
O Camp Mystic, no Texas, nos Estados Unidos, passou, neste mês de setembro, a ser alvo de uma investigação criminal que pode resultar em acusações de homicídio culposo ou negligente pelas mortes de 27 meninas durante uma enchente em julho de 2025. Documentos judiciais mostram que investigadores obtiveram mandados de busca para acessar comunicações eletrônicas dos proprietários do acampamento em busca de possíveis provas de crimes.
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A enchente ocorreu antes do amanhecer de 4 de julho de 2025, quando o rio Guadalupe transbordou e atingiu o acampamento cristão para meninas. Vinte e cinco campistas e duas monitoras adolescentes morreram, além do proprietário do local, Richard Eastland. Ao todo, pelo menos 136 pessoas morreram nas inundações ao longo do rio.
Vista do interior de uma cabana no acampamento onde 27 meninas desapareceram após enchente repentina em Hunt, Texas
RONALDO SCHEMIDT / AFP
Investigação aponta possíveis falhas na emergência
Segundo o depoimento de Brant Johnston, dos Texas Rangers, o acampamento tinha planos de emergência inadequados, não realizava treinamentos ou simulados e contava com poucos monitores adultos em algumas cabanas. O investigador também afirmou que os responsáveis acompanhavam alertas de inundação durante a madrugada, mas não teriam transferido as crianças de áreas mais baixas.
“Não se pode razoavelmente esperar que jovens campistas reconheçam de forma independente um perigo iminente e em rápida evolução, ou que organizem e executem uma evacuação sem a orientação de um número adequado de supervisores adultos”, escreveu Johnston no documento.
O investigador afirmou ainda que a Camp Mystic, LLC teria conhecimento de um “risco substancial e injustificável de morte” para as crianças sob seus cuidados. Até o momento, nenhuma acusação criminal foi formalmente apresentada.
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Famílias cobram respostas
Advogados de famílias das vítimas receberam positivamente os mandados de busca, mas afirmaram que as medidas demoraram a ocorrer. Segundo eles, parentes das vítimas buscam respostas sobre os últimos momentos das meninas há mais de um ano. O corpo de Cile Steward, uma das campistas mortas, ainda não foi localizado.
Johnston afirmou ter realizado visitas ao acampamento e entrevistas com testemunhas, sobreviventes e pessoas ligadas ao local. Segundo ele, porém, integrantes da família Eastland e outros funcionários em posições de liderança se recusaram a prestar depoimentos.
O Camp Mystic não reabriu em 2026 e entrou com pedido de recuperação judicial.