A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) anunciou neste domingo que oferecerá uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à localização e prisão de Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos de “Golias” e “Peruca”. Segundo a investigação, ele é apontado como um dos envolvidos no atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, baleado na cabeça no último dia 27 de junho, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
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De acordo com a SSP, as denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181 ou pelo portal da secretaria. A pasta informou que garante o sigilo das informações e orientou a população a não tentar abordar o suspeito, comunicando imediatamente as autoridades caso tenha conhecimento de seu paradeiro.
A Justiça já decretou a prisão temporária de Hércules, que está foragido. Outros dois suspeitos de participação no atentado foram presos preventivamente e seguem à disposição da Justiça.
Ronickson Pimentel permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Segundo o boletim médico mais recente divulgado pela Polícia Militar, o oficial continua em estado grave, mas apresenta evolução favorável, com boa resposta ao tratamento.
Pimentel é irmão de Eloá Cristina Pimentel, morta aos 15 anos em 2008, após permanecer cerca de cem horas em cárcere privado mantida pelo ex-namorado, Lindemberg Alves.
Relembre o caso Eloá
A adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, fazia um trabalho escolar com três colegas na sua casa, em Santo André, na Grande São Paulo, quando o seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, entrou no apartamento com um revólver de calibre 32. Ele agrediu com socos os meninos Iago Vieira e Victor Lopes e espancou Eloá com chutes e tapas.
A partir de então, dizendo que “não tinha mais o que perder”, proibiu todos de saírem. Começava, na tarde daquela segunda-feira, 13 de outubro de 2008, um cativeiro de cerca de cem horas, que atrairia a atenção do país e terminaria com uma tragédia, após uma atuação criticada da polícia no desfecho e ao longo do caso.
Conforme a investigação policial sobre o caso, Eloá e Lindemberg haviam namorado por dois anos e sete meses, até a menina terminar o relacionamento por não mais tolerar o ciúme doentio e a personalidade agressiva do rapaz. Lindemberg, porém, não aceitou a decisão da adolescente e passou a persegui-la, chegando a agredir a menina fisicamente.
Segundo o promotor público Antonio Nobre Folgado, responsável pela acusação, ao não conseguir reatar com Eloá, o jovem passou a fazer planos de matá-la, por não admitir que a adolescente vivesse sem ele. Um caso clássico de crime de gênero, nove anos antes da inclusão da tipificação de feminicídio no Código Penal.
O sequestro terminou de forma trágica, na sexta-feira, 17 de outubro, em movimento considerado um erro da polícia. Por volta das 18h, depois de mais de cem horas de cativeiro, agentes do Gate e da Tropa de Choque da PM explodiram a porta do apartamento e invadiram. Mais tarde, os responsáveis diriam que a atitude foi motivada pelo som de um disparo que teria vindo da residência, algo negado por testemunhas.
Antes que fosse imobilizado, Lindemberg atirou nas reféns. Eloá foi baleada na virilha e na cabeça. Ela foi levada a um hospital em estado grave e morreu no dia seguinte. Nayara foi alvejada no rosto. Ela deixou o local do crime andando, foi operada e se recuperou do ferimento.
Em fevereiro de 2012, Lindemberg foi julgado, considerado culpado por 12 crimes e condenado a 98 anos e 10 meses de prisão. Sua sentença foi transmitida ao vivo por diversas emissoras. Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e três meses de prisão.

