Ao menos 19 postos de combustíveis foram citados nominalmente em decisões da Justiça de São Paulo relacionadas à Carbono Oculto, a maior operação da história contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), que investiga a infiltração da facção criminosa no setor de combustíveis. Os endereços, localizados principalmente em São Paulo e Goiás, aparecem em documentos judiciais como parte da rede usada pelo crime organizado para movimentar e lavar recursos obtidos em atividades ilegais.
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De acordo com a Receita Federal, o PCC se infiltrou de forma sistêmica no setor e chegou a usar mais de mil postos de combustíveis em dez estados — entre eles São Paulo e Goiás — para lavar dinheiro e escoar combustíveis adulterados. A estimativa é que, entre 2020 e 2024, o grupo tenha movimentado R$ 52 bilhões por meio dessa rede, com recolhimento de impostos incompatível com a receita declarada.
A investigação também aponta que o PCC utilizava uma engrenagem complexa que ia das empresas formuladoras de combustíveis até a revenda nesses postos e lojas de conveniência. Entre 2020 e 2024, segundo a Receita Federal, companhias ligadas à facção importaram R$ 10 bilhões em nafta, hidrocarbonetos e diesel, com recursos de origem ilícita. Essas empresas sonegavam tributos — que somam R$ 8,67 bilhões — e adulteravam combustíveis antes da distribuição.
Na capital paulista, três postos aparecem diretamente vinculados à rede de Mohamad Hussein Mourad — apontado pela Justiça de São Paulo como figura central na infiltração do PCC no setor de combustíveis. O Auto Posto Azul do Mar, na zona leste, integra a lista de estabelecimentos registrados em nome de Tharek Majide Bannout, mas atribuídos pela investigação a Renan Cepeda Gonçalves, descrito como “peça-chave da organização” por sua ligação à Rede Boxter, suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
Também em São Paulo, o Auto Posto Bixiga, no centro, foi citado como destino de metanol utilizado na adulteração de combustíveis. O Auto Posto S3 Juntas, no Ipiranga, tem como sócio o empresário Ricardo Romano, apontado como envolvido em operações de lavagem de capitais e ligado ao PCC.
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Outro endereço na capital é o Auto Posto S-10, em nome de José Carlos Gonçalves, o Alemão, que segundo a Justiça financiava o tráfico e a lavagem de dinheiro por meio da empresa ACL Holding, também citada na operação.
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Na Grande São Paulo, em Guarulhos, dois endereços — o Auto Posto Hawai e o Auto Posto Maragogi — estão entre os negócios atribuídos a Renan Cepeda Gonçalves e formalmente registrados em nome de Bannout. Em Arujá, o Auto Posto Yucatan também aparece vinculado ao mesmo grupo investigado.
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Em Praia Grande, no litoral paulista, está o Auto Posto Boulevar XV São Paulo, controlado por Luciane Gonçalves Brene Motta de Souza e Alexandre Motta de Souza, investigados por fraudes em bombas e adulteração de combustíveis.
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No interior, dois postos são destacados: em Campinas, o Auto Posto Conceição, ligado ao mesmo casal de Praia Grande, também foi alvo das decisões judiciais. Já em Piracicaba, o Auto Posto Elite surge como pertencente a Armando Hussein Ali Mourad, mas registrado na Receita Federal em nome de Pedro Furtado Gouveia Neto, também investigado, e que aparece ainda como proprietário do Auto Posto Moska, na mesma cidade. Em Catanduva, o Auto Posto Texas foi associado a Gustavo Nascimento de Oliveira, identificado como laranja utilizado no esquema de Mourad.
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Sete dos postos aparecem ligados a Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad — apontado pela Justiça de São Paulo como figura central na infiltração do PCC no setor de combustíveis. Os endereços sob seu controle estão espalhados por Goiás: o Auto Posto Vini Show, em Senador Canedo; o Auto Posto Dipoco, em Catalão; o Posto Santo Antônio do Descoberto, no município homônimo; o Posto Futura JK, em Jataí; o Posto Futura Niquelândia, em Niquelândia; o Auto Posto Parada 85, em Goiânia; e o Auto Posto da Serra, em Morrinhos.
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Fintechs eram usadas para blindar recursos
Os valores arrecadados no setor de combustíveis chegavam ao sistema financeiro por meio de fintechs. Uma delas atuaria como “banco paralelo” do PCC, e movimentou R$ 46 bilhões de 2020 a 2024. As mesmas pessoas controlavam outras instituições de pagamento menores, usadas para criar uma dupla camada de ocultação. A fintech recebia tanto os valores das máquinas de pagamento em cartão como dinheiro em espécie, que somaram, somente entre 2022 e 2023, mais de R$ 61 milhões, em 10 mil depósitos.
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Esses depósitos chamaram a atenção dos investigadores por ser um procedimento incomum em instituições de pagamento, que costumam receber mais pagamentos por meios digitais ou cartões.
Posteriormente, esse dinheiro que já estava em contas bancárias era reinvestido em negócios e propriedades por meio de fundos de investimentos. Segundo a Receita, ao menos 40 fundos de investimentos, de multimercado e imobiliários, eram controlados pelo PCC. O patrimônio gerido pela organização chega a R$ 30 bilhões.