O adolescente de 16 anos resgatado de um penhasco na Colúmbia Britânica, no Canadá, após ficar preso durante uma trilha, contestou a interpretação de que a inteligência artificial foi responsável por levá-lo à situação de perigo. Em entrevista à emissora canadense CBC, Bryce Vincent Gowryluk afirmou que o uso do Claude, desenvolvido pela Anthropic, foi apresentado fora de contexto. O jovem ficou preso em um trecho de escalada técnica na montanha Crown, nos arredores de Vancouver, e precisou ser retirado por uma equipe de salvamento com auxílio de helicóptero.
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— Estão realmente tirando isso de contexto, porque as pessoas acham que eu planejei ir para a Widowmaker ou que fui induzido pela inteligência artificial a ir para lá, o que não é verdade — afirmou o adolescente à CBC.
Segundo Gowryluk, o planejamento da caminhada levou três dias e envolveu consultas ao AllTrails e ao Google Maps, além do Claude. Ele disse que utilizou principalmente a ferramenta para organizar a lista de equipamentos e conferir algumas informações sobre o terreno. O jovem reconheceu, porém, que entrou por engano na Widowmaker Arete, uma rota de escalada que exige experiência e equipamentos específicos.
O caso ocorreu em 3 de outubro. Gowryluk pretendia fazer uma caminhada de aproximadamente oito horas entre as montanhas Grouse e Crown, na região metropolitana de Vancouver. Ele já havia visitado o cume da Crown Mountain, mas não conhecia o trajeto escolhido para aquela ocasião.
Jovem ficou preso diante de parede quase vertical
O adolescente iniciou o percurso após subir de gôndola até o alto da Grouse Mountain. Durante a caminhada, atravessou trechos rochosos e desceu até um vale repleto de pedras. Sem sinalização para orientar o trajeto, acabou seguindo por um caminho diferente do que pretendia.
Gowryluk acreditava estar na Crown Couloir, uma rota difícil na montanha. Na realidade, havia entrado na Widowmaker Arete, um trecho exposto de rocha que exige técnicas de escalada e equipamentos de segurança, como cordas.
À medida que avançava, o terreno ficou mais íngreme e difícil de atravessar. Quando percebeu que não conseguiria continuar nem retornar com segurança, o adolescente chegou à base de uma parede quase vertical e ficou preso em uma pequena saliência rochosa.
— Estou preso em uma saliência. Não tenho para onde ir — relatou o jovem, segundo entrevista publicada pelo The New York Times.
Gowryluk carregava uma mochila com equipamentos para a caminhada, incluindo capacete, cadeirinha de escalada e sapatos próprios para a atividade. Os itens, porém, não eram suficientes para permitir que ele enfrentasse com segurança o trecho em que ficou retido.
O adolescente telefonou para a mãe, Joelle Gowryluk, e acionou os serviços de emergência. A Polícia Montada Real do Canadá comunicou a ocorrência à North Shore Rescue, equipe voluntária especializada em buscas e salvamentos na região.
Resgate exigiu operação com helicóptero
A equipe de salvamento enviou um helicóptero ao local, mas a aeronave não conseguiu se aproximar o suficiente da parede rochosa para retirar o adolescente diretamente, devido ao risco de colisão das hélices com a formação.
Dois socorristas foram então deslocados até o jovem por meio de cordas. Eles o retiraram do ponto onde estava preso e o levaram a uma área em que foi possível realizar a extração por helicóptero. A operação terminou sem ferimentos graves para o adolescente.
Paul Markey, coordenador de buscas da North Shore Rescue, alertou para os riscos de confiar exclusivamente em ferramentas digitais ao planejar atividades em áreas montanhosas. Segundo ele, independentemente de o erro ter ocorrido durante o uso de uma ferramenta de inteligência artificial ou na navegação do próprio jovem, a situação exigiu uma operação de resgate em um terreno particularmente perigoso.
O responsável pela equipe também recomendou que caminhantes não tratem informações fornecidas por sistemas de inteligência artificial como substitutas de experiência prática, treinamento e conhecimento das condições locais.
Mãe temia que filho precisasse de resgate
Em entrevista reproduzida pelo The New York Times, Joelle Gowryluk afirmou que sempre incentivou o interesse do filho por escalada e atividades ao ar livre, mas o orientava a não fazer trilhas sozinho.
Ao receber a ligação, ela percebeu que o adolescente precisava de ajuda para deixar a montanha em segurança. A mãe afirmou que começou a rezar enquanto aguardava notícias sobre o resgate.
— Ele tinha boas intenções ao sair, queria passar o dia na natureza e se desafiar. Mas nunca é a ligação que um pai quer receber: a de que o filho precisa ser resgatado por um helicóptero — afirmou Joelle.
O episódio reacendeu o debate sobre o uso de ferramentas digitais para planejar atividades em ambientes naturais. Embora aplicativos de mapas e sistemas de inteligência artificial possam ajudar a reunir informações sobre trajetos, eles não substituem a verificação das condições reais do terreno, especialmente em regiões que exigem conhecimentos técnicos de escalada.
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