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o que o governo tentou (sem sucesso) para se aproximar de Trump e evitar tarifaço

BRCOM by BRCOM
julho 31, 2025
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Produtos que ficaram e que saíram do tarifaço — Foto: Criação O Globo

Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu seu segundo mandato, em 20 de janeiro, o governo brasileiro implementou a cartilha tradicional de diplomacia e relações bilaterais, na tentativa de abrir portas de acesso a pessoas que tenham influência no mundo trumpista.

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Antes e depois do primeiro tarifaço global de Trump, em 7 de abril, a cartilha permitiu ao Brasil concretizar reuniões presenciais e virtuais, mas nunca conseguiu o resultado esperado. O Brasil, diferentemente de outros países, não sentou na mesa para negociar com os EUA de Trump antes do anúncio de ontem.

Desde 9 de julho, quando Trump anunciou tarifa de 50% para produtos brasileiros através da rede social Truth Social, a negociação se tornou mais difícil, já que o fator Jair Bolsonaro gerou clima de medo entre representantes do governo dos EUA que, segundo fontes em Washington, “receberam a orientação de não se engajar com o governo Lula”.

As dificuldades do governo brasileiro, segundo fontes, “geram frustração e preocupação entre empresários envolvidos no comércio entre os dois países. Muitos se perguntam como a situação será contornada, e a resposta sempre leva à mesma conclusão: é preciso falar a língua de Trump, e conseguir atrair a atenção do presidente americano. Receitas antigas não funcionam”.

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A língua de Trump significa investimentos nos EUA e vantagens para empresas americanas. Algumas fontes se atreveram a dizer que esses elementos são, na mente do presidente americano, “mais importantes do que Bolsonaro”. Isso não quer dizer que Trump abandonará a causa bolsonarista.

Produtos que ficaram e que saíram do tarifaço — Foto: Criação O Globo

Mas, assim como negociou com a ditadura venezuelana em nome de renovar concessões para a Chevron na Venezuela — causando revolta entre opositores de Nicolás Maduro —, poderia dialogar com Lula se a negociação atender interesses econômicos.

O problema na relação com o presidente americano, explicou um experiente negociador comercial americano que pediu para não ser identificado, “é que a cartilha tradicional não tem efeito em Washington”. O presidente americano ouve poucas pessoas, e a diplomacia profissional americana é uma das vítimas da tsunami trumpista.

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O Departamento de Estado, assim como várias agências do governo americano, sofreu cortes drásticos, sinalização de que as decisões se concentram na Casa Branca, onde o governo Lula não conseguiu ter influência.

O que pode funcionar nesse novo e inédito esquema, no qual o Brasil sofreu tentativa de ingerência política inédita em mais de 200 anos de relações bilaterais? Essencialmente elementos econômicos, explicou uma fonte, que “façam Trump se interessar em negociar com o país. No caso do Brasil, o desafio é separar o político do comercial”.

Em compensação, o governo impulsionou ainda mais o Brics neste ano, o que tem sido alvo de críticas de Trump. O grupo discute formas de pagamento em moeda local — cogitando até mesmo, no futuro, ter moeda própria — o que é lido pelo mandatário americano como ameaça à supremacia do dólar.

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Os caminhos que o Brasil tentou seguir, aplicando cartilha que não funciona no mundo Trump, são variados. Eventos culturais na embaixada brasileira em Washington para os quais foram convidadas personalidades com acesso ao mundo Trump; contatos com o setor privado, formadores de opinião e congressistas republicanos que poderiam ajudar a construir pontes; conversas com funcionários do governo nas áreas de comércio, entre eles o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, o secretário de comércio, Howard Lutnik, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Nos dias 8 de março e 2 de abril, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com Greer, do USTR (Representante de Comércio dos EUA). No total, negociadores brasileiros, entre eles o embaixador Mauricio Lyrio, Secretário de Meio Ambiente e Energia — até pouco tempo Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros —, tiveram seis reuniões virtuais e uma presencial com pares do governo americano.

