O tempo passa para todos, mas Lionel Messi segue decisivo. Foi esta a lição que o goleiro da Argélia, Luca Zidane, aprendeu da pior maneira nesta terça-feira, ao ver o camisa 10 liderar a vitória da Argentina por 3 a 0, em Kansas City (EUA), pela primeira rodada do Grupo J da Copa do Mundo de 2026.
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Há 20 anos, na última aparição do astro francês Zinedine Zidane — o pai de Luca — em Mundiais, Messi marcava seu primeiro gol em Copas. Nesta terça, o craque da Argentina bateu três vezes o goleiro da Argélia, igualando o alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro da história dos Mundiais. Ambos agora têm 16 gols no torneio, e isso com a Copa de 2026 só começando para Messi.
O craque da Argentina contou com uma pequena colaboração do goleiro Zidane, que espalmou a bola sem desviá-la da própria meta, para abrir o placar aos 17 minutos do primeiro tempo.
No início da segunda etapa, em outra bobeira do goleiro argelino — que espalmou para frente um chute de MacAllister –, Messi só deslocou o goleiro para fazer 2 a 0.
E aos 31 do segundo tempo, em chute da entrada da área, desta vez sem chances para o jovem Zidane, Messi fez o terceiro. Foi substituído em seguida pelo técnico Lionel Scaloni, deixando a possibilidade da quebra do recorde de Klose para o restante do Mundial.
Com os gols diante da Argélia, Messi também se juntou a Cristiano Ronaldo como os únicos jogadores que marcaram gols em cinco edições diferentes de Copas do Mundo — o português, que ainda vai entrar em campo neste Mundial, pode chegar à sexta Copa balançando a rede.
Em outro capítulo dos recordes ameaçados pelo camisa 10 da Argentina, os gols diante da Argélia representaram a quinta partida consecutiva em que Messi balança as redes em Copas, considerando a sequência inaugurada nas oitavas de final do Mundial do Catar em 2022. Se chegar a seis jogos seguidos marcando, ele igualará a marca de Jairzinho na Copa de 1970 — com a diferença de que os gols consecutivos do brasileiro foram todos marcados no mesmo Mundial.
Ao falar das marcas atingidas por Messi, é necessário abrir parênteses para o empenho dos colegas de Argentina em viabilizar o camisa 10. De Paul, volante incansável e companheiro fiel de Messi na seleção e no clube Inter Miami (EUA), serviu o craque argentino com maestria no primeiro gol, em um passe que rompeu a linha de quatro jogadores que fechavam o meio-campo da Argélia.
Naquele lance, enquanto De Paul descia para junto aos defensores da Argentina de olho em encontrar o passe preciso para Messi, Lautaro Martínez e Almada corriam na direção da zaga adversária, desviando a atenção dos defensores argelinos enquanto Messi flutuava entre as linhas de marcação.
A noite dos sonhos de Messi na estreia da Copa de 2026 poderia ter virado pesadelo, ainda no primeiro tempo, se o árbitro Szymon Marciniak seguisse a regra ao pé da letra e punisse o argentino por um pisão no zagueiro Mandi, que se revoltou com a falta de intervenção do VAR no lance.
Parecia haver um acordo tácito para deixar Messi brilhar. Tanto que o técnico Lionel Scaloni, ao rodar o time no segundo tempo — sacou os exaustos Lautaro Martínez e Almada, que corriam por Messi na hora de marcar –, manteve seu camisa 10 em campo, parecendo pressentir que ele ainda tinha coelhos na cartola depois do intervalo.
E os coelhos apareceram, primeiro aos 15 minutos da etapa final, aproveitando o já citado rebote de Zidane no chute de MacAllister. Depois, aos 31, encontrando os espaços gerados pela movimentação de Julian Álvarez e Nico González, os substitutos de seus colegas originais de ataque.
Mais do que um recital de Messi em sua participação derradeira em Copas, a partida desta terça mostrou por que a seleção argentina, mesmo sem ser tão badalada quanto França ou Espanha, chega mais uma vez candidata ao título neste Mundial.
Entrosada em campo, a equipe de Scaloni ignorou a sequência recente de problemas físicos — que tiraram o lateral-esquerdo Tagliafico da estreia e ameaçaram a presença do goleiro Dibu Martínez —, e mostrou a habitual facilidade para trocar passes curtos que foram costurando aos poucos a defesa argelina.
A Argélia até teve seus momentos, em especial no primeiro tempo, quando o lateral-esquerdo Ait Nouri levava perigo com seus avanços pelo lado, e o atacante Chaibi criava confusão para a dupla de zaga argentina. Chaibi chegou a balançar a rede no início, em um gol bem anulado por impedimento.
Até mesmo o goleiro Luca Zidane, embora tenha colaborado com o recorde de Messi, também teve lampejos, em especial numa defesa cara a cara com o camisa 10 da Argentina no segundo tempo. Mas não fez diferença: a estreia argentina na Copa de 2026 só será lembrada como a noite em que Messi ficou, uma vez mais, a um passo do que parecia inalcançável.

