho ao GLOBO, Extra, Valor e CBN
O candidato ao governo do Rio pelo Republicanos, Anthony Garotinho, foi entrevistado nesta quinta-feira pelo GLOBO, Extra, Valor e CBN. Conduzida pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende; pelo editor de Política dos jornais GLOBO e Extra, Thiago Prado; pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do […]