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setembro 23, 2026
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Presidente do Irã se prepara para discurso na ONU após Trump ameaçar 'aniquilação' apesar de nova rodada diplomática

Por · setembro 23, 2026


O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, desembarcou em Nova York nesta quarta-feira e se prepara para um dos discursos mais esperados neste segundo dia de Assembleia Geral da ONU, enquanto o impasse sobre o futuro do Estreito de Ormuz e a continuidade da pressão militar e econômica dos EUA sobre a nação persa permanecem como temas centrais na agenda internacional — afetada pela guerra no Oriente Médio. Pezeshkian será o primeiro líder de um país em guerra declarada com os EUA a discursar presencialmente em uma Assembleia Geral na sede da ONU.
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Ao embarcar para os EUA na terça— na primeira visita de um líder iraniano ao território americano desde o bombardeio que matou o aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia de conflito, em fevereiro —, Pezeshkian afirmou que “defenderia com firmeza” os interesses da nação persa, enquanto figuras centrais do regime teocrático em Teerã declararam que a delegação enviada a Nova York teria plena autonomia para retomar negociações com o governo americano.
A expectativa em torno da fala de Pezeshkian aumentou após os sinais trocados enviados pelos EUA no primeiro dia de AG. Enquanto Trump renovou ameaças ao Irã no púlpito da ONU, apontando que a decisão estava entre “um acordo” ou “aniquilação” da república islâmica, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e o enviado especial americano Steve Witkoff participaram de uma rodada de negociações mediada pelo Catar. As conversas diplomáticas duraram três horas, e foram descritas pelo republicano como “muito boas”, prevendo uma nova reunião em um “futuro próximo”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou o contato, mas rejeitou especulações sobre uma possível flexibilização nas posições do país para garantir o acordo. Uma fonte do governo citada pela agência Reuters sob condição de anonimato sugeriu na véspera que Teerã estaria disposta a reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, caso os EUA aceitassem as demandas iranianas, enquanto o tempo de duração das conversas, na avaliação de observados, teria sugerido progressos nas conversas negociais.
— A interação com a parte americana foi feita por meio de mediação catari — afirmou Esmail Baghaei, porta-voz da chancelaria iraniana. — Essa interação tinha como objetivo transmitir as condições do Irã, incluindo o fim da guerra em todas as suas dimensões, a cessação das agressões americanas, do bloqueio naval e da guerra econômica, a liberação de ativos iranianos, entre outras.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante encontro do Brics em Nova Delhi
Alexander Kazakov/AFP
Mais frentes de pressão
Além da disputa com os EUA, o presidente iraniano deve se manifestar sobre a instabilidade provocada para além de Ormuz, pelos seus aliados Houthis, no Estreito de Bab el-Mandeb. O bloqueio da rota vital de navegação entre o Canal de Suez e o Mar Vermelho ao Oceano Índico contribuiu para uma escalada no preço internacional do petróleo nas últimas semanas, que já vinha afetado pela situação em Ormuz.
Líderes do G7 emitiram um comunicado conjunto instando Teerã a encerrar o apoio ao grupo iemenita, e aos próprios Houthis que as ações militares contra a Arábia Saudita fossem cessadas — como maior exportador de petróleo do mundo, Riad havia redirecionado o fluxo de exportações para o oeste, após a crise em Ormuz. Com a retomada dos conflitos com os Houthis, o escoamento da produção ficou ameaçado.
Encontro com enviado dos EUA: Chanceler do Irã apresenta condições para a reabertura do Estreito de Ormuz
Não está claro como o Irã vai se posicionar sobre os aliados do “Eixo da Resistência”. Embora Teerã tenha ameaçado uma ação coordenada para fechar os dois estreitos estratégicos após o início da guerra com os EUA — em uma tática de impor desgaste econômico a Washington —, as autoridades do país não reivindicaram participação nas tomadas de decisão da última ofensiva houthi.
Em uma entrevista a AFP na terça-feira, o conselheiro militar Abed Mohamed al Thawr disse que o grupo tem independência em relação ao Irã, mas qualificou a relação entre as nações como “uma aliança e um só corpo”. Acrescentou que as forças rebeldes poderiam atacar interesses americanos na região se Washington apoiar a Arábia Saudita ou tentar uma intervenção em Bab el-Mandeb.
Situação inédita
A ida de Pezeshkian a Nova York foi apontada por analistas como a primeira vez na história em que o líder de um país em guerra direta com os EUA compareceu à sede da ONU, para a Assembleia Geral — criando uma situação curiosa.
Fontes do governo americano ouvidas pela CNN afirmaram que a segurança do presidente iraniano durante a viagem está sendo feita pelo Serviço Secreto dos EUA, enquanto outras autoridades da nação persa estão sob proteção do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado.(Com AFP)

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