A violência das agressões a que foi submetido Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, chocou até mesmo os policiais da 12ªDP (Copacabana) que está investigando o caso, ocorrido em 11 de agosto quando o rapaz saiu de casa, em Botafogo para passear em Copacabana com a bicicleta da irmã e foi confundido com ladrão. A vítima foi agredida por quatro homens, que utilizaram até um porrete, conforme mostra vídeo do crime. Um dos acusados se entregou, nesta quinta-feira, e já está preso.
— Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São imagens muito fortes — disse Ângelo Lages, delegado titular da 12ª DP.
Segundo o delegado, os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael vão responder por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Os investigadores tentam ainda identificar os dois homens que usavam mochila de entregadores.
Fabiana, irmã de Cláudio Rafael, com o advogado Bryan, na porta da delegacia
Ana Branco
Rapaz calma que gostava de música
Um rapaz calmo que gostava de música e que usava um canal nas redes sociais onde costumava postar vídeos cantando. Assim é descrito pela família Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, que foi agredido com mais de 30 pauladas, na noite do dia 12, ao ser confundido por seguranças com um ladrão em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A vítima morreu pouco depois de ser agredida no Hospital Miguel Couto, para onde foi levada por bombeiros que o socorreram.
Cláudio fez o ensino médio e ainda o curso técnico de segurança de trabalho. Há aproximadamente dez anos, ele sofreu uma queda de uma laje. Na época, teve um traumatismo craniano e passou a ter problemas cognitivos. Cláudio Rafael deixou duas irmãs. Uma delas, Fabiane Landeiro, de 25, esteve na 12aDP(Copacabana). Ela desabafou e disse estar revoltada com o que aconteceu com o irmão.
Imagens mostram espancamento até a morte de homem em Copacabana
—O sentimento é de revolta, injustiça e indignação. O que fizeram com meu irmão foi tortura. Ele foi agredido ainda caído no chão— disse.
O advogado da família, Bryan Rojtemberg disse que conhecia a vítima desde criança.
— Ele era um menino calmo que ajudava a todos. Foi meu vizinho por muitos anos. O que fizeram com o Cláudio foi uma barbárie —concluiu.
O laudo de necropsia da vítima ajuda a entender a dimensão das agressões sofridas por Cláudio Rafael. Segundo o documento, a vítima teve traumatismo craniano encefálico, hemorragia interna e lesões no baço e no rim esquerdo produzidas por ação contundente.
—Não há explicação para o que aconteceu. Cláudio não esboçou qualquer reação para ser agredido do jeito que foi — concluiu o advogado.
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