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A última reunião virtual aconteceu no dia 4 de julho, cinco dias antes de o governo Trump anunciar a tarifa de 50% ao Brasil.

Já o vice-presidente, Geraldo Alckmin, conversou virtualmente no dia 6 de março com Greer e Lutnik. Em 19 de julho, após o tarifaço de 50%, Alckmin voltou a conversar com Lutnik, durante quase uma hora.

De acordo com rumores que circulam em Washington, na conversa de 19 de julho o funcionário americano mencionou a situação de Bolsonaro como um impedimento para avançar em eventuais negociações comerciais.

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Procurados pelo GLOBO, assessores do vice-presidente disseram que não ter informação sobre o conteúdo.

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  • Casa Branca é que define
  • A etiqueta da rotina diplomática
      • o que o governo tentou (sem sucesso) para se aproximar de Trump e evitar tarifaço

Casa Branca é que define

Esta semana, Alckmin se reuniu com representantes das big techs e do setor financeiro e com William Kimmit, assessor sênior da Secretaria de Comércio dos EUA. Mas apesar do otimismo mencionado antes da confirmação do tarifaço, não foi possível abrir a porta para a negociação.

“Uma parte importante do governo Trump só quer se relacionar com os Bolsonaro. São funcionários que acham que as normas diplomáticas não importam, e isso virou um grande problema”, disse uma fonte em Washington.

Outro elemento adverso para o Brasil é sua pouca relevância na lista de países com os quais Trump ainda precisa negociar, como México e Canadá.

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“As empresas devem procurar outros canais, a diplomacia tradicional não vai levar a lugar nenhum. As agências (ministérios) do governo americano têm medo e não sabem como tratar a questão Bolsonaro, os interesses das big techs aliadas a Trump. As agências não têm capacidade para negociar a questão política”, disse a fonte. Nada avançará no trilho comercial, sem destravar a questão política.

A missão de senadores brasileiros em Washington não teve mais sorte. Conseguiu agendar encontros com congressistas (a maioria democratas), representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e visita à Câmara de Comércio. Mas na prática a frase “quem define é a Casa Branca” é repetida à exaustão.

O impasse, dizem fontes em Brasília, foi criado por Trump ao colocar a questão Bolsonaro como condição para resolver um problema comercial. Nos bastidores, o Brasil tenta transmitir sua vontade de retomar as conversas com os EUA, mas sempre deixando claro “que soberania não se negocia”.

A etiqueta da rotina diplomática

  • Quando um embaixador chega a um novo posto, deve apresentar cartas credenciais às mais altas autoridades do país. Antes de apresentar, geralmente ao presidente, o embaixador entrega cópia figurada ao Ministério das Relações Exteriores do país onde será o máximo representante diplomático de seu país.
  • Mesmo antes de entregar as cartas credenciais, ato que o torna formalmente o representante de seu governo no país ao qual foi destinado, o embaixador começa a circular, fazer contatos com o setor privado, ministérios, sociedade civil e mundo acadêmico.
  • Uma das principais funções dos embaixadores é representar seu governo em atos públicos, eventos e cerimônias que contam com a presença de autoridades do país no qual está destinado.
  • Os embaixadores se comunicam com o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, através dos chamados telegramas diplomáticos.
  • Existem três tipos de telegramas: os ostensivos, que chegam a um número maior de pessoas e podem ser acessados por meio de pedidos formais de acesso à informação. Os reservados, de circulação mais restrita e que não podem ser acessados por cinco anos, e os secretos, que não podem ser divulgados por 15 anos. Os prazos podem ser prorrogados.
  • Telegramas reservados e secretos estão cifrados, sistema que funciona automaticamente quando o embaixador decide. Nas relações entre Brasil e EUA, dizem fontes, a maioria da comunicação é reservada ou secreta.

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