Na disputa pelo governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) negou que, caso eleito, favorecerá empresários doadores de sua campanha. A declaração foi proferida nesta sexta-feira em entrevista ao programa MG1, da TV Globo. Na ocasião, ele também relatou ter decidido não apoiar a indicação de um aliado para o Senado de um aliado indiciado por suspeita de envolvimento nas fraudes do INSS e respondeu sobre o vaivém de sua própria candidatura na largada da campanha.
Disputa em Minas: Na liderança da disputa pelo governo de Minas, Cleitinho mobiliza apoio de candidatos do PL e vira alvo de rivais
Mapa da campanha presidencial: Sudeste concentra 70% dos compromissos dos candidatos enquanto Norte é deixado de lado
Durante a entrevista, o parlamentar foi questionado sobre o uso de aviões particulares de aliados para os deslocamentos entre as agendas nas últimas semanas e sobre o financiamento de sua campanha a partir das doações de empresários ligados ao agronegócio e de outros setores sujeitos a processos de licenciamento ambiental que precisam do aval do governo estadual. Em resposta, Cleitinho disse que recebe o apoio de pessoas que acreditam em seu projeto político e negou que as contribuições possam resultar em trocas de favores em uma eventual administração estadual.
— Eu quero deixar bem claro aqui. Quem quiser me ajudar agora, seja bem-vindo. Na hora em que eu governar, se eu estiver lá, ninguém vai ter autonomia, vai querer se intrometer no meu governo, não — disse o senador.
O parlamentar decidiu não usar o fundo eleitoral do Republicanos, após atritos com a direção da sigla, que chegou a suspender a candidatura dele ao governo, mas depois decidiu voltar atrás. Sem acesso aos recursos do partido, a campanha tem sido financiada por contribuições privadas, que somam R$ 719 mil. Quatro dos cinco maiores doadores listados no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são ligados ao agronegócio.
Entre eles, estão nomes como Eduardo Pinheiro Campos Filho, dono da empresa de seleção de gado Terra Brava Agropecuária e responsável pelo aporte de R$ 100 mil, e Rodrigo de Andrade de Souza Lima, CEO do frigorífico Frigoleste, que doou R$ 51 mil. Além deles, estão Paulo Veloso Júnior, líder da Veloso Green Coffee, produtora e exportadora de café, e Elias Ferreira Caixeta, sócio-administrador da Valorem Agronegócios, beneficiadora de sementes de milho. Os dois doaram R$ 50 mil cada.
Relação com aliado indiciado por fraude do INSS
Na entrevista, Cleitinho disse que decidiu não endossar uma possível candidatura ao Senado do presidente do diretório estadual do Republicanos, o deputado federal Euclydes Pettersen, após o indiciamento dele pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apurou as fraudes no INSS. Investigadores afirmam que o parlamentar atuou de forma continuada como o principal “fiador político” de uma organização criminosa que atuava no desvio de recursos dos aposentados. Ainda segundo a investigação, o parlamentar teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em propinas por meio de transferências fracionadas feitas a partir de contas de passagem de lotéricos e empresas de fachada.
— Eu conversei com ele e falei: “Agora eu não consigo te apoiar como candidato a senador. Esquece a gratidão que eu tenho por você, a questão partidária, a amizade, mas agora você tem um processo para poder se defender” — disse Cleitinho. — Essa investigação é dele. Pega o relatório da Polícia Federal e vê se tem alguma fala minha, algum contato com esse pessoal, com o próprio Euclydes. A política eu faço com ele, que se tornou um cara que é amigo meu. Agora, se ele estiver errado, vai ter que pagar.
Questionado sobre o processo de indefinição de sua candidatura durante a pré-campanha, o senador disse que entrou para a política sem planejar uma carreira, mas que, ao assumir o primeiro mandato, passou a compreender seu papel. Ele também afirmou que “deixou o povo escolher” se ele deveria concorrer ao governo de Minas neste ano e passou a observar seu desempenho nas pesquisas.
— O eleitor que me conhece sabe que eu sou totalmente comprometido, verdadeiro e transparente. […] A partir do momento em que entrei na política, eu tive o comprometimento de entender a importância que tem a política na vida das pessoas — disse.
Initial plugin text
Cleitinho nega troca de favores com doadores de campanha se eleito em MG: 'Ninguém vai querer se intrometer no meu governo'
Na disputa pelo governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) negou que, caso eleito, favorecerá empresários doadores de sua campanha. A declaração foi proferida nesta sexta-feira em entrevista ao programa MG1, da TV Globo. Na ocasião, ele também relatou ter decidido não apoiar a indicação de um aliado para o Senado de um […]