O influenciador Vitor Belarmino prestou depoimento pela primeira vez, nesta quarta-feira, na 1ª Vara Criminal da capital, do Tribunal de Justiça do Rio. Ele é acusado de atropelar e matar o fisioterapeuta Fábio Toshiro Kikuta horas após seu casamento, em julho de 2024, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. O depoimento, marcado para as 13h, começou com atraso e durou cerca de 1h30. Segundo o advogado que o representa, Belarmino afirmou que não tinha bebido, e que não viu o casal a tempo de frear. Ele continua preso.
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O influenciador é réu por homicídio doloso — quando há intenção de matar — e por omissão de socorro. Ele ficou foragido por dez meses e se apresentou à polícia no último dia 19, na 42ª DP (Recreio). Segundo o advogado que o representa, Gabriel Habib, Belarmino respondeu às perguntas da juíza, do Ministério Público do Rio, da defesa e da acusação.
— Ele deu a versão dele dos fatos, falou que foi um acidente, que ele não teve visualização do casal que atravessava a rua, e quando viu estava muito em cima. Ele freou, jogou para a esquerda, mas não conseguiu desviar, infelizmente. Ele confirmou que não tinha bebido no dia, e que realmente teve a visão do casal muito em cima, não deu tempo de frear, e aí o acidente foi inevitável — disse o advogado.
Ele comentou ainda sobre a decisão do acusado demorar dez meses para se entregar.
— Foi uma decisão pessoal do Vitor. O motivo é porque realmente ele não concordava com essa prisão, ele não se sente responsável, porque foi um acidente. Mas ele já se entregou, já está colaborando com a justiça, está disposto a esclarecer todos os fatos que forem necessários — afirma o advogado.
Ao ser questionado sobre a omissão de socorro, o advogado disse que Belarmino alegou que parou logo depois de atingir Fabio Toshiro.
— Ele disse que olhou para trás, mas ficou muito nervoso, sem saber o que fazia, desesperado, e teria pedido para Amanda (uma das mulheres que estavam no carro com ele) chamar o socorro, e depois ele ligou para confirmar se realmente ela tinha chamado o socorro — acrescentou Habib.
Segundo o advogado, todas as testemunhas do caso já foram ouvidas — faltava apenas o depoimento de Berlamino. Agora, o processo vai para as alegações finais e depois disso, a juíza decide se leva a júri popular ou não.
A advogada de acusação, que representa a família de Fábio Toshiro, morto no atropelamento, afirmou que a audiência transcorreu de forma tranquila. “Confirmamos o que já pensávamos, ele estava acima da velocidade, não prestou socorro, pois pensou em si e se sente vítima por tudo que estão veiculando, como se o Toshiro fosse culpado de ter “se jogado” na frente do automóvel.”
Durante o período em que esteve foragido, a defesa chegou a pedir à Justiça que o interrogatório ocorresse por videoconferência, alegando dificuldades para garantir sua segurança. A solicitação, no entanto, foi negada pela juíza Alessandra Roidis, que também vetou a presença da imprensa na audiência desta quarta-feira por conta do espaço limitado da sala onde o ato será realizado.
Responsável pela investigação, o delegado Alan Luxardo afirmou que Belarmino optou por não prestar depoimento no momento da apresentação. À época, a defesa declarou que o influenciador estava “muito arrependido de não ter prestado socorro” e que decidiu se entregar “para colaborar com a Justiça”.
Em nota, o advogado Gabriel Habib, que representa Vitor, afirmou que “hoje será o momento em que o ele se defenderá e contará a sua versão dos fatos”.
Fábio Toshiro Kikuta havia deixado a cerimônia de casamento e caminhava pela orla com amigos quando foi atingido. A morte do empresário gerou comoção nacional.
— Fiz de tudo para evitar. Eu não atropelei, eu não peguei o carro, perdi a direção e o atropelei: ele entrou na frente do meu carro, eu desviei, saí da frente dele e ele caiu em cima do meu carro. Isso é claro nas imagens — disse Vitor à Record. — Decretaram a prisão em cima de uma bebida que era de uma amiga minha, não era minha: tinha, sim, bebida no carro, mas claramente em todas as imagens mostram que essa bebida era da Amanda, da minha amiga, não era minha.
Vitor Belarmino fugiu sem prestar socorro após o atropelamento. Ele dirigia uma BMW branca e estava com seis mulheres. Uma delas, de 20 anos, contou à polícia que estavam comemorando seu aniversário em um condomínio próximo à Praia do Recreio e, por volta das 23h, saíram para dar uma volta pela orla no carro do influenciador. Sentada no banco do carona, a jovem disse ter visto Vitor “desviar de um carro” antes de atingir Fábio. Segundo ela, as mulheres foram deixadas a poucos metros do local, enquanto Vitor fugiu sozinho com o veículo.

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A investigação apontou que Vitor Belarmino dirigia entre 109 km/h e 160 km/h no trecho da Avenida Lúcio Costa antes do atropelamento. Segundo a polícia, se ele estivesse no limite da via, de 70 km/h, teria tido tempo de frear antes de atingir a vítima. Em depoimento, o influenciador disse ser comum motoristas ultrapassarem a velocidade permitida no local devido ao “índice de assalto” na região. Ele também afirmou estar “preso em casa” por algo que, segundo ele, não teve intenção de causar.
— Eu sei o quanto eu fiquei abalado com isso. A primeira coisa que fiz quando cheguei no local seguro foi orar para que nada de mal tivesse acontecido. Eu errei, sim, em ter evadido do local, mas eu estava em total desespero no ambiente — alegou Vitor, que relatou que pediu para uma amiga ligar para o socorro, enquanto ele iria “procurar um advogado para provar tudo” que tinha visto. — Fiquei desesperado por conta de um episódio recente em que eu fui agredido, espancado, roubado e os causadores disso não foram nem intimados.

