A saúde mental durante a gravidez voltou ao debate nas redes sociais após relatos de duas influenciadoras. Na reta final da gestação, Bruna Rotta publicou um desabafo sobre o fim do relacionamento com o jogador Kauã Elias, pai de sua filha, Helena. Já Gabi Luthai compartilhou uma experiência pessoal relacionada à depressão durante a primeira gravidez e revelou ter recorrido ao uso de antidepressivos naquele período. Os relatos trouxeram à tona uma dúvida recorrente entre gestantes: é possível tratar a depressão com medicamentos durante a gravidez?
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Na quarta-feira (4), Bruna decidiu falar publicamente sobre o término após receber perguntas de seguidores sobre os motivos da separação e a ausência do ex-companheiro durante a gestação. Em uma sequência de publicações, a influenciadora apresentou mensagens e registros do relacionamento e relatou situações que, segundo sua versão, envolveram traições, desentendimentos e episódios de desrespeito. Ela também afirmou que o jogador teria solicitado um teste de DNA para confirmar a paternidade da bebê.
Entre os episódios mencionados, Bruna citou uma situação ocorrida no dia do chá revelação. Segundo a influenciadora, enquanto ela permaneceu em casa por estar cansada, Kauã saiu para um pagode. Depois que ele voltou, ela diz ter recebido mensagens e registros que interpretou como indícios de uma traição.
A repercussão das publicações também abriu espaço para relatos sobre os desafios emocionais da gestação. Gabi Luthai, que se solidarizou com Bruna, contou que enfrentou um quadro de depressão durante a primeira gravidez e precisou fazer uso de antidepressivos. A experiência reforçou a importância de discutir o acompanhamento psiquiátrico nesse período, especialmente diante de dúvidas sobre a segurança dos medicamentos para a mãe e o bebê.
De acordo com a especialista em saúde mental Mariellen Freitas, descobrir uma gravidez não significa que a mulher precise interromper automaticamente um tratamento psiquiátrico. A conduta depende de uma avaliação individual, que considera o histórico clínico, a intensidade dos sintomas e os possíveis riscos e benefícios da medicação.
“Existe uma ideia equivocada de que a mulher precisa suspender qualquer medicamento psiquiátrico assim que descobre uma gravidez. Mas a saúde mental materna também precisa ser considerada. Em determinadas situações, manter o tratamento pode ser fundamental para evitar o agravamento de um quadro depressivo. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, com acompanhamento médico”, explica.
A interrupção dos medicamentos sem orientação profissional também merece atenção. Segundo Mariellen, a suspensão abrupta de um antidepressivo pode provocar sintomas de descontinuação e aumentar o risco de recaída. Além disso, a depressão sem tratamento pode trazer consequências para a saúde da gestante, o que torna necessário avaliar tanto os possíveis efeitos da medicação quanto os riscos associados à doença.
Outro aspecto importante é que os antidepressivos não apresentam todos o mesmo perfil de segurança durante a gravidez. A escolha do medicamento, a dose e a necessidade de manter ou modificar o tratamento devem ser discutidas com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento da paciente. A decisão não deve ser tomada por conta própria, nem mesmo diante do receio de possíveis efeitos sobre o bebê.
Além do tratamento medicamentoso, as condições emocionais e o ambiente em que a mulher atravessa a gestação também precisam ser considerados. A especialista em saúde mental Priscila Telles ressalta que conflitos afetivos, insegurança e situações de estresse podem intensificar o sofrimento emocional e não devem ser tratados como questões menores.
“A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Quando a mulher enfrenta conflitos no relacionamento, insegurança ou sensação de abandono, esse sofrimento precisa ser levado a sério. Não devemos minimizar o que ela sente nem atribuir tudo às alterações hormonais. É fundamental oferecer acolhimento e buscar ajuda especializada quando necessário”, destaca.
Priscila também chama atenção para a expectativa social de que a gravidez seja vivida como uma fase de felicidade permanente. Para ela, essa idealização pode dificultar o reconhecimento de sentimentos como medo, frustração e tristeza, além de criar obstáculos para que as mulheres procurem ajuda.
“Existe uma cobrança social muito grande para que a mulher viva a gravidez como um momento exclusivamente feliz. Mas ela continua sendo uma pessoa, com sentimentos, medos, frustrações e vulnerabilidades. Precisamos entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. O acolhimento e o acompanhamento adequado fazem diferença nesse período”, afirma.
Para Mariellen, a exposição de experiências como a de Gabi também contribui para ampliar a informação sobre depressão na gravidez e reduzir o estigma em torno do tratamento psiquiátrico. A necessidade de acompanhamento não deve ser motivo de culpa ou constrangimento.
“A maternidade não torna a mulher imune à depressão ou à ansiedade. Ela não precisa sentir culpa por precisar de tratamento. Cuidar da saúde mental também faz parte dos cuidados com o bebê. Precisamos substituir o julgamento pelo acolhimento e pela informação”, conclui.
Saúde mental na gravidez: como identificar a depressão e quais cuidados são necessários
