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‘Vão mais longe do que nunca se foi’

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agosto 30, 2025
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Kamasi Washington, saxofonista — Foto: Ricardo Nagaoka/The New York Times

É com uma feição quase tímida que o saxofonista de jazz Kamasi Washington aparece na chamada de vídeo — diretamente de Los Angeles, sua terra natal — para conversar com o GLOBO. O artista está prestes a desembarcar pela quarta vez no Brasil, onde fará um show no The Town, em São Paulo, no dia 7. Antes disso, apresenta-se no Curitiba Jazz Festival, na quarta-feira (3), e no Circo Voador, no Rio, na quinta (4). Entre um compromisso e outro, Kamasi é esperado para entoar o hino nacional dos EUA em uma partida da NFL (liga principal de futebol americano) na Neo Química Arena, em São Paulo, na sexta (5). As apresentações, diz, são feitas sob medida para cada plateia.

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— Temos novas músicas, vamos tocá-las. Sempre tento fazer de cada show uma experiência única. Criar uma conexão entre os músicos e os ouvintes é fácil no Brasil — declara. — E fazer essa conexão cria uma experiência especial. Tento não colocar muitas barreiras na música.

Kamasi chega ao Brasil ainda sob efeito de seu álbum “Fearless movement”, lançado no ano passado. O trabalho, que conta com a participação do produtor, cantor e compositor George Clinton e do rapper D Smoke — que aparecem na faixa “Get lit”, em que a sonoridade passa pelo rap, funk e jazz — é também uma reflexão sobre a paternidade do artista, iniciada há 4 anos com a chegada de Akili Asha.

— Ela ama música, toca piano. Ajudou a compor uma das faixas do álbum (“Asha The First”). É um espírito lindo, a gente ouve música o tempo todo. Ela e sua mãe estiveram comigo na turnê pela Europa — lembra. — Ela gosta de todas as minhas músicas, mas especialmente de “Vi lua vi sol” (com título em português). Pretendo tocá-la nos shows do Brasil.

Kamasi Washington, saxofonista — Foto: Ricardo Nagaoka/The New York Times

Apesar do bom momento em família, Kamasi também se vê pensando no rumo dos Estados Unidos sob o segundo mandato do republicano Donald Trump na presidência do país.

— Não gosto de falar sobre ele. Só que, quando alguém assim aparece, é tão disruptivo que acaba entrando na música. Então, você se encontra falando, encontra a sua música sendo influenciada, empurrada para tentar combater isso — avalia. — Se toda a Humanidade estivesse em situação melhor, uma pessoa como essa não teria o efeito que tem. Me sinto mais compelido a falar sobre a Humanidade no geral. No nosso sentido geral de compreensão de que não somos separados, de que somos como uma pessoa.

Tido como revolucionário, Kamasi ganhou tração com os trabalhos presentes nos álbuns “The Epic” (2015) e “Heaven & Earth” (2018). A recepção calorosa por seu trabalho não o impede de dar uma piscadela para a nova geração de músicos que ensaia, com apoio da internet, outras formas de criar canções. E que, como ele imagina, pode revolucionar a indústria.

— Conheço alguns músicos jovens. Alguns dos melhores músicos que conheço agora são os Gen Z. Digo a eles: “Não acredito que vocês são tão bons aos 18, 19 anos.” Acho que eles também se reconhecem em outros pares, da mesma geração, que igualmente amam música. Também os vejo nas minhas apresentações — diz o músico, lembrando que a “cada porção de décadas, a vida muda”.

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  • ‘Vão mais longe que eu’
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‘Vão mais longe que eu’

O saxofonista avalia, no entanto, que nesta mudança, se há ganhos, também há perdas. Ele reconhece que a Geração Z é a primeira que cresceu com acesso a toda a informação musical possível, graças à internet. Mas aponta problemas causados por essa facilidade.

— Tem um “menos”, que é essa impressão de que a Gen Z é um pouco frívola porque tudo está lá, disponível — detalha. — As pessoas, porém, não perdem o que vem antes delas. Usam o que têm disponível e vão além. Essas são as pessoas que vão levar a música mais longe do que eu nunca conseguiria. Porque serão como eu fui e ainda terão a internet.

Para Kamasi, há uma certa vantagem de tempo da Gen Z frente a outras gerações. Eles, portanto, chegarão a um nível maior de “compreensão e consciência” musical que o próprio artista não teria, por exemplo, quando vivia seus 18 anos.

— Levei muito mais tempo para acumular esse conhecimento — compara. — Acho que eles vão mais longe do que nunca se foi. É a minha crença e esperança.

Mas como diferenciar o que tem ou não qualidade nas novas criações? O tempo se encarregará disso, sugere Kamasi.

— Sempre parece que a nova música ruim é a pior e que há mais dela do que existia antes. Mas a realidade é que havia, sim, música ruim no passado. Nós só não nos lembramos, porque ela desaparece — pondera.

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