A chilena Santa Carolina celebra 150 anos com um vinho tinto elaborado especialmente para a data e com sua “herança viva”. A vinícola está entre as cinco maiores do Chile, com a produção de 2,5 milhões de caixas de vinhos e venda para 60 países. Segundo o enólogo Ivan Martinovic, a marca tem orgulho do passado, mas também olha para o futuro em constante evolução:
— O mundo atual está repleto de desafios. Há desafios climáticos, tecnológicos, comerciais e financeiros. Existe uma evolução constante para garantir que a vinícola continue se modernizando em diferentes aspectos. E existem várias áreas-chave dentro do vinhedo. Uma muito importante é a sustentabilidade. Possuímos a certificação de sustentabilidade da Wines of Chile — conta o enólogo, em visita ao Rio.
Martinovic explica que a sede da Santa Carolina fica em Santiago, em uma vinícola histórica:
— Está localizada no mesmo lugar desde 1875; o prédio é um monumento nacional. Temos outra vinícola e vinhedos no Vale do Cachapoal, onde se concentra a produção de vinhos finos. Outra unidade fica em Casablanca, no litoral, a 100 quilômetros da costa de Santiago. É um vale com clima frio, característico para o cultivo de uvas como Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir, Syrah. E, obviamente, estamos no Alto Maipo, para elaborar os vinhos Cabernet Sauvignon.
A vinícola também produz no Vale do Maule, de onde saem grandes volumes de vinhos varietais; e em Cauquenes, onde foram feitos os últimos investimentos.
— Cauquenes é uma área de produção muito antiga, mas está recuperando um impulso significativo devido às mudanças climáticas e à disponibilidade de água mais ao Sul do Chile. Tem melhores condições do que regiões mais ao Norte.
Outro destaque da marca é a linha de vinhos El Pacto, resultado de uma pesquisa sobre solos de diferentes regiões do Chile. Entre os rótulos, estão com as variedades Cabernet Sauvignon, Carménère, Romano e Chardonnay, além de um blend com variedades italianas.
— O conceito é de um pacto entre o céu e a terra. Esta linha é de inovação e também de patrimônio. Mas patrimônio vivo. São vinhos de muito caráter, especiais, com muita personalidade, em que a fruta predomina.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/W/l/12VynLTNGZKhNrEAmm9Q/enologo-ivan-martinovic.jpg)
O enólogo revela que um dos desafios da marca no Brasil é divulgar seus vinhos premium, já que os mais conhecidos no mercado do país são os de entrada, os reservados:
— A Santa Carolina é muito associada a vinhos varietais, que são excelentes. Nossos vinhos de entrada são os que mais vendemos no Brasil. Nós nos orgulhamos deles porque são a porta de entrada para quem não bebe vinho, apresentando-lhes um vinho acessível e de boa qualidade e incentivando-os a continuar explorando esse universo. A marca ficou presa nessa mentalidade. É um desafio nesse mercado. Veja bem, não dá para desmerecer quem gosta do nosso trabalho. Porque, como dizem, cada um tem seu gosto, mas parte do desafio é mostrar o que acontece nos bastidores, a expertise da empresa e os produtos — analisa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/P/r/KoHZhmTz6V01NUJaJlBA/bs-carolina-150.png)
O vinho Santa Carolina Aniversário 150 Anos é um blend tinto safra 2022, que une o passado e o futuro, segundo Ivan Martinovic:
— É um blend muito moderno, porque não é o que normalmente se chamaria de Cabernet Sauvignon chileno clássico, ou o mais inovador Carménère, que é a uva emblemática do Chile. Queríamos algo especial, uma mistura do nosso passado, do nosso legado, e também do futuro e da inovação. É um blend de Petit Syrah, Malbec e Carménère. É muito frutado, com taninos muito suaves e sedosos. Buscamos um vinho que fosse bem aceito em todos os mercados onde atuamos. Ele já foi lançado na Ásia, na América do Norte e em outros países da América Latina.
Ele explicou que foram produzidas cerca de 40.000 garrafas. A marca ainda não sabe se serão feitas novas safras do vinho futuramente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/j/h/FprUDMSgG6s5S3oBJanQ/bs-sc-rdf-casks-cs.png)
O Santa Carolina Select Cask Cabernet Sauvignon é um clássico representante do Vale Central. Exibe aromas de cassis, ameixas e especiarias. Harmoniza com carnes vermelhas, charcutaria (embutidos), queijos moles e prato estruturados como filé grelhado e massas com molho encorpado.
— Este vinho tem duas características particulares. É um Cabernet Sauvignon que vem de Alto Cachapoal e amadureceu por 18 meses em foudres, que são recipientes de madeiras muito grandes. São dois conceitos particulares. Vamos encontrar mais fruta, um carvalho muito sutil. Os taninos são muito maduros, macios. Digo que o que fazemos com os foudres é como cozinhar carne lentamente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/B/U/ZNpyqlTgmYOjC1l01Urw/bs-vsc-ni.png)
Ivan também apresentou o Santa Carolina VSC, ícone da vinícola. É feito com Petit Syrah, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Carménère e Malbec. Vai bem com cordeiro, churrasco, pratos condimentados e queijos curados.
— O VSC é um corte em que combinamos o melhor das nossas uvas ano após ano, e o chamamos de vinho ícone do Novo Mundo. Tem uma alta expressão de fruta e uma estrutura mais potente. Ele não é o mesmo todos os anos, mas eu diria que Petit Syrah e Petit Verdot têm sido dois pilares muito importantes, que nos deram ótimos resultados. A cor é muito generosa, um rubi profundo e intenso. As notas são picantes e frutadas, de frutas vermelhas maduras. Há toques de licor também, como cereja.
Os vinhos são importados pela Casa Flora. Os preços são: Santa Carolina Aniversário 150 Anos (R$ 183,90); o Santa Carolina Select Cask Cabernet Sauvignon 9R$ 389,90); e o Santa Carolina VSC (R$ 649,90).

