Geógrafo, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e escritor, Elias Jabbour (PCdoB) foi a escolha de 103.219 cariocas para uma vaga de deputado federal. No domingo, ao ouvir que tinha passado dos cem mil votos em sua primeira eleição, chorou: “Vocês que transformaram essa ideia em força material. Sou apenas uma voz: um gago, esquisito”, disse à equipe e aos eleitores que o acompanhavam.
Dos 46 eleitos, só dez são mulheres: Bancada do Rio na Câmara dos Deputados é majoritariamente masculina e de direita
Apesar de envolvida em escândalos que levaram à prisão de deputados, Alerj tem a menor taxa de renovação desde 2018
A história de vida do paulista que reside há 12 anos no Rio e toca na bateria da Vila Isabel é de superação. Filho de um imigrante libanês e de mãe paraibana, que exerceu a prostituição, ele se orgulha da família, assim como da trajetória de estudo e trabalho: formou-se na USP, escreveu seis livros, foi presidente do Instituto Pereira Passos, órgão da Prefeitura do Rio, e consultor do Banco do Brics, na China, por dois anos. Recentemente, descobriu ter o Transtorno do Espectro Autista depois que seu filho foi diagnosticado como neurodivergente.
Na luta política, Jabbour defende a reindustrialização do Rio e do país. Para ele, a falta de oportunidades abriu caminho para o crime se entranhar nos territórios e impactar perspectivas de futuro.
Suspeitos de furtar carros de luxo na zonas Sul e Sudoeste do Rio e vendê-los a traficante da Serrinha são presos
— Este é o eixo principal da minha proposta: industrialização de forma acelerada. Nós perdemos muitos empregos, o Brasil perdeu relevância no mundo por conta disso, e, junto, a sua identidade. Sem empregos de qualidade, que garantam mobilidade social, as pessoas perdem a esperança — diz o professor, que garante seguir dando aulas na Uerj enquanto exercer o mandato.
A defesa da pauta trabalhista ganha força também na discussão contra a escala 6×1.
— Esta é uma pauta que está mais de 50 anos atrasada. O Brasil, de 1978 a 2024, teve aumento de 35% de produtividade na economia. E isso não se reverteu nem em renda, nem em empregos. O fim dessa escala faz uma reparação histórica — acredita. — E envolve o direito ao descanso, à cidade, que também movimenta a economia.
Embates de ideias
No período pré-campanha, o candidato peregrinou por canais com grande aderência da direita e apresentou suas ideias, pacientemente, a diferentes perfis de adversários ideológicos. Agora, Jabbour pretende levar a Brasília discussões que envolvam o que chama de “reconstrução do país com um plano nacional de desenvolvimento”.
— Meu contraponto aos eleitores é o seguinte: você é a favor ou contra o Brasil? A favor ou contra o Brasil ser um país industrializado, com empresas de diferentes setores? Quem defende a soberania do Brasil? — questiona. — São decisões políticas estratégicas que vão pautar também a nossa política educacional. Assim vai ser meu debate com a direita na Câmara dos Deputados e vai ser meu debate em qualquer lugar.
Em defesa da indústria e do fim da escala 6×1: saiba quem é Elias Jabbour, eleito deputado federal pelo PCdoB
