Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira uma nova fase de sua ofensiva militar contra o narcotráfico na América Latina, sob o nome de Operação Lança do Sul, após a chegada ao Caribe do maior porta-aviões do mundo, o Gerald Ford. Porém, o comunicado, anunciado pelo chefe do Pentágono, Pete Hegseth, não trazia mais detalhes desta nova fase, cujo nome é o mesmo de uma força-tarefa anunciada em janeiro na região. A medida, porém, pode ampliar consideravelmente as alternativas militares dos Estados Unidos na região, pressionando ainda mais o governo venezuelano e Nicolás Maduro, segundo analistas.
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“Esta missão defende nossa pátria, elimina os narcoterroristas de nosso hemisfério e protege nossa pátria das drogas que matam nossa gente”, anunciou na rede X Hegseth. “O Hemisfério Ocidental é a vizinhança dos Estados Unidos, e o protegeremos”.
Ainda não se sabe exatamente como essa operação vai ocorrer, exceto que será conduzida pelo Comando Militar do Sul (Southcom), responsável pelas ações das Forças Armadas dos EUA na América Latina e Caribe.
Membros do alto escalão do governo apresentaram ao presidente Donald Trump possíveis ações na Venezuela, incluindo bombardeios em terra nos próximos dias, segundo a rede britânica BBC. O encontro teria contado com Hegseth e o general Dan Caine, mas nenhuma decisão final foi tomada. Segundo a rede americana CBS, foram essas discussões que levaram ao anúncio da operação Lança do Sul na quinta-feira.
Em janeiro, o Comando Militar do Sul havia anunciado uma Força-Tarefa Conjunta com o mesmo nome para a mobilização de “embarcações de superfície e drones” para, entre outras funções, “realizar operações de combate ao narcotráfico”. Não ficou claro, contudo, se a operação anunciada por Hegseth na quinta-feira faz parte dessa força-tarefa.
Nem a Casa Branca, nem o Pentágono deram mais informações sobre o assunto até o momento.
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A Venezuela é “um regime ilegítimo, basicamente uma organização do narcotráfico que tomou o poder”, declarou o secretário de Estado Marco Rubio na quarta-feira, ao finalizar uma cúpula ministerial do G7 no Canadá.
O próprio presidente Trump foi ambivalente em uma entrevista televisiva recente, ao assegurar que não tinha a intenção de entrar em guerra com Caracas. Mas então, ao ser perguntado se lhe parecia que os dias de Maduro no poder estavam contados, ele respondeu que “diria que sim”.
O porta-aviões Gerald Ford, com sua flotilha adjacente de barcos, se une aos seis navios que já estavam presentes no Caribe e a outro no Pacífico, além de milhares de soldados. Os mais de 20 ataques contra embarcações que supostamente transportavam drogas provocaram, no mínimo, 80 mortes até agora, segundo um balanço nesta quinta-feira. Trump indicou que, no horizonte, estão sendo preparados ataques em terra, além de sugerir que a CIA já poderia estar operando na região.
A campanha militar foi denunciada pela ONU e por diversos países. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse que há “fortes indícios” de execuções “extrajudiciais”.
O governo dos Estados Unidos, no entanto, pretende prosseguir com as operações.
Um ataque em solo venezuelano deve levar em conta a possibilidade de danos colaterais, explicou à AFP Douglas Farah, presidente da consultoria IBI, especialista em narcotráfico e segurança. Na hora de escolher alvos, “Puerto Cabello poderia ser uma possibilidade”, na opinião deste especialista.
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Este porto marítimo é o de maior importância na Venezuela, e ponto de trânsito de drogas, segundo os especialistas. Mas “acho que é muito difícil encontrar objetivos importantes que possam alterar significativamente a correlação de poder na Venezuela se decidimos bombardeá-los”, advertiu.
Se o a intenção dessa estratégia desestabilizadora é derrubar o governo Maduro, “o objetivo deveria ser uma transição pacífica”, explicou no Conselho Atlântico a general reformada Laura J. Richardson, que atuou como chefe do Comando Sul entre 2021 e 2024. Para isso é essencial manter um diálogo com as forças armadas venezuelanas, ressalta o ex-enviado especial para a Venezuela (2019-2021) Elliott Abrams.
— Uma das coisas que a oposição deveria estar dizendo, e que deveríamos estar dizendo, é que a Venezuela tem uma fronteira extensa e muita violência, e que precisa de um exército. E espero que nossa operação encoberta da CIA esteja fazendo isso — explicou Abrams. — Ele não vão ficar em desvantagem por causa de uma transição. Serão mais felizes.

