Quando bem preservada, a memória — de um país, uma comunidade, um setor da economia ou uma empresa — serve de bússola. Além de refletir as grandes transformações do mundo, é uma ferramenta para orientar decisões, conectar gerações e ajudar a evitar repetições de erros do passado. No caso do GLOBO, são 100 anos ininterruptos de registros preciosos da História, que, juntos, formam um dos maiores e mais consistentes acervos do Brasil. Um tesouro que tem como guardiões a Agência O Globo e o Centro de Documentação e Informação (CDI), responsáveis por organizar, preservar e distribuir, interna e externamente, reportagens, colunas, imagens e textos produzidos desde 1925.
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Criada em 1974 sob a direção de jornalismo de Evandro Carlos de Andrade, a Agência O Globo nasceu com a missão de gerar conteúdo próprio para licenciamento, que se somava ao noticiário diário do jornal. A partir dos anos 2000, com a ascensão do meio digital, a área passou a se dedicar à distribuição para clientes do crescente e robusto material produzido pela redação do GLOBO, acrescido das notícias do Extra, lançado em 1998. Além de atender a veículos de todo o país, a unidade da Editora Globo expandiu nos últimos anos a carteira internacional — entre os parceiros, estão a americana Dow Jones, referência global em economia e finanças, e o Grupo de Diários América (GDA), que reúne 12 jornais do continente.
Cabe também à agência licenciar o riquíssimo conteúdo do acervo do GLOBO, catalogado desde a primeira edição do jornal, produzida na antiga sede do Largo da Carioca. Nos anos 1990, já na Rua Irineu Marinho, a união dos arquivos de texto e fotografia deu origem ao hoje chamado CDI. Assim como aconteceu com o veículo, o departamento acompanhou as mudanças do tempo: desde 2013, todas as páginas e matérias do acervo estão disponíveis para os assinantes do GLOBO em versão digital. Para encontrar reportagens específicas, é possível fazer buscas por palavras ou datas — se preferir, o leitor também pode navegar pelas edições do jornal, desde a sua fundação. Ao todo, 125 pessoas participaram do processo de criação do arquivo on-line, que tem suas curiosidades destacadas atualmente no Blog do Acervo.
— Disponibilizar esse gigantesco acervo jornalístico a clientes e leitores faz parte de um compromisso sólido com a informação precisa e confiável — diz Alessandra Jasbinschek, coordenadora da Agência O Globo, que, em 2016, também incorporou o Centro de Documentação (CEDOC) das revistas da Editora Globo.
Entre fotografias impressas e digitais dos jornais, há mais de 28 milhões de registros no arquivo. São imagens que percorrem grandes transformações do país, refletem questões sociais e eternizam momentos que marcaram época, das visitas de três Papas aos grandes shows do pop, passando pelos bastidores da política e por cenas emblemáticas do esporte — como a sequência de fotos captada no milésimo gol de Pelé. Muitos desses flagrantes correram o mundo e ganharam prêmios. É o caso de “O grito do subúrbio”, de Brenno Carvalho, que retrata a agonia de moradores do Rio a caminho do trabalho em transportes públicos lotados durante a pandemia da Covid-19, em 2021.
Com o selo de excelência do GLOBO, o acervo serve como fonte de informação e banco de imagens para pesquisadores, editoras de livros e produtoras de audiovisual. É também procurado por empresas e organizações em projetos especiais, como a publicação que marcou os 75 anos da Coca-Cola no Brasil, em 2017, e a exposição que celebrou os 25 anos do tetracampeonato da Seleção Brasileira, realizada em 2019 em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
— Fotos, reportagens e páginas inteiras do jornal ajudam marcas a contar suas trajetórias em livros, exposições ou outros projetos de conteúdo. São histórias que ganham emoção e contexto, relacionadas aos principais fatos de cada época no Brasil e no mundo. Criam, assim, uma conexão não só com os clientes das empresas, mas também com o público em geral — explica Alessandra.
O historiador Paulo Luiz Carneiro trabalha no GLOBO há 36 anos e hoje coordena o Centro de Documentação e Informação (CDI). Um dos seus maiores prazeres é revelar ao público fotos e documentos que fazem parte da memória do país, mas ainda são pouco conhecidos pela audiência.
— Eu me lembro, de cabeça, de muitas relíquias, por trabalhar aqui há muito tempo. Por isso, pegar o que está escondido no acervo e disponibilizar para que todos tenham acesso, principalmente fotos, é o que eu mais gosto de fazer — resume.
Silvia Rogar é gerente-executiva do G.Lab, estúdio de conteúdo para marcas da Editora Globo