O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de entregar intencionalmente os corpos de 20 soldados russos, incluindo um cidadão israelense, a Kiev, em vez dos corpos de ucranianos, conforme acordado durante uma recente troca de militares mortos.
— Acreditamos que estejam fazendo isso deliberadamente para mostrar quantos corpos ucranianos supostamente possuem” e para minimizar o número de soldados russos mortos — disse o presidente ucraniano durante uma coletiva de imprensa.
- Após Trump chamar Putin de ‘louco’: Kremlin lança maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da guerra
- Diz jornal: Rússia condiciona fim do avanço na Ucrânia a reconhecimento de anexação da Crimeia pelos EUA
Entre os 20 corpos “está, por exemplo, o de um mercenário israelense que lutou com eles e o de um cidadão israelense com documentos israelenses”, explicou Zelensky.
— Há até corpos com passaportes russos — observou o presidente ucraniano, que acusou a Rússia de “mentir” ao afirmar que estava apenas entregando os restos mortais de ucranianos.
Há dois dias, Rússia e Ucrânia anunciaram mais uma etapa da troca de prisioneiros de guerra acertada no começo do mês, durante conversas diretas entre os dois lados na Turquia. Desta vez, as partes não revelaram quantos militares voltaram para seus países. Pelo acordo firmado no início de junho, mil militares de cada lado seriam libertados, priorizando os militares feridos e com menos de 25 anos.
“Nosso povo está retornando do cativeiro russo. São combatentes das Forças Armadas, da Guarda Nacional e do Serviço de Guarda de Fronteira do Estado. A maioria deles estava em cativeiro desde 2022”, escreveu à época o líder ucraniano em suas redes sociais. “Estamos trabalhando para trazer nosso povo de volta. Agradeço a todos que ajudam a tornar essas trocas possíveis. Nosso objetivo é libertar cada um deles.”
Em comunicado, o Ministério da Defesa russo afirmou que “um grupo de militares russos foi devolvido do território controlado pelo regime de Kiev”, e que “em troca, um grupo de prisioneiros de guerra das Forças Armadas Ucranianas foi transferido”. Os militares, afirma o ministério, foram levados à Bielorrússia, e “serão transportados para a Federação Russa para tratamento e reabilitação nas instituições médicas do Ministério da Defesa “.
- Operação ‘Teia de Aranha’: O que se sabe sobre o mega-ataque a drone da Ucrânia na Rússia e seu o impacto para a guerra?
- Autobiografia póstuma: Em ‘Patriota’, Alexei Navalny entrelaça a própria trajetória com os rumos da Rússia pós-URSS
Durante as negociações do dia 2 de junho, os dois lados também concordaram com o retorno dos corpos de seis mil militares mortos em combate, de cada lado, um processo que também está em curso. Mas não houve, e não há, sinais de que russos e ucranianos estejam perto de um acerto sobre uma pausa nos combates, e sobre os primeiros passos para o fim da guerra.