Durante mais de cinco anos uma quadrilha usou o Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, como ponto de partida para enviar cocaína em voos para a Europa. A droga era levada em malas com fundo falso por pessoas recrutadas como mulas. A prisão de uma delas, em 2019, serviu para a polícia iniciar uma investigação e identificar os integrantes da organização criminosa. Nesta quarta-feira, uma ação em conjunto da Polícia Federal(PF) e do Ministério Público Federal desarticulou com a deflagração da Operação Tropeiros II, o núcleo financeiro do bando. O grupo fez remessas de drogas para Portugal, para Londres, na Inglaterra, ambos países localizados na Europa, e ainda para Austrália.
Segundo a polícia, o grupo movimentou cerca de R$ 10 milhões e chegou a trazer ainda drogas sintéticas do exterior para o Brasil. Ao todo, a Delegacia Especial da PF no Aeroporto Internacional do Galeão identificou 18 pessoas que atuavam na quadrilha no território brasileiro. Um advogado, por exemplo, que defendeu pessoas do grupo presas como mulas do tráfico, chegou a se associar ao bando e ajudou a financiar remessas da droga. Um funcionário da instituição financeira era, segundo a PF, o encarregado de maquiar operações bancárias para evitar que a movimentação fosse detectada pela instituição. Já os doleiros traziam o dinheiro da venda da droga na Europa para o Brasil.
— Temos a identificação deles(doleiros) trazendo este dinheiro para cá na modalidade de dólar cabo, no caso euro cabo. Eles recebiam o pagamento em euro. Aqui(no Brasil) era convertido em moeda nacional. Também havia o pagamento em criptomoedas. Estamos tomando providências para tentar identificar essas criptomoedas nas instituições para fazer o bloqueio e para viabilizar o sequestro deste numerário. Estimamos que a Quadrilha tenha movimentado cerca de R$ 10 milhões —explicou o delgado Carlos Edurado Thomé, da Delegacia especial da PF no Aeroporto Internacional do Galeão.
O bando começou a ser investigado em 2019, quando uma mulher, natural do Rio de Janeiro, pretendia embarcar em voo com destino à cidade portuguesa de Horta, de onde a droga seria distribuída pela Europa. A prisão aconteceu no Aeroporto Tom Jobim. Em 2022, houve a decretação da primeira fase da Operação Tropeiros, que desencadeou na ação feita pela PF nesta quarta-feira.
Foram cumpridos, nesta quarta-feira, 21 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 18 pessoas no Rio de Janeiro (Niterói e capital); em São Paulo (Campinas e capital); e em Salvador, na Bahia. Duas pessoas foram presas em flagrante — uma por ter drogas em casa e outra, por ter uma arma. Também foram encontradas malas com fundo falso preparadas para receber cocaína. Estas últimas foram localizadas e apreendidas durante as buscas feitas em residências de alvos na Praça Seca e na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ainda na Praça Seca, agentes encontraram drogas sintéticas e prenderam quem estava com elas. Já em Niterói foi realizada outra prisão e a apreensão de uma pistola com numeração raspada e munição.
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Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e tráfico transnacional de drogas. Em caso de condenação, as penas, somadas, podem chegar aos 35 anos de reclusão.
— São pelo menos 18 envolvidos aqui no Brasil que estão sendo indiciados nesta fase por tráfico internacional de drogas e alguns deles por lavagem de dinheiro— concluiu o delegado.
O nome que serviu para batizar a operação como “Tropeiros” faz referência aos indivíduos que transportavam gado, mercadorias, alimentos e outras cargas entre diferentes regiões do Brasil, em alusão à prática dos criminosos de enviar drogas para a Europa por meio de “mulas”, com o direcionamento e monitoramento em tempo real dos seus passos por aplicativos de celular.

