Liliane França da Silva, viúva do gari morto em agosto do ano passado em Belo Horizonte (MG), cobra que o empresário René da Silva Nogueira Júnior tenha o julgamento marcado. Preso sob acusação de disparar contra Laudemir de Souza Fernandes após uma suposta briga de trânsito, o executivo foi pronunciado há cerca de seis meses, mas ainda não tem data para ser submetido ao Tribunal do Júri.
Nesta quinta-feira, 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou mais um pedido de habeas corpus da defesa de Nogueira Júnior, que havia conseguido nova análise da possível libertação com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O TJ manteve o entendimento adotado em fevereiro, de manter o acusado atrás das grades enquanto o processo tramita.
Liliane marcou um ato de memória para esta sexta-feira, quando Laudemir completaria 45 anos e prometeu ir à sede da Justiça para cobrar o agendamento do júri.
— Vou estar lá no fórum e vou fazer um manifesto lá, porque a gente quer agora a data para iniciar o julgamento do René, para que ele seja sentenciado — destacou ela, em declarações publicadas pela rádio Itatiaia. — Eu tenho fé em Deus que a data ainda vai sair. Vai sair, eles vão marcar essa data e a nossa esperança vai continuar porque eu sei que o René vai ser condenado por essa covardia que ele fez com o Laudemir.
A delegada de polícia Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário, permanecerá afastada da Polícia Civil de Minas Gerais por pelo menos mais 60 dias. A prorrogação da licença médica foi publicada no Diário Oficial do estado, na semana passada.
Segundo o ato do governo mineiro, o novo período de afastamento passou a vigorar em 9 de junho. Com isso, Ana Paula seguirá longe das atividades até 9 de agosto. Caso não retorne ao trabalho, a delegada completará, em 13 de agosto, um ano fora da corporação.
Ana Paula deixou o exercício do cargo dois dias após o assassinato de Laudemir e, desde então, permanece licenciada por motivos de saúde.
Ana Paula Balbino ocupa o nível especial da carreira de delegada da Polícia Civil de Minas Gerais. Seu nome passou a ganhar repercussão nacional após o marido, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, tornar-se réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes.
Segundo a investigação, Laudemir foi morto a tiros em 13 de agosto do ano passado, em Belo Horizonte. Renê é acusado de ter efetuado os disparos após uma discussão no trânsito. Ele nega ter cometido o crime.
A delegada também entrou na mira das autoridades após suspeitas de que teria emprestado ou permitido o acesso do marido à arma utilizada no caso. Renê afirmou, em sua defesa, que pegou a pistola sem o conhecimento da esposa.
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Inicialmente, Ana Paula foi investigada por supostos crimes de porte ilegal de arma de fogo e prevaricação. O Ministério Público de Minas Gerais, no entanto, não apresentou denúncia imediata contra ela, considerando a possibilidade de celebração de um Acordo de Não Persecução Penal.
Segundo apuração divulgada anteriormente pelo jornal Estado de Minas, a Corregedoria da Polícia Civil concluiu, em procedimento sigiloso, que a delegada teria realizado consultas ao sistema de Registro de Eventos de Defesa Social (REDS) relacionadas ao caso. O mesmo levantamento apontou que ela teria feito diversas ligações para o marido após o horário do crime.
Processo administrativo pode levar à demissão
Em abril deste ano, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Ana Paula para apurar supostas transgressões disciplinares previstas na legislação que rege os servidores policiais civis de Minas Gerais.
Entre as infrações citadas no procedimento estão o eventual uso abusivo da condição de policial, negligência na guarda de objetos confiados em razão da função e o descumprimento de deveres funcionais.
Na ocasião, a defesa da delegada afirmou que se manifestaria nos autos e ressaltou que a abertura do PAD não representa comprovação de irregularidades.
Enquanto as investigações administrativa e criminal seguem em andamento, Ana Paula permanece afastada da Polícia Civil. Caso a licença não seja novamente renovada e ela não retorne às atividades em agosto, a delegada completará um ano longe das funções exercidas na corporação.

