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investigações já apontavam usos de fintechs para movimentar dinheiro de fações criminosas

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agosto 28, 2025
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Como funciona o esquema — Foto: Editoria de Arte

Reportagem do GLOBO, publicada no início deste mês, mostrou como investigações já apontavam o uso das fintechs pelo crime organizado.

“O futuro é agora”, anuncia nas redes sociais uma fintech de Mogi das Cruzes (SP), em uma sequência de posts com imagens criadas por inteligência artificial (IA) que mostram jovens enriquecendo enquanto teclam no celular. Outras duas instituições de pagamento da capital paulista e de Campinas (SP) prometem “liberdade” e o “avanço para o futuro”. “Restrições bancárias e bloqueios judiciais tiram o seu sono? Conheça a conta garantida e retome o controle”, propaga a primeira. “Seja digital, seja atual”, reforça a segunda.

Essas três são parte de um grupo de fintechs que entrou na mira das autoridades nos últimos meses por suspeita de lavar dinheiro do crime e tiveram operações suspensas pela Justiça. Segundo as investigações, as empresas de “inovação tecnológica” operavam a serviço de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do país.

Com muitas startups financeiras fora do radar dos órgãos de controle, o fenômeno da “fintechização” chegou ao submundo do crime. De acordo com as investigações, cerca de R$ 28,2 bilhões de recursos oriundos de supostos esquemas do tráfico de drogas e armas foram movimentados nos últimos seis anos por meio de oito dessas instituições de pagamento e bancos digitais, que oferecem todo o tipo de produto financeiro, de transferências de recursos a compra e venda de criptomoedas.

O valor foi levantado pelo GLOBO com base em mais de 3 mil páginas de relatórios e denúncias de seis operações da Polícia Federal, Polícia Civil de São Paulo e Rio e do Ministério Público. O montante corresponde a mais da metade do orçamento da Prefeitura do Rio (R$ 46 bilhões) e supera o de Belo Horizonte (R$ 22,6 bilhões) para 2025.

As mais de 1.500 fintechs em operação no Brasil ampliaram o acesso da população a serviços bancários ao proporcionar maior competição no setor financeiro com soluções tecnológicas, menos burocracia e taxas mais baixas. Essa mesma infraestrutura, no entanto, também passou a ser explorada por organizações criminosas, que se aproveitam da regulamentação limitada do segmento, de acordo com investigadores e especialistas.

Como funciona o esquema — Foto: Editoria de Arte

Em nota enviada em agosto, o Banco Central (BC) informa que faz um trabalho constante de supervisão das instituições e vem aperfeiçoando a regulação para prevenir a ação de criminosos.

O fluxo de dinheiro por meio de fintechs era tamanho, segundo a polícia, que propiciou algo impensável na guerra de pontos e rotas de tráfico entre as facções brasileiras. Em abril, a Polícia Civil do Rio descobriu que o CV também usava um “banco cripto” para movimentar dinheiro sujo. Nas palavras dos investigadores, era uma “aliança estratégica e logística” entre PCC e CV, que compartilhavam o esquema de lavagem de dinheiro.

Em 2018, um traficante brasileiro foi pego em uma interceptação telefônica na Itália recusando-se a ser pago em bitcoin por uma carga de cocaína, conta o professor italiano Antonio Nicaso, da Universidade Queens, no Canadá, e autor do livro “Máfia Global: a nova ordem mundial do crime organizado”:

— O PCC e a ‘Ndrangheta (máfia do sul da Itália) estão cada vez mais conscientes das novas tecnologias. Investiram em criptomoedas e plataformas clandestinas de trading. No caso da ‘Ndrangheta, também houve o uso de hackers.

Segundo as investigações, os criminosos utilizam diferentes métodos para lavar dinheiro por meio das fintechs. Um deles é o fracionamento de transações, ou seja, dividir grandes quantias em pequenas operações para evitar alertas de movimentações suspeitas. Isso pode ser feito por meio de carteiras digitais e contas bancárias virtuais.

As facções também usam fintechs para converter dinheiro ilícito em criptomoedas, dificultando o rastreamento. Também abrem contas de “laranjas” e empresas de fachada para movimentar grandes volumes sem levantar suspeitas.

Os investigadores apontam ainda a atuação com empréstimos fraudulentos. Os criminosos solicitam financiamentos em fintechs com documentos falsos e quitam a dívida com recurso ilegal, criando uma justificativa legítima para a transação.

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  • ‘Contas bolsão’ são usadas para blindar patrimônio e titulares
      • investigações já apontavam usos de fintechs para movimentar dinheiro de fações criminosas

‘Contas bolsão’ são usadas para blindar patrimônio e titulares

Além da facilidade para movimentar o dinheiro fora do sistema tradicional, um inquérito da Polícia Federal mostra que fintechs também viraram instrumento de blindagem patrimonial de recursos. Empresas permitiam desvincular de contas os seus reais titulares, conferindo uma espécie de proteção contra bloqueios judiciais, quebras de sigilo e rastreamento de movimentações.

A blindagem funciona por meio das chamadas “contas bolsão”, segundo as investigações. As fintechs apareciam como titulares de uma conta de pessoa jurídica em um banco credenciado pelo BC. A partir dessa conta, a fintech opera diversas subcontas em nome de clientes finais, que não têm nenhum vínculo com o banco oficial.

Dessa forma, não são alcançados pelas autoridades. A partir da fintech, esses usuários remetem ou recebem dinheiro pelo banco de grande porte, que debita ou credita os valores na conta bolsão. No extrato das transações, no entanto, os destinatários e remetentes não aparecem.

Fintech é um termo amplo: inclui empresas que oferecem serviços financeiros usando tecnologia — e nem todas elas realizam atividades que exigem autorização do BC. Mesmo com a fiscalização reduzida em cima do segmento, dados oficiais já indicam a infiltração do crime no segmento.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) recebeu neste ano, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, um volume recorde de comunicações de operações suspeitas envolvendo “arranjos e instituições de pagamento”, categoria das fintechs. Até junho de 2025, foram 85.829 comunicações, o que já superou o ano todo de 2024 (80.955) e equivale a mais do que o dobro de 2022 (36.221) e 2023 (34.024). Há dez anos, esse indicador havia registrado somente 45 comunicações.

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