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outubro 7, 2026
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Volta de Bolsonaro ao poder no Brasil expõe a fragilidade de Lula, diz Financial Times

Por · outubro 7, 2026
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Assim como Donald Trump desafiou as probabilidades para se tornar presidente dos Estados Unidos por um segundo mandato, a família Bolsonaro também tem grandes chances de fazer seu próprio “retorno notável”. A avaliação é do jornal Financial Times, para quem a volta do clã do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) expõe a “fragilidade” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — no discurso de segurança, na política fiscal e no isolamento político, por exemplo. Editorial publicado pelo diário após a apuração do primeiro turno afirma que Flávio Bolsonaro (PL) é um “candidato medíocre”, mas que a perda de popularidade do PT abriu caminho para o “renascimento” da família adversária.
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No texto, o jornal diz que o Brasil recebeu elogios por sua disposição em defender a democracia e se proteger dos “aspectos mais perigosos do populismo de extrema direita” ao levar a julgamento Bolsonaro e seus aliados “por tentarem reverter o resultado da eleição brasileira de 2022”. Foi o que os EUA não conseguiram fazer com Donald Trump e companhia após a invasão do Capitólio, em 2021, comparou o Financial Times, que ponderou: Flávio Bolsonaro agora é favorito para vencer Lula, o que aumenta o raio de influência regional do próprio presidente americano.
“Uma vitória do filho de Bolsonaro coroaria uma sequência notável de candidatos alinhados a Trump na América Latina. A direita já venceu todas as sete eleições presidenciais realizadas na região desde que Trump retornou à Casa Branca, em muitos casos com campanhas no estilo MAGA [Make America Great Again]. O México seria a única grande economia da região ainda governada pela esquerda”, diz.
Para o FT, caso seja eleito, Flávio Bolsonaro corre o risco de desencadear uma nova crise institucional. Suas chances de vitória se explicam menos por suas realizações e mais pelo que o jornal chamou de “fracasso” de Lula. O jornal destaca que uma recuperação tardia do petista não pode ser descartada, especialmente se vierem à tona novas denúncias de corrupção contra o senador da República.
O jornal listou o que considerou serem “fragilidades” da campanha de Lula, como o discurso contra o crime organizado: “Ao longo de muitos anos na linha de frente da política brasileira, Lula tem lutado para convencer os eleitores de que possui uma resposta eficaz para o crescimento dos cartéis de drogas; muitos na esquerda têm dado a impressão de que não consideram isso uma prioridade”.
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Além da segurança, o Financial Times ressalta que indicadores da economia brasileira “têm sido fortes”, incluindo as taxas baixas de desemprego, mas condena uma “política fiscal frouxa” que “contribuiu para taxas de juros muito altas” e, com isso, “penalizou” a grande proporção de endividados. O jornal ainda criticou que Lula tenha sido eleito em 2022 com apoio de partidos de centro, mas tenha se “refugiado com muita frequência na zona de conforto do PT” e, assim, se isolado politicamente.
Mas, para o FT, o “maior problema” do petista é o fato de ele estar há muito tempo na cena política, o que o fez responder pelo “fracasso” até de outros, citando, sem citar nomes, os escândalos do Banco Master e os respingos dessa crise no ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“O maior problema de Lula é que ele se tornou parte da paisagem de Brasília. Esta é sua sétima candidatura à presidência — a primeira foi em 1989 — e ele busca um quarto mandato no total. Apresentar-se como defensor da democracia só reforçou essa impressão. O resultado é que ele é culpado pelos fracassos dos outros. Uma das maiores histórias da eleição foram as revelações sobre as ligações entre vários membros do Supremo Tribunal Federal e o ex-dono de um banco que faliu. Entre eles, um juiz fundamental na condenação de Jair Bolsonaro”, lê-se no texto.
O Financial Times pondera que Lula não foi diretamente ligado ao escândalo — “ao contrário de Flávio Bolsonaro, que solicitou financiamento do banqueiro para um filme sobre seu pai”. Apesar disso, a “repulsa generalizada” à percepção de corrupção entre as elites “o prejudicou seriamente”.
O jornal dá Lula como vencido. Para a publicação, o Brasil agiu para conter Jair Bolsonaro, mas, em meio à forte polarização, com a indignação constantemente alimentada nas redes sociais e a suspeita arraigada em relação às elites, “Lula não conseguiu vencer o bolsonarismo”.

Volta de Bolsonaro ao poder no Brasil expõe a fragilidade de Lula, diz Financial Times