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Água mineral contaminada: como identificar o lote suspenso da Crystal e o que fazer se tiver o produto em casa

BRCOM by BRCOM
junho 4, 2026
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Água mineral contaminada: como identificar o lote suspenso da Crystal e o que fazer se tiver o produto em casa


Na quarta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda, distribuição e uso de um lote da água mineral Crystal sem gás após testes encontrarem a bactéria Pseudomonas aeruginosa. A empresa, que notificou a agência sanitária, deu início ao processo de recolhimento voluntário dos produtos.
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As unidades foram distribuídas apenas no Distrito Federal, em cidades vizinhas de Goiânia, onde fica a fábrica, em Tocantins e no interior de São Paulo. De acordo com fabricante, a Mineração Bom Jesus, os itens foram retirados de comercialização e, “considerando o alto giro do produto nos pontos de venda, não há indicação de que esse lote ainda esteja disponível no mercado”.
Como identificar o lote de água contaminada?
O lote da água mineral sem gás da marca Crystal afetado é o LZ1 VAL200127 3 P 200126, de garrafas de 500 ml, fabricadas em 20/1/2026 e com validade até 20/01/2027. As informações podem ser observadas na embalagem do produto.
A Anvisa reforça que a medida se aplica exclusivamente às unidades desse lote, os demais produtos da marca não foram afetados.
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O que fazer se tiver a água contaminada em casa?
A orientação da Anvisa é que os consumidores verifiquem se possuem unidades do lote e, caso tenham o produto, não realizem o seu consumo e sigam as orientações da empresa sobre devolução e reembolso.
“Consumidores que eventualmente possuam unidades do lote P 200126 (leia-se na embalagem LZ1 VAL 200127 3 P 200126) devem entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para orientações sobre substituição ou reembolso”, diz a fabricante.
Os canais disponíveis para isso são o telefone 0800 061 5000 e o e-mail contato@brasal.com.br.
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O que foi detectado na água contaminada?
A Anvisa explica que o recolhimento voluntário foi iniciado após a emissão de laudo do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), que identificou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostra do produto coletada durante ação de rotina da Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa/DF) para análise de alimentos.
“O teste de contraprova, que gerou o Laudo de Análise Fiscal Definitivo, foi realizado conforme previsão do Guia para Harmonização de Procedimentos no Âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), e o resultado confirmou a presença da bactéria na amostra analisada. Com isso, a Divisa/DF determinou a interdição local e comunicou o caso à Anvisa”, diz a agência em nota.
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Em nota enviada ao GLOBO, a Mineração Bom Jesus disse que o lote foi envasado em janeiro e, desde a notificação, foram realizadas análises em mais de 300 amostras e todas tiveram resultados “negativos para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação”.
“A unidade fabril permanece operando normalmente e cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de qualidade e segurança, com processos certificados, monitoramento contínuo e total conformidade com a legislação vigente”, complementa.
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A Anvisa afirma ainda que a investigação sobre o caso segue em andamento, com acompanhamento do órgão sanitário e das vigilâncias sanitárias envolvidas e, até o momento, as informações disponíveis, incluindo o laudo fiscal e as evidências apresentadas, indicam ocorrência restrita ao lote informado.
A Anvisa também diz que a empresa protocolou documentos junto à agência “demonstrando a realização de investigação interna abrangente para avaliar a ocorrência e suas possíveis causas”. “Representantes da empresa se reuniram com a Agência, prestaram esclarecimentos e vêm cooperando com as autoridades sanitárias, adotando providências de forma diligente”, continua.
O que é a bactéria Pseudomonas aeruginosa?
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de alta relevância para saúde pública por ser resistente a medicamentos. Segundo a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP, na sigla em inglês), ela está associada a 559 mil mortes por ano, o que a coloca entre os patógenos bacterianos mais letais no mundo.
— Ela é uma bactéria ambiental, ou seja, encontrada normalmente no ambiente, mas tem também capacidade de infectar humanos, principalmente os imunossuprimidos, com quadros graves, em ambiente hospitalar. Por isso é muito encontrada em infecções hospitalares — explica o infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, Alberto Chebabo, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Estudos estimam que até 23% das contaminações em unidades de terapia intensiva (UTIs) são causadas pela bactéria. Mas, embora grave, as infecções entre pessoas saudáveis são raras. O risco é maior para indivíduos imunossuprimidos, como aqueles que vivem com HIV, câncer, doenças autoimunes ou fazem tratamentos que levam à imunossupressão. Nesses casos, a bactéria pode contaminar e gerar uma doença grave, como uma infecção sistêmica no organismo.
Como é a transmissão dessa bactéria? E os sintomas?
A transmissão ocorre pelo contato com superfícies contaminadas, como solo, água e itens que possam ter sido colonizados. A exposição à bactéria não é incomum, mas é raro que ela consiga infectar pessoas saudáveis.
— Ela é conhecida como um microrganismo oportunista, ou seja, não costuma causar doença em todas as pessoas expostas, mas pode se tornar um problema quando encontra uma porta de entrada — diz o patologista clínico Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico.
Os sintomas dependem do local do contato e, geralmente, surgem entre 24 e 72 horas da contaminação, embora não exista um intervalo único para todos os casos, explica Giulia Sarabando, médica clínica da UPA Vila Santa Catarina, unidade gerida pelo Einstein Hospital Israelita:
— Quando a transmissão é pelo contato na pele, pode causar vermelhidão local, coceira, presença de pus ao redor dos pelos ou dor local. Nos olhos, também pode causar vermelhidão intensa, dor e secreção amarelada. De forma geral, pode evoluir para uma infecção mais grave, causar febre e mal-estar. Se notar esses sinais, procure assistência médica e informe que teve contato com um produto que sofreu recall por risco de contaminação.

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