As ações de fabricantes de chips voltaram a registrar fortes oscilações, apagando uma queda anterior que havia levado o setor para perto de um mercado de baixa (bear market), à medida que investidores aproveitaram os preços mais baixos para comprar os papéis.
O setor, que liderou a valorização das bolsas neste ano, passou a registrar leve alta após ter chegado a cair quase 6%, pressionado por preocupações de que a onda de investimentos em inteligência artificial esteja cada vez mais difícil de justificar.
Um importante índice do setor, o índice de semicondutores Philadelphia Semiconductor, acumula queda de 20% em relação ao seu recorde histórico, alcançado em junho, e caminha para registrar a pior semana desde a turbulência provocada pelas tarifas anunciadas em abril de 2025.
A demanda insaciável por tudo o que está relacionado à inteligência artificial havia levado recentemente as ações de fabricantes de chips ao melhor trimestre de sua história. Mas a volatilidade voltou a ganhar força em julho, com o setor sendo fortemente pressionado por preocupações com o aumento da concorrência, uma possível sobrecapacidade e dúvidas sobre se os enormes investimentos na tecnologia irão, de fato, gerar retorno.
Embora os resultados corporativos e a demanda continuem fortes, a recente realização de lucros sugere que parte dos investidores começa a questionar por quanto tempo o atual ritmo de crescimento poderá ser sustentado, segundo David Morrison, da Trade Nation.
— A questão agora é saber se este será mais um episódio de ‘comprar na queda’ (buy the dip) ou se o ritmo das vendas vai acelerar à medida que todos correrem para a porta de saída ao mesmo tempo — afirmou.
Embora as ações ligadas à inteligência artificial tenham se tornado mais voláteis à medida que os investidores questionam tanto o ritmo quanto o retorno dos investimentos, os resultados das empresas ainda não mostram qualquer desaceleração da demanda, segundo Angelo Kourkafas, da Edward Jones.
— O tema da inteligência artificial provavelmente está amadurecendo, e não se deteriorando, o que é uma etapa saudável da evolução dos ciclos de investimento em tecnologias transformadoras — afirmou. — Os investidores devem manter exposição ao tema de IA, mas complementá-la com fontes de retorno mais diversificadas e diferenciadas, incluindo setores cíclicos, investimentos de estilo value e ações internacionais.
Rotações expressivas entre setores são necessárias para que a alta das bolsas se amplie para além das empresas de tecnologia, afirmou Beata Manthey, do Citigroup Inc. Segundo ela, a atual fraqueza do mercado reflete uma migração de recursos entre setores, e não um colapso do mercado acionário.
— O mercado começou a apostar em uma ampliação da alta, algo aguardado há bastante tempo — disse Manthey. — Para que isso aconteça, é preciso haver rotação entre setores. E essas rotações, às vezes, ocorrem de forma bastante intensa, exatamente o que estamos vendo agora.
Perto do encerramento das negociações nesta sexta-feira, o Dow Jones caía 0,65%, o S&P 500 desvalorizava 0,94% e o Nasdaq, que concentra as ações de tecnologia, caía 1,3%.
