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‘Vingança não é uma política’

BRCOM by BRCOM
julho 29, 2025
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Tamar Parush, professora israelense de sociologia, em pé na borda de um protesto antiguerra perto da fronteira de Gaza — Foto: Amit Elkayam / The New York Times

A repulsa à guerra devastadora de Israel em Gaza ressoa há meses nas capitais e nos campi universitários no exterior. Nos primeiros meses da guerra, a grande maioria dos israelenses considerou a ofensiva uma resposta justa e necessária ao ataque mortal liderado pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023 — mesmo que alguns estivessem céticos de que a meta de longo prazo do governo de eliminar o Hamas fosse alcançável, mostraram pesquisas de opinião. Agora, um número crescente de israelenses se manifesta contra o que descrevem como atrocidades cometidas em seu nome no enclave palestino.

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Nos últimos meses, uma minoria israelense, mas cada vez mais expressiva, tem feito apelos angustiados para o fim da guerra por motivos morais, mesmo que muitos sequer saibam que tais protestos estão acontecendo. Muitos dos manifestantes, de fato, podem ter apoiado o direito de Israel à legítima defesa após o ataque do Hamas, mas agora dizem que isso foi longe demais e contraria seus valores. Agora, eles erguem retratos de crianças palestinas mortas em Gaza. Acadêmicos, escritores, políticos e militares aposentados acusam o governo israelense de assassinatos indiscriminados e crimes de guerra.

Apesar disso, a maioria dos israelenses há muito tempo quer um acordo que ponha fim à guerra em troca da libertação de todos os reféns ainda mantidos em Gaza e alivie os soldados exaustos por meses de conflito mortal, de acordo com as pesquisas. No início, essas vozes de dissidência interna se levantavam apenas nas periferias de Israel.

— Estamos à beira do abismo — disse Tamar Parush, de 56 anos, professora de sociologia no Sapir College, no sul de Israel, que participou de um protesto no movimentado cruzamento de Shaar Hanegev, perto da fronteira com Gaza. — A vingança não é uma política. Poderíamos ter lutado uma guerra mais inteligente.

Tamar Parush, professora israelense de sociologia, em pé na borda de um protesto antiguerra perto da fronteira de Gaza — Foto: Amit Elkayam / The New York Times

Cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis, foram mortas por agressores palestinos durante o ataque de outubro, tornando-o o dia mais mortal da história de Israel, e cerca de 250 outras foram feitas reféns. Muitos israelenses responsabilizaram o Hamas pelo sofrimento subsequente em Gaza e disseram sentir pouca compaixão pelos civis locais.

Cerca de 60 mil palestinos foram mortos na guerra desde então, de acordo com autoridades de saúde de Gaza, cuja contagem não distingue entre combatentes e civis, mas inclui mais de 10 mil crianças. A guerra deslocou a maioria dos dois milhões de moradores de Gaza diversas vezes e levou o território à beira da fome. Mais de 80 crianças morreram de fome e desnutrição, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

Apesar da desesperadora crise humanitária, uma pesquisa realizada em maio pelo Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv descobriu que 64,5% do público israelense não estava nem um pouco, ou muito pouco, preocupado com a situação humanitária em Gaza.

Cerca de três quartos dos judeus israelenses achavam que o planejamento militar de Israel não deveria levar em conta o sofrimento da população civil palestina em Gaza, ou deveria fazê-lo apenas minimamente, de acordo com outra pesquisa recente do Instituto de Democracia de Israel, um grupo de pesquisa apartidário em Jerusalém.

Mas o instituto disse que, ao longo do tempo, encontrou um ligeiro aumento na proporção de judeus israelenses que achavam que o sofrimento deveria ser levado em consideração em grande medida, e um declínio moderado naqueles que disseram não estar preocupados. Esse aumento se reflete no crescente desconforto e ativismo no campo liberal de Israel.

— Houve uma mudança perceptível no discurso — disse Lee Mordechai, historiador da Universidade Hebraica de Jerusalém que vem documentando a guerra e acredita que Israel está cometendo genocídio em Gaza. Essa acusação é veementemente rejeitada pelo governo israelense. — Ainda há uma crise no campo da paz sobre o que pode ou não ser dito, mas as pessoas estão se manifestando mais.

Ele discursava no campus da Universidade Hebraica no final de maio, onde dezenas de estudantes e professores realizaram uma vigília silenciosa, carregando retratos de crianças mortas em Gaza. Protestos simultâneos ocorriam na Universidade de Tel Aviv e em outros campi.

