O Viradão Cultural Suburbano ocupa o Engenho de Dentro e o Méier neste fim de semana com samba, literatura, artesanato, debate, música e poesia. Na sétima edição, o festival gratuito tem como destaque uma roda de samba em homenagem a Noca da Portela, sábado (7), na Praça Rio Grande do Norte, no primeiro bairro. Domingo, a programação segue na Livraria Belle Époque, com atrações para diferentes públicos. Ao todo, o evento reúne mais de 40 artistas e dez coletivos e iniciativas culturais, com o tema “Fé na rua”.
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A homenagem a Noca da Portela tem relação direta com o território escolhido para a celebração. O compositor, referência na história do samba e da escola, morou por mais de uma década no Engenho de Dentro. A roda será realizada a partir das 14h30 e contará com Marquinhos Sathan, Didu Nogueira, Jorge Agrião, Bira da Vila, Osmar do Breque, Roberto Serrão e o grupo Compositores da Resistência.
Antes da apresentação, às 13h30, o público poderá acompanhar o lançamento do livro “O preço do samba”, de Bira da Vila. A escolha de Noca como homenageado segue uma proposta do festival de reconhecer artistas com trajetórias ligadas aos subúrbios cariocas e aproximar suas histórias dos bairros onde viveram.
O grupo Ernestos ao lado de Flávia Enne, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, em 2023
Divulgação/Viradão Cultural Suburbano
Para Didu Nogueira, a programação ajuda a apresentar a diversidade das manifestações culturais que fazem parte da identidade suburbana. O sambista destaca referências artísticas e culturais espalhadas por diferentes bairros, das escolas de samba aos bailes charme e funk, passando pelo choro e pela gastronomia.
— Temos, nos subúrbios cariocas, o caldo cultural mais denso de nossa cidade. O Viradão Cultural Suburbano é um panorama artístico do dia a dia de nossos territórios e almas expostos através das mais puras e singelas manifestações artístico-culturais — afirma.
Amanhã, as atividades serão na Rua Soares 50, no Méier, endereço da Belle Époque. As atividades começam às 10h, com uma feira de artesanato. Ao meio-dia, a Confraria dos Homens Negros participa de uma mesa de debate sobre o Mês da Consciência Negra.
A música entra na programação às 13h30, com uma roda de samba do grupo As Suburbanas. Às 15h, Camilo Martins ministra uma oficina de ilustração infantil. O encerramento, às 16h, reúne o Forró da Botica e a poesia “suburbana e subversiva” de Breno Costa.
A escolha do tema “Fé na rua” propõe um diálogo entre as diferentes manifestações de fé, religiosidade e cultura presentes nos subúrbios cariocas. A ideia é reconhecer que a fé não se expressa apenas nos espaços religiosos, mas também nas festas populares, na música, nas relações de vizinhança e nas formas de organização comunitária.
Segundo Carlos Monteiro, um dos fundadores do Viradão, o tema também chama a atenção para a importância do respeito à diversidade religiosa, em um cenário no qual a intolerância ainda representa um desafio.
— A rua aparece como espaço de convivência e troca entre diferentes tradições e formas de pensar — afirma.
Criado em 2019, o Viradão Cultural Suburbano nasceu da articulação entre artistas, produtores, pesquisadores, coletivos e instituições comprometidos com a cultura produzida nos subúrbios cariocas. A proposta inicial era ampliar a visibilidade dessas iniciativas e questionar a representação dos bairros suburbanos associada principalmente à carência, à violência e à falta de oportunidades.
Nas seis edições anteriores, o festival reuniu centenas de artistas em atividades de música, cinema, literatura, artes visuais, teatro, dança e formação cidadã. Para Monteiro, o crescimento do projeto não está apenas no número de atrações, mas também na formação de redes, na aproximação entre iniciativas culturais e na criação de oportunidades de encontro.
Na edição passada, por questões orçamentárias, as atividades ficaram concentradas na Belle Époque. Desta vez, além do endereço no Méier e da Praça Rio Grande do Norte, a programação passou pela Areninha Cultural João Bosco, em Vista Alegre, que recebeu a abertura ontem.
A gratuidade é uma das principais características do projeto. Segundo Monteiro, a proposta é garantir que o acesso à cultura não dependa da condição econômica do público ou da possibilidade de deslocamento até as regiões centrais da cidade.
— A presença do Viradão em diferentes bairros também permite reconhecer a diversidade dos subúrbios cariocas. Cada lugar tem seus agentes culturais, histórias e referências. Por isso, não se trata apenas de levar uma programação a diferentes localidades, mas de valorizar quem já produz cultura nesses territórios e aproximar iniciativas que muitas vezes não têm a oportunidade de trabalhar juntas — explica.
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Viradão Cultural Suburbano leva 40 artistas a dois bairros da Zona Norte no fim de semana
