Você vai querer saber como é ser puxado pelas mãos fortes de Jason Momoa das águas cristalinas do Pacífico e então se jogar na barriga de uma canoa, como um peixe recém-pescado. Posso garantir que é uma sensação maravilhosa. Isso aconteceu em uma manhã paradisíaca de meados de julho, em Oahu, no Havaí. Sobre uma canoa com estabilizador laranja brilhante, Momoa, em uma camisa sem mangas e calças listradas, como um deus de férias, apontou para a praia onde aprendera a surfar e para o recife onde seu cordão umbilical está enterrado.
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Em momentos tranquilos como esses, eu quase conseguia esquecer o horror primitivo de sentar de maiô ao lado de um homem que frequentemente está no topo das listas dos mais bonitos. Um barqueiro na popa da canoa gesticulou em direção a uma enseada famosa pelos tubarões de Galápagos e então sugeriu que déssemos um mergulho. Na maioria dos dias, evito mares infestados de tubarões. Mas Momoa, de 45 anos, parecia despreocupado. Eu me joguei.
Com a constituição de uma rocha, se rochas tivessem olhos e cheirassem a almíscar e aventura, Momoa é um brigão diferente. Embora inegavelmente um astro de ação — que já interpretou um alienígena, um bárbaro, um senhor da guerra em “Game of Thrones”, um mestre espadachim em “Duna”, um super-herói que poderia arrasar em um revezamento estilo livre em “Aquaman” — ele combina hipermasculinidade com uma doçura surpreendente.
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“O que o torna um ator interessante é seu enorme coração e empatia — tudo no corpo de um deus troiano”, me contaria, por e-mail, Emilia Clarke, que interpretou sua noiva no megassucesso da HBO “Game of Thrones”.
Momoa prefere a descrição de “macho alfa sensível”. Ele sabe como é a sua aparência — “um cara durão e grandalhão”, como ele mesmo disse. Mas se orgulha de estar em contato com seus sentimentos:
— Ainda sou muito masculino. Mas abraço o lado feminino e também sinto que não tenho problema em ser vulnerável, que não é uma fraqueza.
Momoa havia retornado a Oahu para a estreia mundial de seu projeto de paixão, a ambiciosa série “Chief of War”, da Apple TV+. (Os dois primeiros episódios serão lançados nesta sexta; os outros sete serão exibidos semanalmente.) Épica em escopo e escala, a série é centrada em Ka’iana (Momoa), um guerreiro do século XVIII que testemunhou a unificação das ilhas havaianas e as primeiras incursões coloniais. Poucas histórias de Hollywood ambientadas no Havaí realmente se concentraram em nativos havaianos. “Chief of War”, na visão de Momoa, é uma correção necessária.
— Temos nossas próprias histórias para contar — disse.
Este projeto acabou se revelando mais pessoal do que ele imaginava. Durante a pré-produção, ele descobriu que compartilha o mesmo sobrenome e provavelmente ascendência com um irmão de Ka’iana, o que fez a série parecer predestinada. Momoa criou e escreveu o roteiro com seu colaborador de longa data Thomas Pa’a Sibbett e dirigiu o tumultuado final da primeira temporada. Mas não foi apenas pessoal.
— Fizemos isso pelo Havaí — Momoa me diria mais tarde naquele dia. Ele entendia o peso disso.
Estive em Oahu para entender por que Momoa, que normalmente interpreta valentões e trapaceiros, se esforçou tanto para fazer um drama de época sério, encenado principalmente em olelo havaí, um idioma que ele não fala. Além disso, se o seu editor enviar uma mensagem perguntando se você gostaria de ir ao Havaí para escrever sobre Jason Momoa, você dirá que sim (e passará semanas se torturando com o que constitui um “maiô de trabalho”).
Quando criança, Momoa foi criado por uma mãe solteira, uma artista, em meio aos milharais de Iowa. Sua mãe lhe ensinou o amor por filmes antigos.
— Eu não vi “Conan” quando criança — disse ele sobre a franquia que mais tarde estrelaria. — Vi “Janela indiscreta” e “E o vento levou”.
Ainda assim, ele nunca imaginou se tornar ator. Isso mudou quando ele tinha 19 anos, tendo se mudado para Oahu para passar um tempo com o pai, um pintor e barqueiro. Momoa estava dobrando camisas em uma loja de surfe quando soube que “Baywatch Hawaii” estava procurando atores locais. Apesar de um currículo em branco, ele foi contratado, e você pode vê-lo em episódios antigos, bronzeado e com cara de bebê, correndo pela areia.
Ele ainda não sabia atuar, e até hoje continua sendo mais uma presença do que um artista transformador, mas descobriu que adorava isso.
— Na verdade, fiquei obcecado — disse.
Quando “Baywatch Hawaii” terminou, em 2001, agentes não queriam encontrar Momoa. Alguns anos depois, ele foi parar em outra série ambientada no Havaí, a esquecível “North Shore”, e então pulou para “Stargate Atlantis”, onde interpretou um alienígena. Conheceu Lisa Bonet naqueles anos, se casaram e tiveram dois filhos. Momoa também se tornou padrasto de Zoë Kravitz, filha de Bonet de um casamento anterior com Lenny Kravitz. Bonet e Momoa se separaram em 2020 e se divorciaram amigavelmente em 2024.
“Game of Thrones”, sucesso da HBO, deveria ter sido sua grande revelação, e de certa forma foi. Ele era desconhecido dos criadores da série, David Benioff e D.B. Weiss, quando venceu a disputa para interpretar Khal Drogo, um senhor da guerra nômade.
Em e-mail conjunto, Benioff e Weiss escreveram que ele trouxe calor humano e generosidade a Drogo.
Seu personagem morreu na primeira temporada. Momoa não trabalhou por um ano depois, e não por escolha própria. Ele havia sido convincente como senhor da guerra. Talvez convincente demais. Como ele conta, os diretores de elenco não sabiam o que fazer com ele. Alguns ficaram surpresos por ele falar inglês.
— Eu sou assim, eu rio, eu choro, eu sou charmoso — Momoa se lembra de ter pensado. — Estou apenas atuando.
Tempos depois, a DC Comics colocou o tridente do Aquaman em sua mão. Momoa interpreta Arthur Curry, uma figura de força e agilidade sobre-humanas que vive pelo mar. (Desafio você a olhar para Momoa, como eu, com os cabelos esvoaçando, equilibrado na asa de uma canoa, e não pensar: super-herói.).
— Se isso falhar, estou ferrado — pensou ele na época. Não falhou. “Aquaman” arrecadou mais de R$ 1 bilhão e consolidou a reputação de Momoa como um sujeito meigo, arremessador de machados e adorador de heavy metal.
Certamente, é assim que seus entes queridos o veem.
— Ele é um ursinho de pelúcia — explicou sua filha, Lola, de 18 anos. — Ele é apenas um ursinho de pelúcia com jeito de homem das cavernas.