Em um mundo cada vez mais conectado e exigente quanto ao posicionamento das marcas, a palavra de ordem é coerência. Essa foi uma das principais conclusões da abertura do Marie Claire Legados 2026, projeto que celebra os 35 anos de história da revista no Brasil e reúne mulheres que se destacam em suas áreas de atuação.
O primeiro dos quatro encontros ocorreu no Rio de Janeiro e trouxe nomes que transformam cultura em potência, reforçando a capacidade brasileira — e carioca — de exportar identidade sem perder a essência.
A estilista paulista Lenny Niemeyer contou como sua marca nasceu muito antes do negócio. Ao chegar à capital fluminense, ela entendeu que havia espaço para criar um novo conceito a partir de outra perspectiva — de uma metrópole com potencial único para a moda.
— Nossa identidade pensa uma mulher contemporânea, atemporal, que possa estar em qualquer lugar do mundo. O Rio tem aquela sofisticação despretensiosa que me encantou desde que me mudei para cá. Esta percepção me ajudou a criar esta mulher que eu acho que vai ficar bem em qualquer espaço — afirmou.
O Rock in Rio também já provou que fica bem em outras capitais do mundo, sem mudar o nome e nem a essência, pontuou, no mesmo painel, a diretora de parcerias da Rock World, Renata Guaraná.
— Fomos para Espanha, Portugal, EUA, mas nunca tiramos o Rio da marca. O que fazemos hoje é aprimorar algo que já foi concebido para ser gigante, para além dos palcos, para a experiência que proporcionamos e que as marcas trazem junto com a gente — contou.
Com vasta experiência em temas que abrangem ESG e empreendedorismo feminino, a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Luciana Nicola, destacou a importância da parceria com o festival na conexão com os públicos.
— Quando a gente fala de banco, fala de confiança. E como se estabelece esta relação com os clientes e a sociedade? Há vários aspectos e a cultura contribui muito para este processo de conexão, que passa por relevância e consistência e resume tudo o que temos feito nestes 25 anos de apoio ao Rock in Rio — disse.
Valores das marcas
As participantes destacaram que à medida em que os públicos estão mais exigentes e conscientes, as marcas precisam de coerência para sobreviver e crescer. Nesse sentido, empresas precisam avaliar se projetos se conectam ou não com seus valores e quais fornecedores estão sendo empoderados, entre outros aspectos.
— É menos sobre o que vou patrocinar e mais sobre o que vou ajudar a transformar — acrescentou a executiva do Itaú.
A diretora de redação da Marie Claire, Maria Rita Alonso, mediadora do painel, chamou atenção sobre como as marcas se mantêm atuais num mundo tão conectado e veloz. Da mesma forma, a reinvenção do formato de trabalho para atrair e manter os colaboradores mais jovens também foi abordada, assim como a necessidade de evolução de programas de treinamento.
No banco há 29 anos, Luciana Nicola destacou a trajetória do Itaú Mulher Empreendedora, programa de apoio e impulsionamento a negócios liderados por mulheres no Brasil que tem, entre seus principais objetivos, capacitar as participantes com treinamentos práticos sobre organização financeira, marketing digital, liderança e vendas, além de colocá-las em conexão com outras empresárias por meio de networking, mentorias e troca de experiências.
Antes mais focado na criação de redes de apoio entre profissionais, no seu 13º ano de existência o projeto mira agora na gestão ampla do negócio e nas finanças.
— No início, conectá-las em rede era vital, pois não havia outras mulheres de referência. Hoje compartilha-se mais para entender as dores, trocar experiências. Vemos negócios incríveis de empreendedoras e especificamos qual o gargalo, entendendo o que podemos ofertar”, concluiu.
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A fórmula para ganhar mercados sem perder a identidade
