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Sem higiene: fábrica clandestina de salgados árabes abastecia barraquinhas na Zona Sul, Zona Norte e na Zona Oeste | Rio

BRCOM by BRCOM
junho 5, 2025
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Polícia estoura fábrica clandestina de salgados em condições precárias de higiene

Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) e da 32ªDP(Taquara) descobriram que a fábrica clandestina de salgados árabes, fechada nesta quarta-feira no Andaraí, na Zona Norte do Rio, após ser flagrada funcionando em precárias condições de higiene, incluindo a presença de ratos e baratas, fornecia alimentos como quibes e esfirras para barraquinhas localizadas no Leblon e em Ipanema, na Zona Sul. O mesmo material também era enviado para revenda em carrocinhas na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, na Praça Saens Pena, na Tijuca, na Zona Norte, e ainda no Centro do Rio.

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Segundo a polícia, uma das barraquinhas abastecida pela fábrica clandestina funcionava na Cruzada São Sebastião, no Leblon. Os salgados também revendidos do mesmo jeito em Ipanema. Outras revendas eram realizadas no Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, na Praça 15 e na Avenida Presidente Vargas, e na Cinelândia, no Centro, e ainda na Praça Saens Pena, na Tijuca, na Zona Norte.

2 de 2 Baratas foram encontradas circulando entre restos de alimentos — Foto: Reprodução

Baratas foram encontradas circulando entre restos de alimentos — Foto: Reprodução

A estimativa da polícia é a de que a fábrica comercializava cerca de dez mil salgados por dia. Cada unidade era vendida por R$2 para os proprietários das barraquinhas.

Polícia estoura fábrica clandestina de salgados em condições precárias de higiene

Dez pessoas chegaram a ser levadas para a Decon . Cinco sírios e um taxista brasileiro, este último, segundo a polícia, encarregado de fazer entregas, foram presos e autuados em flagrante por crime contra a relação de consumo e associação criminosa. A polícia apreendeu e inutilizou com cloro aproximadamente uma tonelada de alimentos, entre salgados, carne e trigo. A fábrica funcionava em uma casa alugada de dois pavimentos, localizada na Rua Amaral, altura do número 5, no Andaraí. Segundo o delegado Wellington Vieira, da Decon, no térreo da residência os produtos eram produzidos em péssimas condições de higiene. Já o andar superior era o local onde o grupo de sírios costumava dormir.

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— Chegamos ao local após uma recebermos uma denúncia. As condições de higiene eram péssimas. Encontramos baratas, ratos e comidas espalhadas pelo chão, entre outras coisas. A vigilância sanitária esteve no local a nosso pedido. A fábrica não tinha alvará ou licença e foi periciada. Ela já havia sido interditada em 2024 pela vigilância sanitária e foi mais uma vez interditada, nesta quarta-feira. Também vamos pedir que o proprietário do imóvel faça o cancelamento do contrato de locação com os donos da fábrica para evitar que ela volte a funcionar. Três dos sírios presos seriam os dinos do negócio — explicou o delegado.

Com relação aos sírios encontrados na fábrica, o delegado afirmou que a situação legal deles no Brasil será apurada:

— Em relação à situação dos sírios no Brasil, a gente está pedindo colaboração da Polícia Federal e também da Embaixada da Síria para, a partir das identidades, entender qual é a condição deles. Pode ser que sejam refugiados, vindo do regime totalitário na Síria, mas também pode ser que não seja isso. A gente precisa confirmar esses fatos, e a Polícia Federal vai ajudar nisso. Também pedimos ajuda de um intérprete já que falam pouca coisa em português — disse o delegado.

O advogado Felipe Prazeres Mourelle esteve na delegacia acompanhando o caso a pedido de parentes de uma das pessoas levadas para a Decon. Ele alegou que a maioria dos detidos não teria relação com a fábrica.

— Vim para a delegacia a pedido de um parente de uma das pessoas que estava sendo conduzida para delegacia. Aqui me deparei com esta situação, de muitas pessoas e, como estavam desassistidas, eu optei por acompanhar os depoimentos para assegurar que os direitos deles fossem preservados. A maioria das pessoas que foram conduzidas para delegacia não têm qualquer relação com a fábrica. Muitas trabalhavam em barracas próximas e nem estavam na fábrica – disse o advogado.

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Durante a operação, quando os policiais entraram no espaço da fábrica onde eram preparados os quibes e as esfirras, eles se depararam com um ambiente totalmente insalubre. Havia uma panela com óleo escurecido, o que indica a hipótese de reúso. Uma bacia com carne moída foi encontrada no chão. Já as paredes tinham sinais de mofo.

Restos de massa usados na preparação de alimentos foram encontrados espalhados em bancadas. Nos utensílios havia restos de insumos usados no preparo dos salgados. Parte dos produtos estava em caixas de isopor com marcas escurecidas e com partes se desmanchando.

Segundo a polícia, foram apreendidas durante operação pelo menos cinco barraquinhas, além de quatro máquinas de cartões. Os presos deverão passar por uma audiência de custódia que deverá ser realizada entre quinta-feira e o próximo sábado. Na ocasião, um juiz vai decidir se confirmará a validade do flagrante. O magistrado também poderá optar ou não pela liberação dos detidos. Em caso de soltura, eles passariam a responder em liberdade pelos crimes que motivaram as autuações em flagrante.

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