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Venezuela denuncia suposto plano da CIA para atacar navio americano em Trinidad e Tobago e culpar governo chavista

BRCOM by BRCOM
outubro 27, 2025
in News
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Ativos militares dos EUA no Caribe na 'guerra às drogas' de Trump — Foto: Editoria de Arte
  • Crise regional: Navio de guerra dos EUA chega a Trinidad e Tobago, no Caribe, e Venezuela vê ‘provocação hostil’
  • Leia também: Venezuela realiza exercícios militares no litoral e fala em ameaça de ‘operações secretas’ dos EUA

— Em nosso território, está sendo desmantelada uma célula criminosa financiada pela CIA, vinculada a esta operação encoberta — disse o chanceler venezuelano, Yván Gil, acrescentando ter comunicado o governo de Porto de Espanha sobre a suposta operação de “bandeira falsa”. — Informei com claridade ao governo de Trinidad e Tobago sobre a operação de bandeira falsa dirigida pela CIA: atacar um navio militar estadounidense parado na ilha e culpar a Venezuela, para justificar uma agressão contra o nosso país.

A tensão entre Venezuela e Estados Unidos atingiu um nível elevado no último mês, com o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmando ter aprovado operações secretas da CIA no país sul-americano, e tratando abertamente sobre sua intenção de realizar ataques por terra contra grupos ligados ao tráfico de drogas na região, aumentando a operação que atualmente está focada no afundamento de barcos no Caribe e no Pacífico — que já resultou em 43 mortes. Caracas afirma que a manobra como um todo é parte de um plano mais abrangente para depor Maduro.

Washington promove a maior concentração de ativos militares na região desde o final dos anos 1980, quando invadiu o Panamá para capturar o ditador Manuel Noriega. Os movimentos mais recentes que o Pentágono anunciou foram os envios do USS Gravely, um contratorpedeiro equipado com modernos mísseis Tomahawk, para Trinidad e Tobago — ilha caribenha localizada a menos de 10 km do território venezuelano —, e o deslocamento do porta-aviões Gerald R. Ford, descrito pela Marinha americana como “a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo”.

Ativos militares dos EUA no Caribe na ‘guerra às drogas’ de Trump — Foto: Editoria de Arte

Trump acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, uma das organizações que o republicano diz ter relação com o envio de drogas ao país. O governo americano atualmente oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura de Maduro.

O envio do contratorpedeiro foi apontado por Caracas como uma provocação de Washington, ao passo que o governo de Trinidad e Tobago refutou a tese, dizendo que a presença do navio tinha o objetivo de “reforçar a luta contra o crime transnacional e construir resiliência por meio de capacitação, atividades humanitárias e cooperação em segurança”.

“O governo de Trinidad e Tobago deixou claro em repetidas ocasiões que valoriza a relação deste país com o povo da Venezuela, dada nossa história compartilhada”, acrescentou o texto.

Em Porto de Espanha, a população está dividida sobre a presença americana próxima à costa da Venezuela.

— Há um bom motivo para trazerem o navio de guerra. É para ajudar a limpar os problemas de drogas que há no território venezuelano — disse Lisa, uma moradora de 52 anos.

Outros moradores, porém, expressaram preocupação com a possibilidade de uma intervenção militar.

  • Leopoldo López: Maduro pede à Justiça venezuelana que retire nacionalidade de líder da oposição por apoiar ‘pressão’ dos EUA sobre o país

— Se acontecer algo entre Venezuela e Estados Unidos, poderemos acabar levando golpes — disse Daniel Holder, de 64 anos. — As pessoas não percebem o quão sério é isso agora, mas coisas podem acontecer aqui.

Caracas acusa a primeira-ministra de Trinidad, Kamla Persad-Bissessar, de ter renunciado à “soberania de Trinidad e Tobago” e transformado “seu território em um porta-aviões dos Estados Unidos para a guerra em todo o Caribe contra a Venezuela, contra a Colômbia e contra toda a América do Sul”.

Randy Agard, um norte-americano de 28 anos que viajou a Trinidad e Tobago para visitar sua família, diz ter “sentimentos contraditórios”.

— Sinto que os Estados Unidos estão tentando se envolver em tudo para tentar controlar a todos e estabelecer uma narrativa de que se preocupam com os outros — afirma. — Dizem que querem paz e estão enviando navios de guerra, não faz sentido para mim. (Com AFP)

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