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Alguns israelenses proeminentes também deram o alarme. Ehud Olmert , ex-primeiro-ministro, condenou o que chamou de “matança cruel e criminosa de civis” e a fome em Gaza como política governamental. Moshe Yaalon , ex-chefe militar e ministro da Defesa, vem alertando há meses sobre a possibilidade de uma limpeza étnica. Yair Golan, ex-vice-chefe das Forças Armadas e líder dos Democratas, um partido de oposição de esquerda, causou furor ao afirmar que o governo estava matando bebês “como hobby”.

O governo israelense nega ter cometido crimes de guerra em Gaza, embora o Tribunal Penal Internacional tenha emitido mandados de prisão para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant. O Exército israelense insiste que atua em conformidade com o direito internacional, afirmando que toma medidas para minimizar as baixas civis e trava uma campanha complexa contra um inimigo que se esconde entre a população e explora a infraestrutura civil.

Para Mordechai, um ponto de inflexão ocorreu cerca de um ano após o início da guerra, quando surgiram relatos de um plano israelense para transferir todos os moradores do norte de Gaza para o sul. O governo não adotou oficialmente o plano, proposto por comandantes na reserva, mas críticos disseram que alguns elementos dele estavam discretamente em andamento.

Então, em março deste ano, Israel encerrou um cessar-fogo de dois meses e retomou os combates, numa decisão que muitos israelenses consideraram ter motivação política, para ajudar Netanyahu a impedir que seus parceiros de coalizão de extrema direita derrubassem seu governo. Uma investigação do New York Times concluiu que Netanyahu agiu para prolongar e expandir a guerra, permitindo que Israel derrotasse e enfraquecesse mais inimigos, mas também adiando um acerto de contas político interno.

Centenas de reservistas e oficiais aposentados da Força Aérea de Israel assinaram uma carta aberta em abril, instando o governo israelense a fechar um acordo com o Hamas para a devolução dos reféns. “A continuação da guerra não promove nenhum dos objetivos declarados da guerra e resultará na morte de reféns, soldados das Forças Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês) e civis inocentes”, afirmava a carta, usando uma sigla para se referir ao Exército israelense. Centenas de soldados israelenses foram mortos em Gaza.

Cerca de 140 mil israelenses de vários campos profissionais assinaram cartas semelhantes, de acordo com a Standing Together, uma organização de base de judeus e árabes israelenses que liderou protestos contra a guerra e defende a paz e a igualdade.

Milhares de israelenses lotaram o principal centro de conferências em Jerusalém em maio para a “Cúpula da Paz dos Povos”, organizada por uma coalizão de mais de 50 organizações locais de paz e justiça social. A reunião começou com um minuto de silêncio em homenagem a todas as vítimas da guerra — palestinos e israelenses, civis e soldados.

Desde então, mais de 1.300 membros do corpo docente universitário assinaram uma carta aberta denunciando o que chamaram de uma “horrível ladainha de crimes de guerra e até crimes contra a humanidade, todos de nossa autoria”. “Ficamos em silêncio por muito tempo. É nosso dever impedir o massacre”, afirmava a carta.

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Os autores israelenses de best-sellers David Grossman, Zeruya Shalev e Dorit Rabinyan estavam entre os muitos escritores que assinaram outra carta expressando “choque” com as ações de Israel em Gaza. Nos dias que se seguiram ao ataque de outubro de 2023, Rabinyan disse que sua compaixão pelo sofrimento do outro lado estava “paralisada”.

A grande mídia de Israel raramente fez uma cobertura vívida da crise humanitária em Gaza. Enquanto o jornal de esquerda Haaretz cobriu o sofrimento, uma popular emissora de televisão de direita, o Canal 14, regularmente serve de plataforma para pessoas que pedem medidas ainda mais duras contra os civis de Gaza.

Este mês, ativistas do Standing Together têm se manifestado do lado de fora dos estúdios dos principais canais de televisão israelenses para pressionar jornalistas locais a reportar a terrível situação da fome em Gaza.

— As pessoas debatem a possibilidade de matar de fome ou deportar os moradores de Gaza na televisão como se fossem opções legítimas — disse Michael Sfard, advogado israelense de direitos humanos. — Mas uma voz diferente está tentando penetrar no discurso público quase unificado.

Criticar a conduta dos soldados também é uma questão delicada em um país onde a maioria dos jovens judeus de 18 anos são recrutados e muitos israelenses relutam em acusar um Exército formado por seus próprios parentes ou amigos de crimes de guerra.

Itamar Avneri, membro do Conselho Municipal de Tel Aviv e fundador do Standing Together, disse que por esse motivo o grupo teve o cuidado de criticar o governo, não os soldados.

— Esta é uma guerra de destruição — disse ele no protesto perto da fronteira de Gaza. — Os habitantes de Gaza são nossos vizinhos.

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