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pescadores de Magé reflorestam mangue 25 anos após vazamento de óleo na Baía de Guanabara

BRCOM by BRCOM
junho 5, 2025
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Reflorestamento na Baía de Guanabara. Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000 — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Há 20 anos, o cenário nas margens da Baía de Guanabara em Magé era de terra arrasada. A região, afetada por décadas de degradação e, sobretudo, pelo desastre ambiental de 18 de janeiro de 2000 — quando 1,3 milhão de litros de óleo combustível e graxa vazaram de um duto da Petrobras —, tornou-se um símbolo de ocaso ambiental. A mancha química que atingiu a orla do município na Baixada Fluminense contaminou a terra, dizimando o seu amplo manguezal.

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De lá para cá, porém, um grupo de pescadores de Magé, em um trabalho de formiguinha, replantou o ecossistema costeiro, dando origem à área verde de 113,7 hectares onde, mês passado, foi inaugurado o Parque Natural Municipal Barão de Mauá. A recuperação do local virou um exemplo de resistência, educação ambiental e transformação.

Reflorestamento na Baía de Guanabara. Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000 — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

O trabalho foi todo realizado por moradores como Adeimantus Carlos da Silva, o Mantu, que dedicou 24 de seus 46 anos de vida ao parque. O gestor ambiental cresceu vendo a biodiversidade do mangue definhar. Ele é um dos líderes da comunidade pesqueira que iniciou, nos anos 2000, a retirada de lixo, o plantio de mudas nativas e a reocupação da área. Hoje, Mantu coordena atividades com estudantes no parque, ensina crianças a identificar espécies nativas e mantém viva a memória do território.

— Quando começamos, muita gente achou que era só plantar e ir embora. Mas a gente ficou. A gente cuidou. E, agora, tem árvore de novo, tem passarinho, tem caranguejo. O mangue está respirando — descreve o guia, com orgulho.

O vazamento ocorreu em um oleoduto que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao Terminal Ilha d’Água. Foi um dos maiores desastres ambientais do Brasil. A mancha de óleo se espalhou por 40 quilômetros quadrados da baía. O episódio afetou a pesca e a saúde da população. A Petrobras foi multada e selou acordo de indenização com mais de 12 mil pescadores.

Arenildo Vieira Navega, de 52 anos, é caranguejeiro. Nascido em Campos e criado em Magé, viu de perto a região agonizar após o vazamento. Mas também a viu renascer, pouco a pouco, pelas mãos dos pescadores.

Reflorestamento na Baía de Guanabara. Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Reflorestamento na Baía de Guanabara. Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

— Muita gente não acreditava, mas o ser humano é capaz de coisas extraordinárias. Hoje, além de ser um berçário natural, esse lugar também traz renda. A pesca na baía vem sofrendo muito com a ação predatória. É esse projeto que coloca comida na mesa dos caranguejeiros — afirma Navega. — O caranguejo se alimenta da folha do mangue. Se não tem folha, não tem vida.

O manguezal morto renasceu como uma floresta jovem, composta por mais de 50 mil mudas de espécies nativas cultivadas no viveiro comunitário do parque, como mangue-vermelho, mangue-branco e mangue-negro. A fauna é rica, com mais de cem espécies catalogadas de aves, mamíferos, répteis e crustáceos.

O parque tem uma passarela de 915 metros que permite a imersão no mangue, além de uma torre de observação com 11 metros de altura e um deck na praia. A estrutura facilita o acesso de pesquisadores de instituições de ensino como a UFRJ, A UFF e a Uerj, que vêm estudando a área.

— Representantes de outras prefeituras do estado também já estiveram no parque com a intenção de levar a tecnologia implementada aqui para revitalizar outros mangues — diz o secretário de Meio Ambiente de Magé, Carlos Henrique Rios Lemos.

Reflorestamento na Baía de Guanabara. Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Reflorestamento na Baía de Guanabara. Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Mas o esforço local continua. O lixo que as pessoas jogam na baía vai parar no mangue. A limpeza da área é impulsionada pelo projeto Águas da Guanabara. Em três anos, com ajuda de pescadores, a ação removeu 1,2 mil toneladas de resíduos. O trabalho também incluiu a realização de exposições sobre a importância da preservação do ambiente marinho.

— Além de limpar nosso lugar de trabalho, o Águas da Guanabara nos ajudou a formar uma consciência coletiva sobre a importância da preservação na área — afirmou Elaine Cristina, presidente da Colônia Z9, que integra o projeto.

Em outubro do ano passado, o Estado do Rio foi a única unidade da Federação a registrar aumento em sua cobertura florestal desde 1985. Houve expansão na área de Mata Atlântica de 30% para 32% do território, o que equivale a um ganho do tamanho de 87 mil campos de futebol, segundo dados do MapBiomas.

Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Pesquisador do MapBiomas, Marcos Rosa atribui o resultado positivo a projetos e políticas públicas de reflorestamento.

— As novas áreas verdes não absorvem tanto carbono quanto uma floresta antiga, mas protegem a água, melhorando a qualidade das nascentes — diz ele.

Após o derramamento de óleo em 2000, o trabalho de restauro envolveu a abertura de valas e canais para facilitar a entrada e saída da água do mar, além do plantio de mudas e da retirada de detritos. A técnica foi desenvolvida por tentativa e erro, buscando-se recuperar o manguezal.

— A criação de valas e canais permitiu a reintrodução da maré no ecossistema, um fator crucial para o ambiente respirar adequadamente — explica Mantu.

Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO
Parque Natural Municipal Barão de Mauá foi recuperado depois de 25 anos do derramamento de óleo vindo dos dutos da Petrobrás em janeiro de 2000. — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Para o ambientalista e geógrafo Mario Moscatelli, que há décadas estuda a degradação da Baía de Guanabara, o trabalho em Magé é uma rara exceção positiva num cenário ainda crítico:

— A baía como um todo está longe de ter uma recuperação significativa. A maior parte dos rios continua poluída, o tratamento de esgoto é insuficiente, e a política ambiental do estado é errática. Mas o que vemos em Magé mostra que, quando há articulação local, a natureza responde. A recuperação ambiental precisa considerar o fator humano. Sem a comunidade, teria sido inviável — conclui Moscatelli.

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