Virginia Fonseca voltou a ser assunto nas redes sociais, desta vez por causa de um detalhe na aparência. O formato do queixo da influenciadora despertou comentários de internautas, que levantaram suspeitas sobre possíveis procedimentos estéticos na região. As imagens reacenderam uma discussão cada vez mais presente com a popularização da harmonização facial: como modificar os contornos do rosto sem comprometer a naturalidade?
Veja: Virginia Fonseca inspira rotina fitness, mas será que é preciso treinar diariamente?
Entenda: O que explica a repercussão em torno do bumbum de Virginia Fonseca?
O queixo tem influência direta no equilíbrio das proporções faciais, já que sua projeção se relaciona com estruturas como nariz, lábios, mandíbula e pescoço. Uma alteração nessa região pode mudar a percepção de todo o rosto. No entanto, fotografias e vídeos, isoladamente, não permitem confirmar a realização de preenchimentos por Virginia. Ângulos, iluminação, maquiagem e características individuais também interferem na aparência.
Para o cirurgião plástico facial Yuri Moresco, especialista em rejuvenescimento facial e cirurgia craniofacial, preservar a identidade de cada pessoa deve ser uma das prioridades de qualquer intervenção estética.
“Hoje existe uma valorização maior da naturalidade. Mudanças muito bruscas, seja por procedimentos ou emagrecimento acelerado, podem fazer o rosto perder características importantes. O equilíbrio é essencial para um resultado mais harmônico e saudável”, afirma.
O que pode deixar o queixo desproporcional?
A cirurgiã-dentista Simone Lima, especialista e mestranda em Harmonização Orofacial, explica que um dos erros é avaliar o queixo de maneira isolada, sem considerar as demais estruturas da face. A projeção do mento precisa estar em harmonia com o nariz, os lábios e a mandíbula, além de respeitar as proporções do terço inferior do rosto.
Quando o volume é aumentado sem levar esses aspectos em conta, o queixo pode ultrapassar a linha dos lábios no perfil, dar a impressão de um rosto mais alongado e comprometer o equilíbrio dos traços. A escolha do produto e da quantidade também influencia o resultado.
“Quando se usa muito volume ou um produto de alta sustentação para alargá-lo e projetá-lo, o resultado tende a endurecer e masculinizar os traços. Em alguns casos, a falta de queixo tem origem óssea e aí o preenchimento não é a melhor resposta e pode ser indicação de uma abordagem cirúrgica”, explica Simone.
Entre as possibilidades para modificar o contorno da região está o preenchimento com ácido hialurônico, que permite aumentar a projeção do queixo de forma temporária. A mentoplastia, por sua vez, é uma alternativa cirúrgica indicada em situações específicas. A escolha depende da estrutura facial e das necessidades de cada paciente, e não deve seguir apenas formatos que ganham popularidade nas redes sociais.
Existe um limite para o preenchimento?
Não há uma quantidade de produto que possa ser considerada adequada para todas as pessoas. Estrutura óssea, espessura dos tecidos, qualidade da pele e idade são algumas das características que precisam ser avaliadas antes do procedimento. Por isso, a indicação deve considerar as proporções individuais, e não simplesmente o número de seringas.
“Não existe um número mágico de mililitros. A mesma quantidade que devolve equilíbrio a uma pessoa pode deformar outra. Por isso, o planejamento deve ser feito por proporção e por função, e não por seringa. O limite, na prática, é o próprio rosto da paciente: o ponto em que o procedimento devolve sustentação e equilíbrio sem mudar a identidade”, ressalta Simone.
Outro cuidado é evitar aplicações sucessivas sem uma nova avaliação. Segundo a especialista, o ácido hialurônico pode permanecer nos tecidos por mais tempo do que se imagina, o que favorece o acúmulo de produto quando novas sessões são realizadas sem considerar o preenchimento anterior.
O planejamento também precisa levar em conta o conjunto da face. Para Yuri, tratar uma região sem observar as demais pode resultar em mudanças pouco equilibradas. A avaliação individual ajuda a identificar quais estruturas realmente precisam de intervenção e qual abordagem é mais adequada.
Comentários sobre o queixo de Virginia Fonseca levantam dúvida sobre harmonização
Reprodução Instagram
Como perceber quando a harmonização passou do ponto?
Um dos indícios de excesso é quando determinada região começa a chamar mais atenção do que o restante do rosto. No caso do queixo, isso pode acontecer quando a projeção fica muito evidente, o terço inferior ganha peso visual ou a expressão parece menos natural durante movimentos como falar e sorrir.
“O sinal mais claro é quando o procedimento passa a ser notado antes da pessoa. Se, ao olhar um rosto, a primeira coisa que se percebe é o queixo, a boca ou a mandíbula, algo saiu do equilíbrio”, observa Simone.
A perda das características individuais também merece atenção. Quando diferentes pessoas passam a apresentar traços muito semelhantes, a proposta de valorizar a aparência pode acabar dando lugar à reprodução de um mesmo padrão.
“Pessoas diferentes começam a ficar parecidas entre si. Uma dica simples é comparar com fotos antigas, de frente e de perfil, e se perguntar: eu ainda me reconheço? Uma boa harmonização faz a pessoa parecer descansada, bem cuidada, uma versão dela mesma e não outra pessoa. Para mim, a beleza não é criação, é reencontro”, diz a especialista.
É possível reverter um preenchimento exagerado?
Quando o produto utilizado é o ácido hialurônico, existe a possibilidade de dissolvê-lo com a aplicação de hialuronidase, uma enzima que atua na degradação da substância. O procedimento deve ser realizado por profissional habilitado, após avaliação da região. Simone também recomenda, sempre que possível, o auxílio do ultrassom para identificar a localização e a quantidade de produto presente nos tecidos.
Em alguns casos, pode ser necessário realizar mais de uma sessão. Depois da dissolução e da acomodação dos tecidos, o rosto deve ser reavaliado para definir se há necessidade de alguma outra intervenção.
A situação é diferente quando são utilizados materiais não reabsorvíveis, como o PMMA. Nesse caso, a hialuronidase não tem efeito, e uma eventual tentativa de remoção pode exigir cirurgia, com maior complexidade e riscos.
“Por isso, a melhor reversão é a prevenção: escolher um profissional habilitado, conhecer o produto que está sendo usado e desconfiar de propostas que prometem grandes mudanças em uma única sessão”, alerta Simone.
Virginia Fonseca vira assunto após comentários sobre o queixo; veja o que pode estar por trás
