Lembra dos 63 vetos de Lula à nova lei do Licenciamento Ambiental? Pois bem, eles devem aguardar na fila antes de serem analisados pelo Congresso Nacional. Isso porque o parlamento (leia-se Davi Alcolumbre) tem outra prioridade: a aprovação da MP 1308/25, que regulamenta a Licença Ambiental Especial (LAE). A medida provisória, uma “contrapartida” apresentada pelo próprio governo para acalmar os ânimos do Centrão, pode acelerar a perfuração de novos poços de petróleo da Foz do Amazonas, jorrando royalties no Amapá de Alcolumbre. E veja só, o texto da MP, que chegou ao Congresso há menos de um mês, já conta com 833 propostas de emenda — sim, 833!, algumas com temas idênticos aos que foram vetados por Lula no PL original. Ao que parece, os parlamentares encontraram um jeito criativo de driblar o Executivo, reinserindo os pontos mais graves — como o enfraquecimento da proteção à Mata Atlântica — em uma medida provisória, que tem prazo curto para ser votada.
As emissões brasileiras de metano, o segundo gás de efeito estufa mais importante, cresceram 6% entre 2020 e 2023, apesar de o país ter assinado em 2021 na Escócia um compromisso global de cortar o gás. As conclusões são de um novo estudo do Observatório do Clima. O aumento está na conta dos arrotos de um rebanho bovino que só faz crescer. Mas é também na agropecuária que está o maior potencial de redução dessas emissões: só dando escala a tecnologias já existentes, daria para cortar 28% do metano do país até 2035.
Desce: O sequestro de carbono
Lobistas fósseis gostam de dizer que a solução mais simples e barata para o clima é plantar árvores em vez de cortar o uso de petróleo. Um estudo na revista Science acaba de botar água nesse chope: a área teoricamente disponível para plantio no planeta seria de 390 milhões de hectares (um Paraguai), cerca de um terço do que se imaginava. E mesmo se fosse ocupada com florestas, isso seria enxugar gelo sem um corte radical no uso de combustíveis fósseis.
Castanha do Pará: contundida
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Não é só a hospedagem que inflacionou no estado-sede da COP. O preço da castanha do Pará mais que dobrou em relação ao ano passado — causado não pela especulação, mas pela mudança do clima. A junção do fenômeno El Niño com o aquecimento do Atlântico Norte esquentou as águas na região do Equador em 2ºC, resultando na pior de que se tem notícia (a queda pode chegar a 80%, de acordo com fontes da Embrapa). Na Terra Indígena Apiaká-Kayab, no Mato Grosso, faltou castanha até para consumo próprio.
Anti-jogo: Governo Trump fecha eólica de R$22 bilhões
Não basta ser negacionista, tem que parecer negacionista — este parece ser o mote do presidente americano Donald Trump. Após tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, seu governo ordenou, agora, o fechamento de uma usina eólica offshore, na costa de Rhode Island, que levaria energia a 350 mil residências (a construção, orçada em R$22 bilhões, está 80% pronta). A decisão deve ter feito brilhar os olhos da indústria do combustível fóssil, que vinha perdendo espaço, apesar de ainda alimentar 60% da matriz energética americana.
Combinar com os indianos: Corrêa do Lago tenta tabelinha com Modi
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O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, viajou ontem para a Índia. O objetivo não-declarado da visita é tentar trazer o maior país do mundo e terceiro maior emissor do planeta para o “mutirão”, convencendo o premiê Narendra Modi a vir para Belém em novembro. A resistência de Modi, aliado fiel de Donald Trump, vinha sendo um dos principais obstáculos ao sucesso da COP. Mas Trump traiu o amigo, impondo uma tarifa de 50% nas exportações indianas. O ressentimento do gigante asiático pode virar o jogo da COP.