Virginia Fonseca decidiu responder a uma crítica que recebeu nas redes sociais. Depois de ser chamada de “brega” por uma seguidora, a influenciadora publicou uma foto da autora do comentário e rebateu: “Obrigada Eliete, vindo de você é um elogio!”. Em seguida, afirmou que aquela seria a primeira e última vez que responderia publicamente a um hater.
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A reação dividiu opiniões e levantou uma questão que vai além do episódio: diante de uma crítica na internet, quando vale a pena responder e quando o silêncio pode ser uma escolha mais estratégica?
Para quem vive da própria imagem, a exposição acrescenta outra camada à situação. A psicóloga Letícia de Oliveira explica que uma crítica pública pode ser percebida não apenas como um comentário pessoal, mas também como uma ameaça à maneira como a pessoa é vista pelos demais.
“Quando o comentário é público, existe uma preocupação com a forma como outras pessoas vão interpretar aquela situação. Para quem vive sob grande exposição, como as celebridades, uma crítica pode parecer uma ameaça não apenas à autoestima, mas também à reputação. Além disso, as redes favorecem reações imediatas, o que pode dificultar a reflexão antes de responder”, avalia.
Virginia Fonseca rebate comentário e levanta uma questão: vale responder?
Reprodução Instagram
A resposta pode trazer alívio, mas também prolongar o conflito
Rebater uma provocação pode gerar a sensação de que uma situação foi resolvida, especialmente quando existe o desejo de se defender. O efeito, porém, pode durar pouco.
“Responder pode proporcionar uma sensação momentânea de alívio, principalmente quando a pessoa sente que conseguiu se defender. Mas esse alívio nem sempre é duradouro. A resposta pode gerar novas provocações e manter a pessoa emocionalmente conectada à situação, acompanhando continuamente as reações do público”, afirma Letícia.
Para influenciadores, existe ainda uma particularidade: uma discussão pode ganhar uma segunda vida quando passa a fazer parte do próprio conteúdo.
Segundo Isabela Soller, especialista em marketing de influência e CEO do Grupo Soller, demonstrar personalidade nas redes pode fortalecer a identificação com quem acompanha o trabalho.
“Hoje o público se conecta muito mais com pessoas do que com personagens excessivamente construídos. Quando uma influenciadora responde a uma crítica, ela mostra posicionamento, personalidade e até vulnerabilidade. Isso pode gerar identificação porque existe uma sensação de proximidade: quem acompanha percebe que existe uma pessoa do outro lado da tela, que lê, sente e tem opinião”, pondera.
O problema aparece quando a reação deixa de ser pontual e começa a orientar a produção de conteúdo.
“Existe uma linha muito tênue entre uma influenciadora que eventualmente responde porque determinada crítica realmente a atravessou e alguém que começa a precisar do hater para produzir conteúdo e gerar engajamento. Aos poucos, aquilo que você fala passa a ser cada vez mais determinado pelo que estão falando sobre você”, alerta Isabela.
Quando a resposta também envolve trabalho
Para quem tem contratos publicitários e associa a própria imagem a empresas, a repercussão de uma resposta também pode ultrapassar o ambiente pessoal. Isso não significa que qualquer reação a uma crítica seja um problema para uma marca, mas o contexto e a maneira como a situação se desenvolve podem entrar na avaliação.
“Quando contratam uma influenciadora, estão associando a própria reputação àquela pessoa. Responder a um hater, por si só, dificilmente é o problema. O que pesa é a forma como ela responde, o tom, a repercussão e a coerência daquela atitude com o posicionamento que vem construindo”, observa Isabela.
O publicitário e mentor de Marketing & Comunicação Pedro Marcilio chama atenção para uma diferença entre repercussão e resultado positivo.
“Uma briga pode ser maravilhosa para o algoritmo e um desastre para quem está brigando. O algoritmo não tem reputação para cuidar. A marca tem”, resume.
A lógica também muda quando a resposta parte de uma empresa, e não de uma pessoa.
“Quando uma pessoa responde, fala por ela. Quando uma empresa responde, fala pela marca inteira. E atrás dessa marca existem clientes, funcionários, fornecedores e parceiros. Existe uma reputação que, muitas vezes, levou décadas para ser construída”, ressalta.
Então, responder ou ignorar?
Não existe uma regra que sirva para todas as situações. Uma acusação grave ou uma informação falsa que possa prejudicar alguém é diferente de uma provocação feita apenas para provocar uma reação.
Para Letícia, antes de decidir o que publicar, vale considerar o efeito que aquela resposta pode produzir.
“Estabelecer limites não exige entrar em uma discussão ou convencer o outro de que está errado. Às vezes, uma resposta breve e firme é suficiente; em outras situações, bloquear, denunciar ou simplesmente não interagir pode ser mais adequado. O objetivo não precisa ser vencer o confronto, mas preservar o próprio bem-estar”, orienta.
Isabela sugere uma reflexão semelhante para quem transformou a própria presença digital em trabalho:
“Antes de publicar uma resposta, vale pensar: ‘Isso reforça quem eu sou e o que eu quero construir ou eu só estou reagindo ao que alguém falou sobre mim?’.”
Virginia Fonseca rebate hater e levanta questão: até onde vale a pena responder a críticas?
