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Brasil teve mais de 100 casos entre 2020 e 2024

BRCOM by BRCOM
julho 26, 2025
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Lucas da Silva, internado em estado grave após comer um bolinho de mandioca supostamente envenenado — Foto: Reprodução

São crimes meticulosos, que requerem planejamento e, com frequência, têm como autores membros da família da vítima. E que acontecem mais do que se imagina. Entre 2020 e 2024, o Brasil registrou 107 homicídios por envenenamento, como mostram dados abertos analisados pelo GLOBO do Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Na média, é como se a cada 17 dias um assassino alcançasse sucesso ao se valer de substâncias tóxicas com o objetivo de matar.

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Um dos exemplos mais recentes é o de Lucas da Silva Santos, de 19 anos, que morreu no último domingo após comer um bolinho de mandioca envenenado em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O padrasto do jovem, Ademilson Ferreira dos Santos, confessou que acrescentou veneno de rato à refeição da família, em um pote de creme de leite que era consumido junto com os quitutes.

Só em 2025, vários casos já chocaram o país. Em junho, a adolescente Ana Luiza de Oliveira Neves, de 17 anos, morreu após comer um bolo de pote dado por uma amiga em Itapecerica da Serra (SP). Em abril, em Imperatriz (MA), Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, foi envenenada com um ovo de Páscoa entregue pela ex-mulher do pai — o irmão dela, de 7 anos, também não resistiu. No 1º dia do ano, no interior do Piauí, Manoel Leandro da Silva, de 18 anos, foi internado com outros oito parentes que comeram alimentos recebidos como doação. Ele e um bebê morreram.

— Em geral, são situações de vingança e maldade com traços de psicopatia, com autores de comportamento mais discreto e sem histórico de agressividade — diz o psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro.

A maioria dos alvos é do sexo masculino: 78% dos envenenados entre 2020 e 2024 eram homens. Embora outros episódios que repercutiram este ano tenham vitimado adolescentes e até crianças, a faixa etária que mais sofre mais com esse tipo de crime é a de 21 a 40 anos (42%), enquanto 70% eram pretos ou pardos.

Os estados que concentram o maior número de mortes nos cinco anos analisados são a Bahia, com 20, e São Paulo (11). Entre as cidades, o Rio de Janeiro lidera, com cinco casos, seguido das baianas Ilhéus e Salvador (quatro cada).

Lucas da Silva, internado em estado grave após comer um bolinho de mandioca supostamente envenenado — Foto: Reprodução

Especialistas explicam que provar que a morte se deu por envenenamento requer minúcia. Médico legista e diretor do Núcleo de Toxicologia Forense do Instituto Médico-Legal de São Paulo, Victor Gianvecchio frisa que, quanto mais tempo desde o contato com a substância até a realização dos exames toxicológicos, mais difícil é detectar o veneno.

— Se a pessoa já foi socorrida, internada, morreu muito depois da intoxicação, às vezes não é mais possível detectar. O diagnóstico passa por uma série de etapas. A morte pode parecer natural, e a autópsia apresentar poucos sinais de crime — narra Gianvecchio.

O consumo indesejado pode ocorrer com uma única dose letal ou aos poucos. A forma mais comum, como nos casos citados, é misturar a substância à comida. Em Ribeirão Preto (SP), o veneno de rato era acrescido à sopa da professora de Pilates Larissa Rodrigues, intoxicada de forma lenta pelo marido, Luiz Antonio Garnica, e pela sogra, Elizabete Arrabaça, segundo o Ministério Público. Eles negam o crime. Larissa morreu em março.

— No caso de exposição crônica (de longo prazo) ao veneno, podemos encontrar vestígios no cabelo, por exemplo. Hoje, as principais polícias do país já têm equipamentos para fazer a análise, e as técnicas são suficientes para detectar a intoxicação, desde que o composto ainda esteja presente — explica Bruno Spinosa de Martinis, professor do Departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP).

Lucas Santos teria sido morto com chumbinho, um veneno de rato vendido irregularmente pelo país. Ele é apresentado em pequenas bolinhas pretas ou amarronzadas que costumam conter aldicarbe, agrotóxico usado como raticida e proibido pela Anvisa desde 2012. Procurada, a agência informou que “a fiscalização do comércio local de produtos irregulares é feita pelas vigilâncias sanitárias locais”.

Além de agrotóxicos, em outras mortes registradas na plataforma do Ministério da Saúde foram detectadas drogas, adubo, gases e substâncias corrosivas. Os dados vêm das declarações de óbito fornecidas pelos estados. Para o levantamento, foram considerados os casos em que a morte foi registrada como homicídio com uso de substâncias tóxicas.

— A utilização de aldicarbe é muito comum, mas eventualmente também detectamos glifosato (tipo de herbicida) no interior — conta o diretor do Laboratório Central de Polícia Técnica da Bahia, o perito criminal Jacob Cabús.

Quem comete um assassinato com veneno pode pegar até 30 anos de prisão. Advogada e professora de Direito Penal do Mackenzie, Jenifer Moraes explica que, para o réu receber a punição mais grave, é necessário que as provas apontem a intenção clara de matar. Se a Justiça entender, por exemplo, que o acusado queria causar uma lesão corporal e acidentalmente tirou a vida de alguém, o crime muda, e a pena máxima passa a ser de até 12 anos de reclusão.

— É preciso comprovar o dolo, ou seja, que o agente agiu com vontade e conhecimento para a prática do homicídio — explica Moraes.

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