As ações da Reag Investimentos (REAG3), uma das investigadas na Operação Carbono Oculto, que cumpre mandados de busca e apreensão relacionados à atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), despencam quase 20% na Bolsa. Diversas empresas da Faria Lima foram alvos da operação, e, segundo a Receita Federal, gestoras e fintechs eram usadas pelo esquema para lavar dinheiro.
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Por vota de 11h50, os papéis recuavam 18,88%, a R$ 3,05, nas negociações da Bolsa de Valores do Brasil (B3) nesta quinta-feira.
Os papéis da companhia entraram em leilão diversas vezes só na manhã de hoje e só começaram a ser negociados no pregão regular a partir das 10h38 — bem depois do horário normal de início, às 10h. O leilão é um mecanismo de proteção da Bolsa de Valores, que é acionado quando ocorre uma variação abrupta no preço de determinado ativo.
O volume financeiro também chama atenção: a companhia já acumulava R$ 138,1 mil negociados até às 11h55, montante superior aos totais registrados nos últimos cinco dias de negociação.
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A Reag confirmou, por meio de fato relevante, que foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas sedes da empresa no âmbito da Operação Carbono Oculto. De acordo com a gestora, trata-se de procedimento investigativo em curso. A empresa também informou que está colaborando com o fornecimento de informações e documentos, e que permanece à disposição para esclarecimentos.
Em seu site, a Reag se define como a maior gestora independente do Brasil (sem ligação com bancos), com R$ 299 bilhões sob gestão. Por ter suas ações negociadas na B3, a gestora indica que garante seu compromisso com a transparência.
A gestora é controlada pela Reag Capital Holding S/A, que também controla outra holding independente, a Ciabrasf, além de seguradoras e financeiras. Fundada em 2012, a Reag tem se destacado no cenário financeiro brasileiro, e passa por um processo acelerado de expansão.
A empresa também ficou ainda mais conhecida por se tornar patrocinadora do Belas Artes, um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo. A gestora adquiriu os naming rights do cinema — quando uma empresa adquire por contrato o direito exclusivo de dar o seu nome a um espaço —, o local passou a se chamar REAG Belas Artes.
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A operação Carbono Oculto aponta que a facção criminosa PCC utilizava mais de mil postos de combustíveis em dez estados, além de controlar 40 fundos de investimento a fim de lavar dinheiro. O esquema abrangia toda a cadeia produtiva e de comercialização de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até postos de gasolina, utilizando uma rede sofisticada de empresas e instrumentos financeiros